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Vigiar sempre

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Jesus, em sua despedida no Getsêmani, deixou-nos um ensinamento de tamanha importância que não poderia ficar impreciso na história da humanidade; teria que ser fixado e ensinado em todos os tempos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”. (1)

Vigiai e orai, porém, nessa ordem, vigiar, em primeiro lugar. Orar é importante para entrarmos em comunhão com os valores espirituais da existência recebendo os fluidos nutrientes de amor e luz, entretanto a vigilância é fundamental para o nosso equilíbrio.

Somos constantemente influenciados em nossa vida de relação. Paulo de Tarso, o apóstolo dos gentios, como ficou conhecido por sua missão junto aos povos pagãos, afirmou em carta ao povo hebreu: “temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas”. (2)

Com o surgimento do Espiritismo, entendemos o que o iluminado Paulo quis dizer.

Allan Kardec, o insigne discípulo de Jesus, em 1861, legou-nos o maior tratado psiquiátrico de todos os tempos, O Livro dos Médiuns, extraído da parte segunda de O Livro dos Espíritos. Nesse precioso livro, que é o manual mais seguro no intercâmbio entre o mundo material e o mundo espiritual, encontramos as orientações necessárias para nos tornarmos mais fortes e equilibrados, atenuando os males de nossa existência. “Quanto mais elevado moralmente é o homem, tanto mais atrai a si os bons Espíritos que, necessariamente, afastam os maus”. (3)

Atrair os Espíritos é uma condição natural, já que vivemos cercados por uma nuvem de testemunhas, que são os Espíritos, conectados a nós pela lei da atração – semelhante atrai semelhante. O nosso pensamento, o nosso sentimento e as nossas ações determinam a nossa realidade.

Vivemos num mundo de ondas, vibrações e energias, basta um pensamento ou uma palavra ofensiva, pronunciada impensadamente, para desencadear vibrações que se estenderão atingindo, com sua ressonância, outros que se encontram em sintonia com esses padrões de nível mental, gerando a discórdia e a turbulência.

É um fenômeno semelhante à propagação de ondas que se verifica quando atiramos uma pedra no lago: as ondas que surgem no ponto onde a pedra caiu propagam-se e chegam até à margem. Podemos dizer que o mundo é um grande “lago mental”. As ondas mentais de uma pessoa não ficam restritas a uma pequena área em torno dela; elas se propagam sem parar, estendendo sua influência à mente dos outros, ao trabalho e ao ambiente geral, alterando de forma invisível, enquanto durar sua energia.

Ninguém está imune a tais ocorrências que desarticulam o nosso psiquismo e todo o nosso cosmo orgânico. O Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no excelente livro Nas Fronteiras da Loucura, esclarece: “A linha do equilíbrio psíquico é muito tênue e delicada”. (4)

O instrutor André Luiz, no livro Obreiros da Vida Eterna assevera: “No estado atual da evolução humana, é muito difícil alimentar, por mais de cinco minutos, conversação digna e cristalina”. Por isso devemos evitar as discussões em família, no ambiente de trabalho, nas ruas, no trânsito, nos encontros com os amigos e nas reuniões sociais. A vigilância deve ser constante. Todo cuidado é pouco.

Diz o sábio e bondoso Espírito Emmanuel, no livro Pensamento e Vida que “toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição que agasalhamos é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento.

Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as glândulas salivares paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em espasmo, nega-se à produção de ácido clorídrico, provocando perturbações digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os desajustamentos gastrointestinais repetidos acabam arruinando os processos da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de abordagem complexa”. (5)

Dr. Bezerra de Menezes escreveu, como médico alopata e homeopata, o fabuloso livro A Loucura Sob Novo Prisma. Conta ele que um filho seu, que cursava a faculdade de Medicina, foi subitamente tomado de alienação mental. Depois de utilizar todos os seus recursos e a ajuda de seus amigos, médicos notáveis, viu que o filho teria que ser levado para o hospício. Buscou a intervenção espiritual e o Espírito que veio atender-lhe o socorro, deu o diagnóstico: obsessão; acrescentando: “além do tratamento terapêutico, que deve ser dirigido sobre o baço, que no homem, como o útero na mulher, é a porta às obsessões. Sempre ligadas a uma lesão orgânica, é indispensável evocar o obsessor e alcançar dele que desista da obsessão”. (6)

Isso explica porque após um surto de obsessão, o médium que lhe sofreu o efeito, sente a boca ressecada, dores abdominais e a sensação no dia seguinte, de uma ressaca, como se tivesse feito a ingestão excessiva de bebida alcoólica.

Porém, quando adoecemos, “não basta que um doente diga ao seu médico: dê-me saúde, quero passar bem. O médico nada pode se o doente não faz o que é preciso”. (7 )

É imprescindível vigiar sempre nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações, praticar a humildade, reconhecendo nossa pequenez diante do Universo e treinar a paciência, compreendendo e amando as coisas e as pessoas, olhar para todos com os olhos cheios de amor, a fim de que o bem cresça em nós, porque seremos, invariavelmente, traídos pelos defeitos que possuímos, que funcionam como antenas poderosas a captar as energias, numa perfeita sintonia de atração às energias semelhantes. “Os espíritos ficam à espreita de um momento propício, como o gato que tocaia o rato”. (8)

Muita paz!

Notas bibliográficas:

1– A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Mateus, 26, 41.

2– Idem, ibidem, Hebreus, 12,1.

3– O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – capítulo V, parágrafo 5º.

4 – Nas Fronteiras da Loucura – Manoel P. De Miranda – Divaldo P. Franco – página 13 – 1ª edição.

5 – Pensamento e Vida – Emmanuel – Francisco Cândido Xavier – capítulo 28 – Enfermidade.

6 – A Loucura Sob Novo Prisma – Adolfo Bezerra de Menezes – 4ª edição – página 173

7 – O Livro dos Médiuns – Allan Kardec – capítulo 23, questão 254.

8 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Questão 468.

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