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Chegamos ao final de um ano agitado, com eleições, Copa do Mundo, crises econômicas, falta de água, desastres aéreos, manifestações populares e alterações climáticas. A conversa cotidiana tomada a extremismos, em um acaloramento nas relações presenciais e virtuais que tem marcado o nosso tempo, com diálogos manifestos de ódio, materializados em situações deprimentes, de agressões e xingamentos, que por vezes transbordam para ações criminosas.

Muito desse ódio atribuo, empiricamente, pela observação, a um ser humano inundado de informação e que se defronta consigo mesmo, suas imperfeições e fragilidades e diante desse quadro dantesco... se decepciona.

Sim, isso mesmo, somos narcisos decepcionados.

Decepcionados com a nossa natureza traduzida em atitudes, com a constatação mais patente de que não podemos terceirizar para monstros, vilões e demônios as nossas mazelas. Somos nós, causa primária dos problemas de nosso planeta, como o sal da Terra falado por Jesus.

Ingenuamente, cremos em um mundo praticamente já regenerado, aguardando apenas o carimbo divino, e ao abrirmos o jornal no ensolarado domingo, observamos, estupefatos, a selva que a vida moderna nos apresenta, com o mesmo espírito encarnado que exaltamos, a frente de crimes e protagonizando cenas lamentáveis. A mão que faz o samba, faz a bomba! Essa contradição nos choca...

Confundimos novidades mercadológicas e avanços tecnológicos com o aprimoramento moral. Em termos espirituais, ainda temos uma longa estrada a percorrer. Ah, temos que registrar, é claro, que deixamos de lado, pelo menos no discurso, mazelas como a escravidão de nossos irmãos e tantas outras práticas deploráveis e ainda que distantes do homem de bem pretendido, precisamos enxergar os avanços obtidos e mais que tudo, o caminho a ser trilhado.

O desafio da regeneração nos demanda esperança e dedicação cotidiana. A decepção, fruto da expectativa, só tem utilidade se nos trouxer a reflexão, e em excesso, pode ser fonte de grande estagnação. É preciso fé na vida, fé no ser humano, no seu destino para o bem! Mas, essa fé não nos exime de conhecermos a nós mesmos, nossas chagas morais, como diagnóstico necessário a cura.

O ódio não é educativo. O ódio é um amor doente. Educativo é o diálogo. Ainda que achemos, no discurso, que ao mundo está faltando mais reprimenda, vemos que nos falta é o amor, como força poderosa a revolucionar a humanidade. A decepção com o mundo, refletida no ser humano, nos conduz a depressão e ao suicídio. O trabalho, o amor, a reflexão, esses nos conduzem a libertação.

A mensagem espírita é de renovação. Um olhar para o espelho que não visa a admiração, nem a comparação. Um olhar para si mesmo com vistas ao aprimoramento, no trabalho artesanal do cotidiano. O desafio é este e a vida, essa é eterna!

As fraquezas do espírito encarnado não se de agora, voláteis por um mundo globalizado e conectado. Somos nós mais uma vez figurando nos palcos do mundo, com o nosso atraso já conhecido, colecionando pequenos avanços e pagando preços geracionais pela nossa leniência, na dura romagem da evolução, a passos de formiga.

Importa o balanço desses avanços, seu reconhecimento e beber dessa fonte, olhando para frente, como comunidade de espíritos encarnados, e ainda que não vejamos um mundo regenerado, penso que já temos lampejos do caminho a ser trilhado.

Contra a decepção e o pessimismo, a fé e a esperança. Em relação aos desafios, a força do trabalho e a orientação do estudo. Essa adolescência da humanidade em que vivemos, meio revoltados, meio deslumbrados, é a chave atual para nosso amadurecimento como coletividade encarnada. E para isso, temos que transcender o olhar no espelho, saindo de nós mesmos e olhando o outro, ao nosso redor.

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