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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2015

Essa expressão curiosa, título do presente artigo, um lema do exército romano criado pelo imperador Júlio Cesar (110 a.C. a 44 a.C.), traduzida do latim, significa que “Legião Romana a tudo vence”, uma exaltação as vitórias seguidas da máquina de guerra que Roma montou e que lhe garantiu, em determinado momento histórico, a conquista de grande parte do globo terrestre e com isso influenciar toda a cultura ocidental. Hoje, está nos anais da história...

O espírito desta frase nos remete àquelas pessoas que tem na vida um tapete vermelho, que tudo vencem, que sempre se dão bem. Ilustrados na literatura pelo Rei Midas, pelo Gastão da Disney, são antíteses do Jó bíblico, com um caminho florido e ajustado na qual tudo concorre para seu sucesso. Pessoas “Omnia Vincit”.

Certamente, conhecemos muitas delas. Algumas pessoalmente, outras apenas como celebridades. Com fartos atributos combinados e valorizados pela sociedade – beleza, riqueza, inteligência, fama, carisma, família estruturada –, potências que se somam ao seu esforço e dedicação, que combinados com o que chamamos erroneamente de sorte, tem-se que, em tudo que eles tocam, vira ouro.

Objeto de inveja e de admiração, esses vencedores na ótica da vida terrestre, pela visão da vida maior, carregam fardos, por vezes imperceptíveis, no orgulho e na vaidade que os atormentam, no medo do fracasso nunca experimentado, na solidão de não saber em quem confiar, nas ameaças do egoísmo que o isolam do mundo, na evidência que torna postiças suas relações.

Seduzidos pelos gramados verdes dos vizinhos, esquecemos que essas pessoas, para quais as coisas parecem fáceis, esforçam-se e lutam, em batalhas internas e externas, e apesar de parecer que elas tudo vencem, amargam também derrotas em campos muitas vezes desvalorizados. Imagine, estimado leitor, no exercício da indulgência, a pressão que sofrem esses vencedores...

A doutrina espírita, pela lógica da reencarnação, vem trazer a essa questão uma outra percepção. São provas o papel de perdedor, mas também a vitória no mundo. Nas diversas roupagens que experimentamos, crescemos na dor, mas evoluímos também pelas posições de mando e de destaque, de maneiras diferentes. Em tudo, a lógica divina aproveita para o crescimento do espírito. O que às vezes ressoa como um canto de sereia, figura como uma armadilha mortal, nos ensina bem a literatura espírita, por nos trazer uma visão ampliada.

N’O Evangelho Segundo o Espiritismo, o espírito de Lacordaire, em bela mensagem sobre o bem e o mal sofrer, nos diz que: “(...) poucos sofrem bem, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir ao Reino de Deus. (...) Tendes ouvido frequentemente que Ele não põe um fardo pesado em ombros frágeis. O fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem”. Mas temos dificuldade no mundo e em seus valores, de identificar o que são fardos e qual o seu tamanho, e que nestes também cabe o “bem sofrer”!

A lei é de amor, e o amor paira além dessas relações. Muitos desses iluminados, robustos em inteligência e posses, padecem da falta dessa competência essencial e encontram na cesta de oportunidades que a vida lhes oferta um caminho para desenvolver esse amor, às vezes negligenciado. Jesus dizia que venceu o mundo... Interessante refletir sobre que natureza de vitória seria essa!

Tudo é passageiro, é experiência, é aprendizado. Mesmo que brademos para nós mesmos que tudo vencemos, sabemos que na verdade não é bem assim. Todos somos frágeis meninos nas lutas da vida, dependendo do pão nosso de cada dia, da saúde, da família e dos amigos. Somos ovelhas do rebanho divino e ele nos pastoreia, cada um a seu jeito, conforme sua necessidade. Espiritual.

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