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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2015

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

            N’O Livro dos Espíritos, uma simples pergunta e uma resposta, igualmente simples, podem encobrir uma complexidade muito grande, assim, a aparente simplicidade seria decorrente apenas das limitações de compreensão de espíritos encarnados num mundo de expiação e provas, necessitando de muito cuidado e atenção para melhor avaliação e, com isso, entendimento mais adequado, ainda que precário.

            Um bom exemplo da necessidade de avaliação cuidadosa é a questão do mundo dos espíritos e o dos encarnados. Historicamente se considera que a alma dos mortos iria para regiões bem definidas, dependendo de seu comportamento durante a vida, tais como o céu, o inferno e o purgatório. Contudo, também se considerava a possibilidade de almas vagarem pela crosta, porém isto nunca foi um ponto bem esclarecido, surgindo expressões como “alma penada”. Todavia, os vivos, que perambulam sobre a crosta, não são comumente vistos como almas, são noções distorcidas que não se pensa muito a respeito.

            Diante de muitos conceitos apresentados pela Doutrina Espírita, trazemos algumas ideias preconizadas e que constituem peças arquetípicas em nossa mente, mas que precisam ser lapidadas.

            A pergunta de número 84 d’O Livro dos Espíritos traz algum esclarecimento que necessita de uma leitura atenta:

84. Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?

“Sim, o mundo dos Espíritos, ou das inteligências incorpóreas”.

            Inicialmente, pode-se considerar que “mundo dos espíritos” se refere ao local onde os espíritos, os “mortos", habitam, diferente daqueles que “nós”, os “vivos", habitamos. Contudo, nós também somos espíritos, portanto, este mundo que conhecemos, mais especificamente o planeta Terra, também deveria ser denominado de “mundo dos espíritos”.

            Desta forma, como interpretar a pergunta e a resposta? O que querem dizer com “mundo dos espíritos”? Talvez, apenas talvez, possamos encontrar uma pista na sequência da resposta, que diz: inteligências incorpóreas.

            Interpretando “mundo” como uma condição e não uma região no espaço, tal como o "mundo das artes” ou “mundo das ideias”, podemos, então, compreender a distinção entre “mundo dos espíritos” e “mundo material”. Cada qual se relaciona com uma condição diferente e, por isso, até certo ponto, incompatíveis, tal como “Não se pode servir a Deus e a Mamom”.

            Esta incompatibilidade seria a causadora da atual característica de expiação do planeta Terra. Estas condições incompatíveis foram trabalhadas por Léon Denis, em seu livro O Problema do Ser e do Destino, no capítulo XXI, em que diz:

            "Abaixo da superfície do eu, superfície agitada pelos desejos, pelas esperanças e pelos temores, fica o santuário onde reina a Consciência Integral, calma, pacífica, serena, o princípio da Sabedoria e da Razão, das quais a maioria dos homens só toma conhecimento através de surdas impulsões ou vagos reflexos entrevistos.

            “Todo o segredo da felicidade, da perfeição está na identificação, na fusão em nós desses dois planos ou focos psíquicos. A causa de todos os nossos males, de todas as nossas misérias morais está na sua oposição”.

            Utilizando, então, a terminologia de Léon Denis, pode-se dizer que o mundo dos espíritos é a região da Consciência Integral e que, por uma degeneração do processo evolutivo, gerou-se, na estrutura psíquica, a superfície do eu, conturbada por diversos interesses que não estão relacionados com a primeira.

            Importa ressaltar que a "degeneração do processo evolutivo” não significa degeneração do espírito, mas apenas um desvio na caminhada rumo à perfeição. Nesse desvio, o espírito se preocuparia com questões outras, não condizentes com sua essência espiritual e seus interesses relacionados com a evolução. A dicotomia criada entre o dever e o querer seria o motivo pelo qual o estado de expiação se estabelece.

            Como espíritos, estamos sujeitos às Leis de Deus e essas leis são expressas pela Providência. Desta forma, a relação entre padrão mental e consequências deve ser um processo automático ativando “gatilhos" na Providência. Com isso, o estado mental relacionado com a dicotomia ativa “gatilhos" relacionados com processos expiatórios.

            Neste contexto, os eventos de prova seriam decorrentes do entendimento do espírito em vivenciar uma situação qualquer para a estruturação mental adequada, isto é, fortalecimento de suas decisões em determinada direção visando demolir ilusões sobre pontos específicos.

            Podemos, então, entender “mundo dos espíritos” como sendo: a) a condição do espírito na erraticidade, sem se relacionar com regiões do espaço podendo, inclusive, dividir o mesmo espaço com os encarnados e; b) o mundo que deve ser o foco de todos os espíritos, encarnados ou não, sua essência e, por isso, objeto principal de seus interesses pessoais norteando todos os seus atos, no plano físico ou na erraticidade, se liberando da dicotomia e servindo a Deus em todos os momentos.

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