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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2015

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

Existem certos temas aos quais os espíritos que se dedicaram a ditar a Codificação Kardequiana encontraram dificuldades para tecer explicações a respeito em decorrência da limitação de linguagem para descrever conceitos abstratos, acarretando, assim, certa dificuldade de entendimento.

Estes temas são complexos em certo sentido, mas que deveriam ser simples por se tratar da nossa própria essência: um deles é a inteligência e os correlatos.

Analisando O Livro dos Espíritos, encontramos perguntas e respostas sobre esta temática que demonstram o que foi dito anteriormente e que são apresentadas a seguir:

Pergunta 23: Que é o Espírito?

Resposta: “O princípio inteligente do Universo”.

Pergunta 72: Qual a fonte da inteligência?

Resposta: “Já o dissemos: a inteligência universal”.

Pergunta 72 a: Poder-se-ia dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?

Reposta: “Isto não passa de simples comparação, todavia inexata, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. Demais, como sabeis, há coisas que ao homem não é dado penetrar e esta, por enquanto, é desse número”.

Pergunta 76: Que definição se pode dar dos Espíritos?

Resposta: “Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material”.

Em nota à pergunta 76, Kardec esclarece que, neste caso, "a palavra Espírito é empregada para designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente do Universo”.

Temos, ainda, na resposta à pergunta 237, a seguinte referência: "a inteligência é um atributo, que tanto mais livremente se manifesta no Espírito, quanto menos entraves tenha que vencer”.

Baseado nas perguntas e respostas apresentadas acima, podemos iniciar um processo de concatenação de informação visando clarear, mesmo que levemente este tema, pois poderá conduzir a melhor entendimento do que se trata a própria essência espiritual. As perguntas foram elaboradas por Kardec com as limitações decorrentes da sua condição de encarnado, e as respostas, por sua vez, são restringidas pelas próprias limitações de entendimento daquele que pergunta.

A resposta à pergunta 72 conduz ao entendimento da existência de uma fonte para a inteligência. Contudo, como ainda restou dúvidas, Kardec formulou nova pergunta e, percebendo que poderia haver falta de clareza, optou por associar uma com a outra, diferenciando apenas pelo índice (a), ao invés de ser apresentada como uma pergunta independente. As duas perguntas devem, portanto, ser consideradas em conjunto.

Ao analisar as duas perguntas e respostas conjuntamente, verifica-se não se tratar de uma "fonte de inteligência”, onde cada um coletaria uma porção, mas, muito mais que isso, trata-se de uma faculdade. A “fonte” não deve ser considerada em termos de uma massa, ou algo semelhante, de inteligência, mas que proveria a faculdade em si. Contudo, utilizar o termo "fonte de uma faculdade” ainda não esclareceria muito.

Recorrendo à questão 76, encontramos indicativos que podem fornecer um pouco mais de material para esta questão, pois diz que "os espíritos são os seres inteligentes da criação”. Desta forma podemos considerar que a inteligência faz parte da própria essência da criatura. Vale ressaltar que a nota de Kardec atesta, nesta pergunta, que a referência é a própria individualidade. Portanto, o espírito não seria uma estrutura na qual é adicionado uma porção de inteligência. Estando uma intrinsecamente na outra, não podem ser dissociadas.

Diante destas colocações, estamos em condições de avaliar a pergunta 23, na qual Kardec questiona diretamente o que seria o espírito. A resposta, extremamente simples e direta, não entra em contradição com as outras respostas correlatas, pois não diz que espirito é inteligência, mas que é "o princípio inteligente do Universo".

Segundo a pergunta 1 d’O Livro do Espíritos, a inteligência em si é Deus. Portanto, excetuando a Divindade, não existiria inteligência pura e simplesmente, mas apenas a sua manifestação em uma estrutura, no caso, a espiritual.

A “mágica” da criação do espírito está a sua própria essência. A “composição" espiritual pode ser entendida como uma estrutura em que os agentes constituintes promovem o surgimento e a manifestação da inteligência.

Visando melhorar o entendimento do que se pretende dizer, podemos comparar com o concreto utilizado nas construções. A massa do concreto é formada por cimento, água, areia e pedras. Caso um destes componentes esteja ausente na mistura, a massa formada poderá ser qualquer coisa, menos concreto. Será necessário que todos os ingredientes estejam presentes para que as características básicas do concreto surjam.

Portanto, a natureza íntima do espírito propicia uma característica intrínseca: a inteligência em si, propiciando ao espírito o autodesenvolvimento, em outras palavras, uma estrutura autônoma capaz de proporcionar sua própria evolução através das suas decisões diante daquilo que aprende e vivencia.

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