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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2015

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

Em recente experiência na área mediúnica, donde se processava atendimento à trabalhadora da respectiva casa espírita, apresentando infelizes ideias suicidas, presenciava importante diálogo mediúnico envolvendo irmão ainda porfiado nas teias da crueldade.

O espírito, nas carreiras obsessivas, não sequer compreendia os desenrolares dos comprometimentos morais ao se pavimentar a estrada suicida nos comprometimentos morais alheios. Durante o intercâmbio mediúnico, o dialogador muito mais ouviu, permitindo que o espírito expusesse todas as características nefastas, no que, ao final, convidou o irmão em desalinho à renovação da existência: Inspirado pelo mentor do trabalho, afirmou ao espírito em processo de obsessão grave que lhe seria oferecida a moratória espiritual.

Aproveito a oportunidade para explorarmos tais conceitos.

Moratória espiritual é ferramenta das mais comuns diante da misericórdia divina. Aplica-se em irmãos profundamente endividados, contudo, sem o lastro moral para a rediviva. Permite a bondade divina, que a alma em profundo débito angarie, através das experiências do tempo e dedicação renovadora, os recursos evolutivos para suportar a passagem pelas inconsequências do passado, promovendo, assim, a rediviva plena aos espíritos cuja consciência soçobra nas culpas e débitos. Talvez tenha sido isso que o Cristo tenha expressado quando mencionou que não seriam dados fardos mais pesados à capacidade de nossos ombros.

As moratórias espirituais podem levar diversas reencarnações, onde os débitos mais graves são colocados como um pano de fundo, e as experiências do presente gravitam de forma a edificar-nos para as missões mais difíceis. Atua, da mesma forma, através do bálsamo do tempo, como oportunidade aos credores de arrefecimento das intenções vingadoras, conduzindo-os, da mesma forma, à diminuição dos comprometimentos.

Muitos de nós, ainda não conhecedores dos mecanismos da espiritualidade, em sintonia à misericórdia divina, não sentem-se confortáveis com tal saída para irmãos em plena condução da vida pelas raias da hediondez e do crime. Sinceramente, os próprios irmãos sob a terapêutica mediúnica não admitem para si que sejam alvo de tamanha bondade, espíritos doentes sofrem, comumente, graves crises de rejeição, por não considerarem-se filhos de Deus, colocados à margem Divina. Nada diferentes dos mecanismos de culpa aos quais se entregaram. Olvidam da passagem do Credor Incompassivo (Mateus 18: 21-35), a qual nos demonstra o maior exemplo de misericórdia do Evangelho.

Outra passagem bastante significativa é a do bom ladrão: muitos irmãos não compreendem que o pedido sincero renovador conduz às novas oportunidades redentoras. A acústica da alma celebrará, diante da tenaz vontade de lograr os êxitos virtuosos, a palavra de condução à seara divina, apesar das inconsequências recentes.

O espírito, irredutível e seguro nas aquisições obsessivas, ao ouvir que seria alvo de tamanho bem, preferiu retirar-se do diálogo, sem mais proferir ofensas ou ameaças. Não imaginava que, após os gravames de seus atos e bravatas proferidas em pleno diálogo mediúnico, ainda lhe seria oferecido tal concessão. 

A surpresa diante da misericórdia Divina é o primeiro traço de renovação. Intimamente, esses irmãos se creem em um caminho sem volta, condenados ao sofrimento eterno, ao inferno da alma. Ledo engano. O Mestre nos foi claro afirmando que nenhuma ovelha se perderá, colocando-se na posição do bom pastor.

 Aos que torcem o nariz para tal ação da espiritualidade na condução de irmãos profundamente endividados, aos que não aprovam as concessões renovadoras e cuja preferência seria voltada ao sofrimento destes filhos de Deus, recordemos o Cristo, o qual mencionava constantemente de que viera para os doentes, e não para os sãos. 

A crítica, a tais ações de moratória, não deveria compor almas cujo véu do passado se impõe, em especial tratando-se espíritos partícipes de mundo de provas e expiações.

As oportunidades, mesmo as oferecidas aos irmãos mais vis, deveriam ser celebradas como ação das mais nobres da espiritualidade, a se utilizar do tempo, ao recambiar espíritos, aos olhos humanos, perdidos. 

Da mesma forma, nos traz a ideia consoladora que tal vertente de misericórdia também poderá nos amparar nos erros que, por ventura, poderão incorrer nosso espírito, ainda débil moralmente. 

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