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Bondosa carcereira

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Em inúmeras oportunidades, reportando-se aos problemas cármicos, Chico Xavier, com a sabedoria e a simplicidade de sempre, explicava:

– Quando nos empenhamos no Bem, o braço da Justiça Divina é contido pelo braço da Divina Misericórdia.

Que somos todos devedores, com extensa ficha criminal, composta por delitos do passado, não padece dúvida. Caso contrário não estaríamos morando nesta prisão de expiação e provas, que é a Terra, vigiados por carcereira exigente, zelosa, severa, incorruptível, cujo nome nos faz tremer: a senhora Dor!

Ela é implacável. Não deixa passar nada. Ao menor deslize, nos castiga, impondo-nos males variados.

Tem memória de elefante. Faltas que cometemos há séculos, das quais não guardamos a mínima lembrança, inspiram suas ações corretivas, passando-nos a perturbadora ideia de que estamos sendo injustiçados. Trata-se de um equívoco, porquanto se há uma virtude que não lhe podemos negar é a equidade.

Suas sanções correspondem, milimetricamente, ao que merecemos. Mais que isso, atendem ao que necessitamos. Age não apenas para que resgatemos dívidas, mas, também, para que evitemos novos comprometimentos. De quebra, a danada acaba por abrandar nosso coração, aproximando-nos de Deus.

Há quem estranhe a afirmativa de que por aqui transitamos com o peso de um passado delituoso, de erros, crimes, vícios, comprometimentos de pretéritas existências. Verdadeiramente estranhável, meu caro leitor, seria aqui estarmos a sofrer sem razão, chamados a pagar o que não devemos.

É um questionamento perfeitamente lógico que deveria ser feito por aqueles que imaginam Deus a retirar nossa alma do nada, em passe de mágica, naquele momento em que um espermatozoide esperto atingiu um óvulo receptivo.

Se admitirmos a ideia de que fomos criados junto com nosso corpo fica complicado explicar por que há tanto sofrimento na Terra, distribuído de forma aleatória, mais para uns que para outros, a abranger a condição mental, racial, intelectual, moral, espiritual, social e outras mais, sugerindo extensa e trágica poesia de versos rimados em sufixo al.

E há, ainda, o absurdo da condenação irremissível, para sempre, após a morte, com a mesma carcereira implacável a tocar fogo em nossa alma, atormentando-nos com chamas que não se extinguem e jamais nos consomem!

Sempre bom lembrar, à luz do Espiritismo: os males que nos afligem sustentam-se nas fragilidades, próprias do estágio evolutivo em que nos encontramos.

São de superfície, sustentados pelo mal maior, na intimidade de nossa alma: o egoísmo, excrescência residual que retemos indevidamente, originária dos tempos em que, mero princípio espiritual, transitávamos pela animalidade instintiva, em recuadas eras. Imagine um barco usado para atravessar um pântano. É extremamente útil. Porém, quando o barqueiro atinge a planície, é imperioso deixá-lo. Não pode carregá-lo sobre os ombros.

O egoísmo até que nos ajudou no passado, em estágios primários de evolução, quando enfrentávamos as águas turvas da inconsciência. Hoje ele nos atrapalha.

Por isso, exercitando o altruísmo, o pensar nos outros, haverá benéfica repercussão em nossa alma, favorecendo a saúde, o equilíbrio, a paz.

Na verdade, quando nos empenhamos nesse esforço há abençoada troca de carceragem. Deixamos de ser vigiados pela Dor, substituída pela Misericórdia, bondosa carcereira, disposta a relevar o passado delituoso em favor de um presente tranquilo e promissor futuro, com significativa redução nas penalidades a que estamos sujeitos. Sempre bom lembrar, nesse particular, a observação feliz de Chico Xavier:

– Quando nos empenhamos no Bem, o braço da Justiça Divina é contido pelo braço da Divina Misericórdia.

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