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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2015

Fenômenos tão corriqueiros para os magnetizadores clássicos passam facilmente despercebidos por nós espíritas da atualidade, ou são bastante incompreendidos. A dupla vista se encontra incluída no rol destes fatos pouco conhecidos, apesar das referências de Allan Kardec em obras como O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, A Gênese e também na Revista Espírita.

Muitos a confundem com a mediunidade de vidência, a qual necessita sempre da participação de um Espírito desencarnado. A dupla vista ou segunda vista é uma faculdade anímica, ou seja, opera sem a interferência dos Espíritos. É também uma faculdade de emancipação da alma. Isto significa que o Espírito encarnado, em determinadas situações, podendo desligar-se parcialmente do corpo, expressa algumas faculdades que permanecem em estado latente enquanto se mantém sob a influência da matéria. Conforme O Livro dos Espíritos, a dupla vista é o "resultado da libertação do Espírito, sem que o corpo seja adormecido". Desta forma, a propriedade de irradiação do fluido perispirítico responde pela causa desta capacidade psíquica.

Como Espíritos que somos, guardamos imensos potenciais em nosso íntimo. Apesar de momentaneamente revestidos por um corpo biológico, possuímos capacidades que se encontram por enquanto impossibilitadas de manifestar-se devido à densidade da matéria física. Esta impede que expressemos integralmente as faculdades já desenvolvidas da alma que, entretanto, em determinadas situações, conseguem romper a barreira imposta pelo corpo. O perispírito não se encontra preso dentro do corpo como se estivesse em uma caixa. Pelas suas propriedades de expansão e flexibilidade, ele consegue irradiar ao redor permitindo a ocorrência de diversos fenômenos, como é o caso da dupla vista.

Para Allan Kardec, a dupla vista é a "faculdade graças à qual quem a possui vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos humanos. Percebe o que existe até onde estende a alma a sua ação. Vê, por assim dizer, através da vista ordinária e como por uma espécie de miragem." (grifos originais) (O Livro dos Espíritos). Uma ocorrência relativamente comum é enxergar os órgãos internos de um doente, localizando e descrevendo aqueles que se encontram precisando de tratamento. A visão à distância, a leitura do pensamento, os pressentimentos, a capacidade de enxergar através dos objetos opacos, são outras características da dupla vista. Pode ainda se manifestar em estado rudimentar. É o caso daquelas pessoas que "(...) apreciam as coisas com mais precisão do que outras", que possuem perspicácia, como escreveu o Codificador em O Livro dos Espíritos.

Como se vê, para que a dupla vista aconteça não é necessário um estado de transe como ocorre no sonambulismo. Ela pode se dar no estado de vigília. Porém, há algo de diferente no sujet. Diríamos que ele não se encontra em sua consciência plena. Escreveu Kardec: "O olhar apresenta alguma coisa de vago. Ele olha sem ver. Toda a sua fisionomia reflete uma como exaltação. Nota-se que os órgãos visuais se conservam alheios ao fenômeno, pelo fato de a visão persistir, malgrado à oclusão dos olhos". (O Livro dos Espíritos).

Magnetizadores como o marquês de Puységur, François Deleuze, La Fontaine, Barão du Potet, Aubin Gauthier, dentre tantos outros, lidavam cotidianamente com as faculdades psíquicas dos seus doentes, utilizando-as, muitas vezes, como recursos de diagnóstico e orientação nos tratamentos magnéticos. Com o surgimento do Espiritismo muitos pesquisadores se debruçaram sobre elas estabelecendo definições e classificações, esquadrinhando com maior precisão as suas diversas nuanças. Bozzano, Geley, Aksakof, Dellane, Denis, infelizmente são quase esquecidos. As próprias lições de Kardec são esquecidas nesse aspecto. E continuamos encontrando pessoas que chegam aos centros espíritas carregando consigo certas angústias por se acharem anormais ou doentes, por sentirem certas coisas que outros não sentem, muitas vezes portadores de dupla vista ou outra faculdade psíquica anímica e que são conduzidos à reunião mediúnica para desenvolver a mediunidade que não possuem ou para passarem por um tratamento desobsessivo quando não há obsessão. Estudemos, é o que devemos fazer.

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