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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2015

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

Nos derradeiros dias de Maria, mãe de Cristo, no plano físico, tomada de profunda melancolia, escutou à porta as palavras consoladoras de um mendigo a dizer-lhe “Por que choras, mulher? Não sabes que as lágrimas da Terra serão convertidas em alegrias no Reino dos Céus?”. Alguns instantes depois, revelou-se o tal mendigo através das chagas das mãos e serenidade única.

Tereza D’Ávila, ícone cristão, dentre as atividades de rotina levava, ao lombo de um burro, os mantimentos para comunidades carentes. Enquanto vagava pelo longo vale, uma tempestade repentina desceu e alagou toda região onde trafegava a companheira cristã. Descendo a enchente, agarrou-se em uma árvore, salvando-se; a mesma sorte, porém, não teve o animal. Passado o sufoco, descendo da árvore salvadora, ainda recompondo-se do susto, ouviu a voz do Cristo a dizer-lhe “Aos meus amigos, Tereza, eu reservo as provações”. Respondendo ao Mestre, entre o alívio e o bom humor, diz: “E é por isso que tendes bem poucos”.

Kardec, apesar das fotos sisudas dos livros, possuía o bom humor aflorado. No Pentateuco espírita, deixa algumas análises sob o bom humor.

Quantas não foram as vezes nas quais rimos das histórias do nosso Chico e Divaldo?

Os enviados do Cristo à Terra possuem duas características patentes. Alguns dirão que as provações estão dentre elas. Não, as provações são-lhes o epicentro da vida. E não poderia ser diferente, são espíritos de alto lastro moral. Precisam mostrar a qualidade a qual lhes é residente. Não existe outra forma em demonstrar tal elevação se não pelo exemplo.

Os irmãos com maior elevação são caracterizados pelo trabalho e alegria.

O trabalho, mesmo que, em muitas das vezes, mal direcionado e medido, já faz parte do ritmo do globo. A maioria já o entende como forma de conquista e desenvolvimento material e moral. Saber dosar e priorizar o potencializará ainda mais.

Quanto à alegria, o degrau é outro, bem inferior. Vivemos em uma sociedade angustiada, atormentada, revoltada e depressiva.

A alegria é exemplo raro.

As dificuldades não são desculpas para o mal humor. Kardec, em nota comemorativa dos 10 anos de lançamento d’O Livro dos Espíritos, narrou os sofrimentos, as traições e ofensas. E dizia “tudo isso o espírito de Verdade já me havia anunciado. Mas ele não me disse das alegrias, as emoções que eu experimentaria em ver a Doutrina Espírita crescer e consolar milhões. Quando minhas dores eram as mais cruéis, quando meu sofrimento era o mais acerbo, eu me elevava acima da humanidade, através da oração, e poderia ver o futuro desta doutrina consoladora”.

A alegria verdadeira não pertence ao materialista. Àquele que não enxerga um palmo além da existência física.

De fato, quem não compreende o peso da reencarnação, atadas as inconsequências, não terá a alegria de viver e retornar o carinho ao parente-problema.

Aquele que não entende quão fugaz é a vida material não terá as sobras de equilíbrio para a convivência social diária. Sufocará em uma visão limitada.

A ausência de alegria esta conectada, muitas vezes, aos conceitos materialistas do ser.

O materialista observa e blasfema contra o criminoso sem atentar que ele próprio já cometeu os comete crimes.

O materialista revolta-se contra as lideranças públicas, sem compreender que lá estão por permissão divina e que tal posição faz parte do arcabouço de suas provas.

O materialista deseja alienar-se dos problemas, do trânsito infernal, do trabalho que exaure as energias, das doenças físicas, sem perceber que estas são o filtro da alma.

Como se a vida não houvesse um propósito.

O materialista só enxerga o presente, o hoje. Só que o hoje é triste, depressivo, viciado, desequilibrado. Não dá chance as alegrias do reino de Deus.

Sejamos alegres ao perceber as oportunidades de redenção diária no trato ao irmão em desalinho no lar.

Sejamos alegres em compartilhar-lhes o sorriso, os ouvidos, as palavras caridosas, aliviando-lhes as dores das chagas dos sofrimentos.

Sejamos alegres para encarar o novo dia com o ânimo do despertar da natureza, a qual nos oferece o sol e o canto dos pássaros como companheiros, em atitude que oferece um dia feliz aos que nos cercam.

Sejamos alegres, pois os alegres são tolerantes, não se revoltam, são indulgentes, gentis, amigos, acolhedores, pois compreendem que chegará o dia em que as lágrimas da Terra se converterão em alegrias no reino dos céus.

A alegria consciente, nos dias de hoje, é a fortaleza, os escudos dos que creem na vida futura.

Quando a tristeza e o negativismo tomarem conta dos nossos corações, lembremo-nos do exemplo do mestre de Lion e oremos, renovando-nos as forças.

Em épocas do mau exemplo, crise, violência, indignidade e divisão, ser alegre é muito mais que coragem, convicção ou filosofia de vida. Ser alegre, jovial, nesses instantes difíceis, talvez seja a nova expressão de fé.

Paz a todos.

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