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Matéria Viva

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Ao analisar o termo "matéria viva", fico um tanto intrigado, pois não sei se é o caso de uma metáfora ou de uma prosopopeia. Tanto metáfora quanto prosopopeia são figuras de linguagem utilizadas como recursos nos casos de não existirem termos adequados para expressar uma ideia; "metáfora" é uma comparação implícita, enquanto que "prosopopeia" é a atribuição de características humanas a coisas.

Em geral, sob a ótica religiosa/espiritualista, a matéria não tem vida, pois quem vive é a alma (espírito). Em contrapartida, no ponto de vista científico/materialista, a vida é observada como uma manifestação de matéria em certas condições, as quais não são reproduzíveis em laboratório, portanto, esta manifestação de vida é decorrente de um processo ainda desconhecido.

O Espiritismo fornece a informação necessária e suficiente para o entendimento racional deste processo que envolve o ser que vive - o espírito - e a ferramenta com a qual se manifesta - a matéria -, ligando conceitos aparentemente antagônicos para formar um corpo de ideia entre as teorias monista e dualista.

A questão de número 61 d'O Livro dos Espíritos esclarece quanto à unidade de características da matéria orgânica e da inorgânica, reduzindo a um denominador comum, isto é, ambas são apenas matéria. Nesta mesma questão, os espíritos usam o termo "animalizada" para o corpo orgânico não inerte. No artigo intitulado O Átomo de Carbono, publicado no Jornal Correio Espírita em abril de 2015, apresentamos e mais detalhes o que são matéria orgânica e inorgânica.

Assim, "animalizada" seria o termo utilizado pelos espíritos para distinguir um corpo inerte daquele que aparenta estar vivo. Para que haja a vida aparente é necessária a combinação da matéria orgânica com um outro componente: o fluido vital. A animalização, portanto, é decorrente da relação entre matéria e fluido vital e não de um ou outro componente separadamente. Contudo, ambos têm uma origem comum: o fluido cósmico.

Sendo um agente, e não o próprio corpo, o fluido vital pode ser emanado pelo corpo, assim, seus efeitos foram observados por muitos estudiosos anteriores e contemporâneos de Kardec. Em decorrência do fato de que se sabia muito pouco sobre a eletricidade e o magnetismo (aquele da atração e repulsão de certos materiais), havia a tendência de se creditar o que não era conhecido como sendo fenômenos elétricos ou magnéticos. Desta forma, os fenômenos decorrentes da exteriorização de fluido vital por certas pessoas eram tidos por forças elétricas ou magnéticas, cunhando os termos "eletricidade animal" e "magnetismo animal".

O Espiritismo informa sobre a existência do fluido cósmico; diz que este fluido apresenta "propriedades especiais" que o diferem da matéria, contudo, ainda é a base da matéria. Trouxe, ainda, o conceito de "fluido" em referência à estados da matéria mais sutis que sua forma mais bruta conhecida na Terra. Como poderia ser esperado, surgiram os termos "fluido magnético" e "fluido elétrico", utilizados inclusive pelo próprio Kardec, em referência à matéria sutil de qualidade específica que é emanado pelo ser encarnado. Contudo, questionando os espíritos a este respeito, na questão número 65, também d' O Livro dos Espíritos, Kardec obteve esclarecimentos a respeito:

65. O princípio vital reside em algum dos corpos que conhecemos?

“Ele tem por fonte o fluido universal. É o que chamais fluido magnético, ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o elo existente entre o Espírito e a matéria”.

Portanto, os espíritos responsáveis pela Codificação Kardequiana deixam claro que fluido elétrico ou magnético animalizado se trata do próprio fluido vital. O uso de terminologia única, em conformidade com a orientação espiritual, facilitaria o estudo e evitaria dificuldades de entendimento sobre esta questão.

Similarmente, os termos "magnetismo" e "magnetização", ainda muito utilizados no movimento espírita, deveriam ser substituídos pela terminologia apresentada no Pentateuco, que seriam "fluido" e "emissão de fluido", respectivamente. O último, quando direcionado a alguém, pode ser traduzido por "doação de fluido", pois evitaria a interpretação equivocada e a natural comparação com o magnetismo como conceituado no âmbito da Física.

Portanto, por "matéria viva" deve-se entender a matéria que está combinada com fluido vital, componente que lhe confere condições para que o espírito possa interagir, seja momentaneamente, como nos fenômenos físicos, ou por períodos mais longos, como nas reencarnações.

A análise destas considerações nos leva à compreensão de que a matéria orgânica, quando ligada ao espírito, apresenta a possibilidade de produzir/assimilar/reter o fluido vital, enquanto a matéria inorgânica apenas pode ser impregnada para uso momentâneo.

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