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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2015

O homem tem o sentimento inato da divindade – é uma lei natural. Desde que o espírito chega ao estado hominal, mesmo ainda muito primitivo e selvagem, traz a intuição de algo superior a ele. Essa religiosidade inata deu origem a inúmeras formas de religião no decorrer do tempo – inicialmente, simples e ignorantes, assustavam-se com os fenômenos da natureza: os raios, os trovões, as grandes tempestades, os fortes ventos. Passaram, então, a adorar tais fenômenos, cujo feito atribuíam a seres extrafísicos, criando para eles nomes próprios, rituais específicos, como homenagem visando abrandar sua fúria. Também enquanto ainda eram primitivos, instintivamente já pressentiam a existência de seres transcendentes, que alguns visualizavam e descreviam de acordo com suas impressões.

Ernesto Bozzano, escritor e pesquisador dos fenômenos psíquicos, declara que a crença nos espíritos sempre existiu, sempre foi testemunhada e tem sido a base das religiões primitivas (livro Religião, de Carlos Imbassahy).

De um modo geral, a forma através da qual as verdades religiosas são transmitidas aos encarnados é a revelação: uma mensagem divina transmitida aos homens por intermédio de um homem (médium). Esses reveladores ficaram conhecidos no passado como profetas – a Bíblia está repleta deles: Isaías, Jeremias, Malaquias, Zacarias e outros.

Citamos alguns outros, da mais remota antiguidade, entre outras culturas:

    na Índia, Brama, com o bramanismo e seu conhecido Bhagavad-Gita, onde se recomenda limpeza de vida, intrepidez, austeridade, retidão, autodomínio, firmeza na sabedoria, inofensividade, ausência de cólera, placidez, compaixão para com todos os seres vivos, ausência de cobiça, brandura, modéstia, constância no bem.
  • ainda na Índia, Buda, Sidarta Sakia Muni Gautama, fundou o budismo; combatia as superstições e os sacrifícios e explicava a “roda das reencarnações” e os sofrimentos e misérias como fruto de nossas ambições egoísticas.
  • na Pérsia, Zoroastro e Zaratustra: a religião que fundaram, com o livro Zend Avesta, ensinava a conservar a palavra, a ação e o pensamento puros – o corpo e a alma deveriam ser conservados limpos; tinha leis morais de extraordinária elevação, relatam os historiadores e mitólogos.
  • na China, Lao-Tseu, Confúcio e Mencio: deus era a pedra angular de tudo que existe – seu livro maior foi o Tao-Te-King, o livro da razão suprema e da virtude.

Allan Kardec afirma em A Gênese, capítulo I:

    “Se Deus suscita reveladores para as verdades científicas, ele pode, com mais forte razão, suscitá-los para as verdades morais, que são um dos elementos essenciais do progresso”.
  • “Todas as religiões têm tido seus reveladores, e todos eles, embora longe do conhecimento total da verdade, tinham sua razão de ser providencial; porque eles foram apropriados ao tempo e ao meio em que viveram, ao gênio particular dos povos a que falavam e aos quais eram superiores. Apesar dos erros de suas doutrinas, não deixaram de agitar os espíritos, e, por isso mesmo, de semear os germens do progresso que mais tarde deviam alastrar-se, como se alastraram, um dia, ao sol do Cristianismo”.
  • “Cristo e Moisés foram os dois grandes reveladores que mudaram a face do mundo – Moisés revelou o Deus único; o Cristo, o amor incondicional como chave do progresso espiritual”.

Mais adiante, e em conformidade com o avanço de cada grupo de espíritos encarnados, essa religiosidade foi encontrando outras formas de se exteriorizar e expandir-se.

Em muitas ocasiões, os homens serviram-se mal da religião, deturpando-a e usando-a para a conquista de poder sobre as criaturas. Mas, conforme esclarece José Herculano Pires, em seu livro Agonia das Religiões, “não obstante, o sentimento religioso do homem não foi aniquilado (...). A concepção nova de Deus, que nasce dos escombros da concepção antropomórfica do passado, é a de uma inteligência cósmica, que preside a toda realidade possível (...) o homem se liberta dos seus temores, da ilusão de sua fragilidade existencial, do confinamento planetário, do embuste e da hipocrisia, para viver a vida como ela é, na plenitude das suas potencialidades corporais e espirituais. O homem se emancipa e toma consciência da sua natureza cósmica. Diante dele está o futuro sem limite, a imortalidade dinâmica e demonstrável, que se opõe ao conceito limitado da imortalidade estática e hipotética. Sua herança não é o pecado nem a morte, mas a vida em nova dimensão”.

E o Espiritismo, doutrina moral, filosófica e científica, com base nas leis naturais, ou seja, divinas, estabelece sua face religiosa no livro dos espíritos, na primeira parte, quando fala de Deus, e na terceira parte – as leis morais; e mais ainda n’O Evangelho Segundo o Espiritismo, que retrata o que Kardec chamou de a quinta parte dos evangelhos reconhecidos, a parte moral dos ensinamentos do Cristo – aquilo que é verdadeiramente essencial para o nosso crescimento espiritual.

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