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Verdadeira civilização

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Um grande vulto da civilização, líder de uma grande nação, que libertou seu povo do domínio estrangeiro sem armas nem guerra, Mohandas K. Gandhi, mundialmente conhecido como Mahatma Gandhi, afirmou que: “A desobediência, para ser civil, exige disciplina, pensamento, cuidado, atenção”. E foi isso que vimos acontecer no dia 15 de março passado, em cerca de 20 capitais do País: foram manifestações bem organizadas, pacíficas, disciplinadas, com cidadãos de todas as classes e condições, famílias, jovens, idosos, crianças, todos exercendo seu direito democrático de forma civilizada, reivindicando melhores condições não para uma classe específica, mas para todo cidadão brasileiro, seja ele quem for e onde quer que esteja.

Diz ainda Gandhi que “a desobediência civil é o direito intrínseco de um cidadão; ele não pode renunciar a esse direito sem deixar de ser homem. Mas a desobediência civil nunca é acompanhada pela anarquia (...) E reprimir a desobediência civil é aprisionar a consciência”.

Quando Allan Kardec pergunta, na q.837 (1), sobre o resultado de colocar entraves à liberdade de consciência, os Espíritos lhe respondem que “constranger os homens a agir de maneira diversa ao seu modo de pensar é torná-los hipócritas. A Liberdade de consciência é uma das características da verdadeira civilização e do progresso”.

O Professor Deolindo Amorim, espírita consciente, fundador do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, afirmava com segurança doutrinária que: “Se a Doutrina é assim, se ela nos predispõe ao trabalho de ajuda moral e material, sem qualquer discriminação, está bem visto que também se interessa pelo mundo, pelo homem e pelas suas condições terrenas. (...) O Espiritismo é, para nós, uma filosofia de vida, não é simplesmente uma crença” (2). Ainda assevera que: “Embora se preocupe diretamente com a vida futura ou extraterrena, não deixa o Espiritismo, todavia, de cogitar do bem estar humano, discutindo os aspectos fundamentais da questão social (...) é objetivo, é muito objetivo, porque não é nas regiões etéreas nem pela prática de penitências, mas no mundo material, pelo aperfeiçoamento das próprias instituições sociais, que procura a solução da luta entre o capital e o trabalho” (3).

A Doutrina Espírita em momento algum discorda desses princípios. Em várias partes da Codificação encontramos respaldo para tais posicionamentos.

Ela é muito transparente quando define moral, na q.629 (1), como a regra para bem se conduzir, ou seja, tudo fazer em vista e para o bem de todos; quando, na q.806 (1), afirma que a desigualdade das condições sociais é obra do homem e não de Deus; quando, na q.711 (1) assegura que o uso dos bens da terra é um direito de todos os homens, sendo consequência da necessidade de viver; quando, na q.147 (1), adverte que uma sociedade fundada sobre o materialismo traria em si mesma os germes da dissolução, e os seus membros se despedaçariam entre si, como animais ferozes. E lamentavelmente temos visto isto acontecer...

Em Obras Póstumas, Kardec diz com muita sabedoria que: “A aspiração do homem por uma ordem de coisas melhor do que a atual é um indício certo da possibilidade de que chegará a ela. Cabe, pois, aos homens amantes do progresso ativar esse movimento pelo estudo e a prática dos meios julgados mais eficazes”. Ainda em Obras Póstumas, no estudo cujo título simbólico é Aristocracias (o poder dos melhores), depois de discorrer sobre a caminhada do poder na esfera humana, Kardec finaliza com a aristocracia intelecto-moral, aquela que, no futuro, assumirá a liderança pela autoridade moral aliada à sabedoria.

Haveria ainda muitos exemplos a serem citados, tanto na Codificação quanto em outras obras espíritas, sobre o escopo nitidamente social da Doutrina, em toda a sua abrangência.

Esse o objetivo desse artigo – despertar a nossa atenção para esse aspecto da Doutrina, pois o que comumente se vê no meio espírita é grande ênfase no aspecto espiritual e religioso; mas, quando se trata de assuntos sócio-políticos, quando se comenta sobre ações e iniciativas reivindicatórias de direitos adquiridos ao longo de muitos e muitos anos de “suor e lágrimas”, o que se verifica são o recolhimento e posicionamentos em geral omissos – entretanto, todos gostamos de vitórias justas, alcançadas ainda que sem a nossa participação... Fato é que todos necessitamos de trabalho, educação de qualidade, saúde, meios de transporte adequados e moradia digna, além de real bem estar e segurança para todos....

Os Espíritos, por conhecerem as necessidades da nossa vida no mundo físico, nos afirmaram, de modo muito claro, na q.573 (1) que “a missão dos Espíritos encarnados consiste em instruir os homens, ajudá-los a avançar, melhorar as suas instituições, por meios diretos e materiais”.

(Grifos da autora do texto).

  1. O Livro dos Espíritos – (2) O Espiritismo e os Problemas Humanos – (3) Análises Espíritas
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