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O tesouro da vida

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O amor em ação é caridade, e “a caridade não é uma voz que fala, mas um poder que irradia”. (1)

“O amor é o laço que reúne as almas nas alegrias da liberdade”, (2) “a caridade é a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas” (3).

Muitas vezes, o amor que dedicamos aos entes queridos é um amor egoísta, excludente, que não inclui os outros. Quando um membro da nossa família precisa de nós, envidamos todos os esforços para ajudá-lo. Queremos sua felicidade mais do que a nossa própria vida.

Porém, amor é sempre amor. Amando nossa família, estaremos nos preparando para amar, incondicionalmente, a humanidade. Esse amor será um escudo que nos defenderá de tudo e uma alavanca com o nome de caridade, impulsionando nossa jornada rumo à felicidade para a qual todos fomos criados.

André Luiz conta que, na colônia Nosso Lar para onde foi levado, após oito anos de padecimentos no Umbral, vendo suas melhoras crescentes, sentiu necessidade de trabalho e, instruído por Lísias, o enfermeiro amigo que lhe atendia, foi em busca da orientação do Ministro Clarêncio.

Lá, em seu gabinete, presenciou a entrevista de uma senhora idosa que, em copioso pranto, pedia ajuda ao Ministro para seus dois filhos que estavam exaustos e sobrecarregados de infortúnios no ambiente terrestre.

“– Ah! Minha amiga – disse o benfeitor amorável –, só no espírito de humildade e de trabalho é possível a nós outros proteger alguém.

Quantos bônus-hora poderá apresentar em benefício de sua pretensão?

A interpelada respondeu, hesitante:

– Trezentos e quatro.

– É de lamentar – elucidou Clarêncio, sorrindo –, pois aqui se hospeda, há mais de seis anos, e apenas deu à colônia, até hoje, trezentos e quatro horas de trabalho. Entretanto, logo que se restabeleceu das lutas sofridas em região inferior, ofereci-lhe atividade louvável na Turma de Vigilância, do Ministério da Comunicação...”

A seguir, o Ministro descreveu-lhe mais três oportunidades de cooperação que lhe foram dadas, e todas, recusadas pela anciã, com as mais variadas desculpas por não ter conseguido executá-las.

Clarêncio, bondosamente, explanou:

“ – Pois note, minha amiga, – esclareceu o devotado e seguro orientador –, o trabalho e a humildade são as duas margens do caminho do auxílio. Para ajudarmos alguém, precisamos de irmãos que se façam cooperadores, amigos, protetores e servos nossos. Antes de amparar os que amamos, é indispensável estabelecer correntes de simpatia. Sem a cooperação é impossível atender com eficiência. (4)”

Vemos que aqui, agora, acolá e além, seremos sempre os mesmos, carregando conosco as experiências da vida, enriquecidas com o amor ao próximo, através da cooperação no trabalho e na humildade, no altruísmo e na prática do amor sem barreiras.

Allan Kardec, o Insigne Codificador do Espiritismo, indagou à Espiritualidade Superior:

“ – Haverá quem, pela sua posição, não tenha possibilidade de fazer o bem?

Ao que as Entidades Sublimadas responderam:

– Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra ensejo de praticá-lo. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu concurso venha a ser necessário. (5)”

Se amamos os familiares desejando-lhes o bem à máxima expressão, tenhamos tolerância para com as imperfeições dos outros, bondade para com todos, indistintamente.

Amar, servir, tolerar, e ter compaixão pelo próximo em suas quedas e dissabores, considerando que todos somos passíveis de erro. Dessa forma, conquistaremos créditos que nos deem a segurança de poder ajudar os entes queridos nos momentos de suas necessidades naturais, próprias da existência, nas estradas da vida.

Tudo, no Universo, é uma troca. O amor, em suas três modalidades: a Deus, ao próximo e a nós mesmos, constitui o tesouro da vida.

Muita paz!

Notas bibliográficas

1 – Caridade – Espírito Emmanuel – Francisco Cândido Xavier – Em torno da Caridade – pág.91 – Ide.

2 – O Consolador – Idem, ibidem – Questão 158 – Feb.

3 – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Cap. XIII. Item 12 – Feb.

4 – Nosso Lar – André Luiz – Francisco Cândido Xavier – cap. 13 – No Gabinete do Ministro – Feb.

5 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 3ª – cap. I – Questão 643– Feb.

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