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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2015

Curioso como certos ditados, quando analisados fora do contexto em que foram enunciados, induzem a interpretações equivocadas. É o que ocorre com uma frase de Juvenal (55-127), famoso poeta satírico romano: Mens sana in corpore sano – mente sã em corpo são.

Tornou-se emblema dos adeptos da cultura física, que exaltam os exercícios aeróbios e a musculação, em favor da saúde perfeita. O corpo enrijece, os pulmões se fortalecem; o sangue circula vigoroso, oxigena melhor o cérebro, favorece a memória, alivia as tensões, sustenta o bem-estar, a euforia de viver… É preciso malhar o corpo para fortalecer a alma.

Por outro lado, há nos manuais de autoajuda e nas terapias psicológicas recomendações básicas: valorizar a reflexão e a serenidade; aprender a lidar com os contratempos do dia a dia, sem pensamentos negativos ou atitudes desairosas. Serão evitados, assim, males físicos variados que surgem a partir da somatização de emoções desajustadas. É preciso malhar a alma para fortalecer o corpo!

Consagra-se, por elementar, a conjugação de esforços no sentido de cuidar simultaneamente da alma e do corpo, observando rigorosamente aquelas prescrições para que vivamos saudáveis e felizes.

Ocorre que, ao cultivar o mens sana em corpore sano, as pessoas estão mais preocupadas em ter uma boa vida, do que cultivar uma vida boa.

Boa-vida é aquele que “não quer nada com a dureza”. Pode até se dispor à “malhação” em favor de seu bem-estar, mas não está disposto a desafios ou preocupações que transcendam o próprio umbigo. Em seu dicionário existencial não há lugar para expressões relacionadas com as questões sociais, as carências alheias, as dores do próximo. Fecha-se, tanto quanto possível, num oásis particular.

Vida boa é alguém que procura valorizar a experiência humana, cultivando o dom de servir. Nesse empenho, preserva a estabilidade física e espiritual com abençoados exercícios de solidariedade.

É neste aspecto que devemos entender a observação de Juvenal, a partir do próprio texto em que está inserida. O poeta recomenda que rezemos para ter uma mente sã em corpo são, mas…

…com um espírito corajoso, sem medo da morte, disposto a carregar os fardos mais pesados com serenidade, que não conheça o ódio e nada deseje, e prefira duros labores às paixões, excessos e comodidades.

Um comportamento assim, de alguém que, nada desejando para si, tudo pode fazer pelos outros, talvez pareça doidice para o boa-vida. Lembra um pouco o espírito de renúncia, preconizado por Jesus. Referindo-se ao assunto, o apóstolo Paulo (10-67), na Primeira Epístola aos Coríntios, diz que a palavra da cruz é loucura para os que se perdem nos vícios e paixões da Terra.

Porém, é essa “insanidade” que edificará a civilização cristianizada do Terceiro Milênio, quando os homens aprenderem o elementar: o mais saudável de todos os exercícios em favor do corpo e da alma é caminhar ao encontro dos carentes de todos os matizes, com a disposição de ajudá-los.

Nesse propósito não podemos olvidar a iniciativa fundamental: o sacrifício de nossos interesses pessoais em favor do bem comum.

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