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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2016

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

            O item Forma e Ubiquidade dos Espíritos, n'O Livro dos Espíritos, consiste da questão 88 à 92, sendo que a ubiquidade propriamente dita é tratada apenas na 92. Da questão 88 à 91, Kardec aborda dois tópicos: um relacionado com a forma do espírito e outro sobre a influência do meio sobre o espírito, tais como percorrer distância, obstáculo que a matéria pode impor etc. Apesar de parecerem distintos, esses dois temas foram tratados conjuntamente, portanto, devem estar relacionados em algum grau.

            Um mundo como a Terra, por ser constituído de matéria muito densa, está atrelado à forma e, em geral, ao modo pelo qual seus habitantes elaboram o pensamento e a capacidade de análise são baseados em formas. O pensamento concreto é mais fácil para a concepção da mente humana, enquanto que o pensamento abstrato, relativamente mais complexo e demanda maior esforço, ainda é exercido por uma pequena parcela da população, pois, via de regra, se acredita não ter utilidade prática.

            O pensamento abstrato conduz o homem ao entendimento de questões que transcendem a vida na matéria, preparando o indivíduo para alçar voos cada vez mais altos, conceber os mistérios da divindade, o motivo da existência em um sentido mais profundo do que a satisfação dos desejos, dentre outros.

            Na questão 23 d’O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta sobre a natureza íntima do espírito e obtém, como parte da resposta, que o espírito é alguma coisa, pois o nada não existe. Então, forçosamente, o espírito deve ter uma forma, embora ainda incompreensível para a mente humana. Por esse motivo os espíritos responsáveis pela Codificação deixaram claro, na questão 88, que o espírito não tem uma forma para nós, especificamente. Sendo que, por "para nós”, deve-se entender para aqueles que mantém a mente presa nos padrões da matéria e para os quais o conceito de "forma" está atrelado a formas geométricas e suas diversas combinações, com as quais estruturam-se os objetos e corpos, desde os mais simples aos mais complexos, desde os extremamente pequenos, como as moléculas, aos muito grandes, como os planetas.

            Assim, para a limitação da mente humana, na continuação à resposta da questão 88, eles dizem que "O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea”. Nesta comparação, no intuito de facilitar a compreensão, mesmo que em grau extremamente limitado, correlacionam a forma do espírito com "coisas" que não possuem um contorno bem definido, tal como uma chama ou um clarão.

            Contudo, para aqueles cujas referências são outras que não a matéria densa da Terra, os espíritos possuem uma forma bem definida, o que deixam claro ainda na questão 88 ao dizerem "Para vós, não; para nós, sim".

            Portanto, podemos considerar que somos conduzidos na compreensão de que a natureza íntima do espírito não deve ser interpretada pelos padrões que estamos acostumados a raciocinar, isto é, os padrões terrenos. Assim, conclui-se que, não estando sob os padrões da Terra, o meio material não impõe limitações ao espírito quando liberto (desencarnado) ou desligado temporariamente (desdobramento natural ou induzido).

            Partindo do princípio que, ao atingir determinado nível evolutivo, o espírito não mais estará sujeito ao processo reencarnatório, podemos concluir que a encarnação é, em si mesma, uma condição anômala do espírito. Durante esta etapa da sua existência, se estabelecerá uma ligação bem definida entre espírito e matéria, visando uma finalidade específica. Somente durante a condição de encarnado que a matéria que compõe o corpo físico, e apenas esta, exercerá obstáculo para o espírito. A matéria do meio onde o encarnado se encontra exercerá limitações e obstáculos outros à própria matéria do corpo físico, e não ao espírito em si. Obviamente que, exercendo limitação ao corpo físico, a matéria do meio exercerá limitações ao espírito também, todavia, indiretamente.

            Assim, temos que o corpo físico exerce limitação direta, enquanto que a matéria do meio exerce obstáculos de forma indireta, impondo limitação de velocidade de deslocamento, impossibilidade de atravessar corpos sólidos, alcance de visão, dentre outros.

            A nossa realidade espiritual e nossa própria estrutura como espíritos ainda são desconhecidas por nós. Em outras palavras, podemos dizer que não sabemos sequer o que somos e como nos apresentamos. Vivemos imersos em conflitos pessoais, comportamentos egoístas e orgulhosos, apenas nos dedicando à satisfação de necessidades duvidosas; despendemos muita energia para uma vida fictícia e pouca ou nada para a vida real, inerente à natureza espiritual. Aqueles que se dedicam a esta vida real são comumente considerados como estranhos, fora do normal, contudo, vivem uma realidade diferente, sob outros conceitos e valores e, por isso, os interesses comuns aos encarnados não são tão interessantes para eles.

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