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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2015

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

Existem alguns termos que causam certa dificuldade de entendimento em decorrência de interpretações que lhes são atribuídos. Todavia, o uso de uma terminologia adequada possibilita a compreensão mais precisa de frases e, até mesmo, de textos inteiros. Dentre os termos de uso comum e que, muitas vezes, causam interpretações equivocadas daquilo que se pretende inferir, estão: instinto, inteligência e sentimento.

Até há pouco tempo se acreditava que os animais possuíam apenas instinto, isto é, todo o seu comportamento e atos seriam decorrentes de processos instintivos, como se uma força oculta os impulsionassem nas ações, sem que nenhum processo decisório os motivasse. Em decorrência disto, é comum se considerar que, instinto e inteligência, sejam duas coisas distintas e, por isso, também se considera não coexistirem num mesmo ser.

Com o avanço do conhecimento e dos experimentos envolvendo animais, apesar das controvérsias naturais nas situações onde há mudança de paradigma, está cada vez mais claro que os animais apresentam capacidade cognitiva; umas espécies mais, outras menos, mas sempre presente.

Neste prisma, instinto e inteligência apresentariam uma origem comum, pois seriam integrantes da essência do próprio ser vivo. Neste contexto, pode-se ressaltar a colocação do psiquiatra suíço, considerado o “pai da psicologia analítica", C. G. Jung, que disse o seguinte, com relação ao seu conceito de inconsciente coletivo: “Teoricamente deveria ser possível extrair, de novo, das camadas do inconsciente coletivo não só a psicologia do verme, mas até mesmo a da ameba”.

Todavia, antes disto, ainda no século XIX, foi disponibilizado na Codificação Kardequiana, mais precisamente em O Livro dos Espíritos, informação pertinente a este respeito. Na questão 73 encontramos o seguinte:

O instinto independe da inteligência?

“Precisamente, não, por isso que o instinto é uma espécie de inteligência. É uma inteligência sem raciocínio. Por ele é que todos os seres proveem às suas necessidades”.

Em decorrência do uso equivocado dos termos, muitas vezes acreditamos que os instintos são os responsáveis pelas paixões que devemos nos libertar na caminhada evolutiva. Contudo, não necessariamente é assim, ou melhor, não podemos generalizar. A respeito deste ponto, encontramos uma afirmação, ainda em O Livro dos Espíritos, questão 75, que diz: “…o instinto existe sempre, … O instinto também pode conduzir ao bem…”

Apreende-se da questão 75, que os instintos não são necessariamente negativos, assim como a própria inteligência humana, que pode ser utilizada para o desenvolvimento de coisas muito boas, como, também, de coisas muito más. O uso que se faz das faculdades que temos à nossa disposição é que vai apresentar qualidades boas ou más, e não a faculdade em si.

Considerando a questão do instinto como na interpretação comum, tais como atos impensados movidos pela força das coisas ou como sendo responsável pelas paixões, incorreríamos num equívoco que poderia causar dificuldades de entendimento de outros pontos, tal como a questão 621:

Onde está escrita a lei de Deus?

“Na consciência”.

Segundo a questão 621, portanto, o instinto mais básico e principal que traríamos conosco desde o início estaria relacionado com as próprias Leis de Deus, isto é, a Providência. Assim, podemos concluir que: 1) os instintos, realmente, nem sempre são maus e; 2) como existem os instintos maus, e estes não fazem parte das Leis de Deus, verifica-se que muitos instintos são desenvolvidos ao longo da jornada evolutiva cujas qualidades serão boas ou não, dependendo dos pendores do espirito.

Podemos, dessa forma, compreender a colocação do espírito Lázaro encontrada n’O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI:

“O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos”.

Na origem, segundo Lázaro, o espírito só tem instintos – as Leis de Deus – quando avança e se corrompe, só tem sensações. Contudo, ainda segundo Lázaro, o sentimento tem origem no próprio instinto, como seria de se esperar, haja vista que, como foi dito, o instinto mais básico seria as Leis de Deus que conduz o espírito ao que podemos denominar amor divino. É preciso considerar que “estar corrompido” não pode ser uma fatalidade nas leis da evolução, portanto, pode-se evoluir sem se corromper.

Nos casos de espíritos ligados a um mundo de expiações e provas, como o planeta Terra, os espíritos que aqui habitam corromperam seus instintos mais básicos, privilegiando a sensação em detrimento do sentimento. Através do desenvolvimento do discernimento, auxiliado pelo conhecimento Espírita, o espírito buscará sua essência espiritual e as Leis de Deus escritas na consciência.

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