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Qual a maior virtude?

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Muitos de nós, imbuídos dos propósitos edificantes tão enfatizados pelo espiritismo, gostaríamos de ajudar as pessoas, atendendo suas necessidades básicas, e, de vez por todas, colocá-las no patamar superior, onde não teriam mais as dificuldades que nos cortam à alma ao vê-las sofrer.

No entanto, sabemos também, estudando essa doutrina iluminada, que todos nós, sem exceção, somos amparados pela Misericórdia Divina. Nem mesmo aqueles que se comprometeram seriamente com a Justiça Divina ficam esquecidos. No mundo espiritual há seres bondosos cuja missão é socorrer as almas infelizes, amparando-as e encaminhando-as à Verdade. “Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos que não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhe ouve os ponderados conselhos”. (1)

É necessário desenvolvermos a generosidade em nossas atitudes combatendo o egocentrismo, a fim de nos tornarmos altruístas começando nas pequenas coisas que podemos fazer pelo próximo, sem pensamento oculto, sem interesse em levarmos vantagens, isento da ideia de colhermos qualquer benefício.

O homem do século XXI, o século da grande transição da humanidade, que evolui de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração, precisa controlar seus desejos e necessidades. Moderar seu interesse nos bens materiais, enaltecendo os valores sutis da alma a fim de se tornar melhor, mais feliz e constituir-se, dessa forma, o modelo das próximas gerações.

Para essa realização, basta querer e traçar um roteiro. Com o forte desejo de servir a humanidade, entraremos em conexão com os altos valores espirituais participando da transformação da Terra.

Jesus enalteceu o óbolo da viúva pobre, que fez o donativo, depositando no gazofilácio, duas pequenas moedas da antiga Grécia, que representavam, cada uma, dez centavos da nossa moeda. O valor era ínfimo, mas era tudo o que ela possuía.

E Jesus disse: “Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento”. (2)

“O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva”. (3)

Além da caridade de ordem material, necessária, mas nem sempre a mais importante, existe a caridade moral, que independe do dinheiro: entretanto, é a mais difícil de ser praticada.

Quantos seres transitam em nosso caminho, necessitados de um ouvido que os ouça com paciência e humildade, na solidão do mundo repleto de pessoas indiferentes às suas dores. Como podemos ajudá-los!

Seremos verdadeiramente caridosos ao conseguirmos domar nossas más inclinações, renunciando aos nossos defeitos , freando nossa língua, não passando notícias, mesmo que verdadeiras, mas que podem conspurcar a honra do nosso próximo, seja ele quem seja.

Seremos verdadeiramente caridosos quando tivermos atitude em defesa do fraco, contra a prepotência do forte, mesmo sabendo, de antemão, que essa postura nos prejudicará o interesse pessoal.

Muitos não se interessam pelo próximo. Olham e não os enxergam. Esbarram-se e não se sentem próximos. São indiferentes a tudo o que lhes acontece.

Devemos fazer o bem pelo bem, desinteressadamente. Olhar para as pessoas com os olhos cheios de amor, a fim de que o bem cresça em nós. Auscultar a dor do próximo; entender a sua necessidade para ajudá-lo, evitando o seu constrangimento em nos pedir, porque muitos sofrem de inibição, introspecção, ou mesmo, do orgulho, o pai de todos os vícios.

As Entidades Sublimadas responderam ao Codificador que “não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nunca encontra oportunidade de o praticar” (4) e, “que não bastará que o homem não pratique o mal. Cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem”. (5)

Mas, vale a retidão da nossa intenção, como afirmaram os Espíritos Superiores, em diversas respostas que deram a Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos. (6)

A maior de todas as virtudes, “a sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade”. (7)

Muita paz!

 

Notas bibliográficas:

1 – O Livro dos Espíritos – Q. 495.

2 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Lucas, 21, 3 e 4.

3 – O Livro dos Espíritos – Q. 646.

4 – Idem – Q. 643.

5 – Idem – Q. 642.

6 – Idem – Questões: 655, 658, 872, 954... etc.

7 – Idem – Questão 893.

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