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Homens de pouca fé

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“Aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, estamos perecendo! Ele lhes disse: Por que estais temerosos, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e houve grande calmaria”. (MATEUS, VIII:23 a 27; MARCOS, IV: 35 a 41; LUCAS, VIII: 22 a 25)

            Na passagem acima conhecida como “A Tempestade Acalmada”, os evangelistas narram o evento em que o Doce Rabi da Galileia fazia uma travessia, a barco, juntamente com os discípulos. No transcurso da viagem, o Mestre adormecera. Entretanto, repentina e violenta tempestade surpreende os apóstolos, levando-os ao desespero. Em determinado momento, temendo pela vida, acordam o Mestre suplicando amparo e socorro para aquele instante tormentoso. É então que Jesus os adverte em relação à falta de fé e movimentando os recursos que Lhe eram próprios, acalma a tempestade. O Ensinamento acima nos exorta a detalhes importantes em relação à fé.

 

Fé como confiança e lealdade a Deus

            Narra o Espírito Humberto de Campos, pela psicografia de Chico Xavier em o livro Boa Nova, capítulo “O Bom Ladrão”, publicado pela Federação Espírita Brasileira, que dias antes da crucificação, Tomé e outros discípulos comentavam sobre o problema da fé. Em suas colocações afirmavam que a fé era virtude dos cultos, da sabedoria e da inteligência; outros entendiam que derivava da vontade. Entretanto, chamado às explicações, o Mestre esclarecia que a fé pertence, sobretudo, aos que trabalham e confiam e principalmente aos que são fiéis a Deus. Continuava a sua dissertação, informando que para estes “tê-la no coração é estar sempre pronto para Deus”.

            Neste mesmo capítulo informa Humberto de Campos que dias depois no momento infame da crucificação, fora Jesus abandonado pelos seus discípulos, quando estes demonstraram medo ou desconfiança em relação ao fato, constatando-se assim que sua fé ainda era vacilante. Narra que Tomé, em vestes diferentes para não ser reconhecido, acompanhava o corajoso Messias passo a passo. Em suas reflexões Tomé questionava o destino reservado ao Mestre, que mesmo diante de todo o bem e amor praticado, de toda verdade anunciada, teve um fim desditoso, segundo suas concepções. Interrompendo suas reflexões, aproxima-se do madeireiro, relembra as cenas mais singelas do apostolado, em especial o estudo recente que tivera sobre a Fé. Foi então, que observou o diálogo entre Jesus e o Bom Ladrão: “– Senhor! – disse ele, ofegante – lembra-te de mim, quando entrares no teu reino!”. Jesus endereça o olhar a Tomé e o esclarece: “– Vês, Tomé? Quando todos os homens da lei não me compreenderam e quando os meus próprios discípulos me abandonaram, eis que encontro a confiança leal no peito de um ladrão”.

 

A certeza de um futuro ditoso

            Allan Kardec, o insigne codificador, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIX, A Fé Transporta Montanhas, informa que a fé é a confiança que se tem na realização de algo, a certeza de se alcançar um objetivo, nos dando lucidez para sua conclusão. Informa-nos também que a fé sincera e verdadeira é sempre calma e nos dá paciência. Entretanto, que não se deve confundir a fé com a presunção de que tudo dará certo em nossas vidas, como em um passe de mágica.

            Fazendo a correlação da passagem Evangélica acima, com os ensinamentos da Doutrina dos Espíritos, vamos entender que mesmo diante das dificuldades, das “tempestades” em nossas vidas, como a vivenciada pelos apóstolos e Jesus, não podemos perder a certeza de um futuro melhor e da resolução dos nossos problemas.

            A imortalidade da alma, e a Lei de Reencarnação, nos dão este sentido, mesmo que de forma inata, de que diante de momentos difíceis, não podemos perder a esperança. Não podemos nos esquecer de que as experiências as quais enfrentamos são frutos das nossas necessidades, das nossas escolhas antes de reencarnarmos. Muitas vezes duvidamos ou receamos diante da prova ou expiação, não levando em consideração a ação de Deus em nossas vidas, da direção firme que Ele tem em nossos rumos. Aquele que tem a fé racional desenvolvida, sabe de antemão o seu futuro, não duvida, não recua, tem a calma, a paciência necessária para executar as suas ações tendo a convicção segura da filiação Divina.            

 

Fontes bibliográficas

- Kardec, Allan, 1804-1869. O Evangelho Segundo o Espiritismo / Allan Kardec; tradução de Albertina Escudeiro Sêco. – 5. ed. – Rio de Janeiro: CELD, 2010.

- Dias, Haroldo Dutra. Mateus, capítulo 20, O Novo Testamento/tradução de Haroldo Dutra Dias. – 1. ed. 2. imp. – Brasília: FEB, 2013.

- Campos, Humberto de (Espírito). O bom ladrão. Boa Nova / pelo Espírito Humberto de Campos; [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. – 3. Ed. – 5. Imp. – Rio de Janeiro: FEB, 2010.

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