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Origem dos Espíritos

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Este tema não é trivial e a dificuldade pode ainda ser aumentada devido à atavismos nos conceitos estabelecidos e aceitos. Contudo, como somos estimulados à análise da informação disponível e, mais ainda, impulsionados ao questionamento e à busca das respostas, nos cabe, então, tentar ampliar esta questão à luz da Doutrina Espírita, considerando algumas perguntas elaboradas por Kardec e as respectivas respostas. Encontramos muita informação distribuídas nos livros da Codificação Kardequiana e podemos alinhavar variados pontos para formar um conceito.

Em maio de 2014, publicamos um artigo no jornal Correio Espírita, intitulado Fluido Universal, no qual foi analisada detalhadamente a questão de número 27 d’O Livro dos Espíritos. Nesta análise, foi possível concluir que há duas formas de interpretar a resposta fornecida: 1) Se considerarmos o fluido universal como matéria, então, o espírito também seria matéria e; 2) Se considerarmos o fluido universal como não sendo matéria, então, o espírito seria imaterial.

Contudo, ainda no mesmo artigo, correlacionando com a questão 82 do mesmo livro, a qual diz, com relação ao espírito, que “imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato…”, não se poderia, por um lado, afirmar categoricamente que o fluido universal seja matéria e, por outro, não se pode dizer categoricamente que não o seja.

Este é um dilema para o qual podemos chegar a uma única conclusão: a melhor definição para fluido universal é “fluido universal”, ainda sem comparações ao que é conhecido na condição evolutiva da Terra. É preciso ter em mente que o fluido universal se distingue da matéria por "propriedades especiais”, como também consta na resposta à questão 27. Contudo, não é especificado quais seriam estas propriedades especiais.

Ainda há outro fator importante que necessita ser endereçado nesta abordagem, pois, encontramos, ainda na resposta à questão 27, que há uma correlação ou ligação entre espírito e fluido universal. Ao dizerem que "se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o espírito não o fosse” podemos inferir uma essência comum.

Na questão 81 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se os espíritos são formados espontaneamente ou procedem uns dos outros, e obtém como resposta que “Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela Sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério”. Apesar de ser um mistério, podemos estar certos de que a origem dos espíritos é a vontade de Deus, somos Criação Sua, deixando claro que o espírito não surge do nada, nem espontaneamente.

Somos levados a considerar que, sendo uma criação, o espírito é alguma coisa real, tendo uma existência, portanto, sendo uma estrutura. O interessante é que apesar de estarmos tratando da nossa própria essência, esta se encontra além da nossa compreensão. Nesta linha de raciocínio, surge, naturalmente, o questionamento sobre que tipo de estrutura, ou melhor, do que seria constituída.

Neste ponto especificamente, podemos elaborar algumas considerações sobre as "propriedades especiais” do fluido universal e encontramos material muito interessante na questão 79 d’O Livro dos Espíritos que pode auxiliar ao entendimento:

79. Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?

“Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos.”

É de aceitação comum que a matéria é decorrente do fluido universal e se considera este como sendo matéria. Contudo, em uma visão menos restritiva para o fluido universal e sendo Deus a inteligência absoluta, podemos supor que não haveria diversas fontes para tudo que necessitasse ser Criado. Sendo o fluido universal a base das mais variadas necessidades, o repositório do gérmen, ou princípio, de tudo, podemos vislumbrar que as propriedades especiais a que os espíritos se referem são estes variados princípios, incluindo o princípio inteligente.

Poder-se-ia dizer, com base em tudo o que foi apresentado, que o espírito criado é capaz de, com o poder mental, formar corpos materiais nas mais variadas faixas de expressão através da individualização do princípio material presente no fluido cósmico. Pode-se, ainda, dizer que Deus, sendo “a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas”, é capaz de atuar no princípio inteligente e nas propriedades especiais do fluido universal, criando em toda a pujança obras que transcendem ao tempo.

Deus, pela sua vontade, é capaz de criar obras que transcendem ao tempo, espíritos imortais, seus filhos, obviamente que, a forma como os cria, ainda permanece um mistério.

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