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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2015

O sonambulismo é um dos fenômenos classificados como de emancipação da alma. O estado de transe possibilita o desprendimento do Espírito, que passa a agir e pensar com mais liberdade e menos influenciado pelo corpo físico. Já a mediunidade é caracterizada pela intervenção de um Espírito desencarnado que utiliza o organismo do médium para se comunicar com o plano material. “(...) o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, enquanto que o médium exprime o de outrem.” Foi o que escreveu Allan Kardec n’O Livro dos Médiuns.

Entretanto, assim como um Espírito pode transmitir suas ideias através de um médium, também pode fazê-lo valendo-se de um sonâmbulo. Estando este em estado de emancipação, pode facilmente ver e ouvir os Espíritos, captar os seus pensamentos e retransmiti-los.

Kardec cita um exemplo na mesma obra:

Um dos nossos amigos usava como sonâmbulo um rapazinho de 14 para 15 anos, de inteligência bastante curta e de instrução extremamente limitada. Em estado sonambúlico, porém, dava provas de extraordinária lucidez e grande perspicácia. Isso principalmente no tratamento de doenças, tendo feito numerosas curas consideradas impossíveis.

Certo dia, atendendo a um doente, descreveu a sua moléstia com absoluta exatidão. – “Isso não basta – lhe disseram –, agora é necessário indicar o remédio.” – “Não posso – respondeu ele, – meu anjo doutor não está aqui”. “– A quem chama você de anjo doutor?” “– Aquele que dita os remédios.” “– Então, não é você mesmo que vê os remédios?” “– Oh, não, pois não estou dizendo que é o meu anjo doutor quem os indica?”

Como vemos, a mediunidade sonambúlica consiste na junção de dois fenômenos distintos: o sonambulismo, que é um fenômeno anímico, e a mediunidade, que consiste na intermediação entre os planos material e espiritual.

Difere da mediunidade psicofônica, pois que nesta é o Espírito que transmite a mensagem usando os implementos vocais do médium. Ele fala em primeira pessoa. Na mediunidade sonambúlica, é o sonâmbulo quem se expressa comunicando aquilo que o Espírito lhe diz. Fala, portanto, em terceira pessoa.

No caso acima citado, o jovem sonâmbulo contava com a assistência de um Espírito que complementava os seus conhecimentos. O rapaz enxergava a doença detalhando-a com precisão. Como disseram os Espíritos da Codificação, é a alma que vê além dos limites impostos pela matéria. Esta é a parte anímica. Já a transmissão das informações cuja autoria pertencia ao desencarnado, eis em que consiste a faculdade mediúnica.

Os magnetizadores clássicos conviviam muito naturalmente com o sonambulismo. Empregavam-no como meio de diagnosticar a enfermidade e de orientação quanto à forma apropriada para o tratamento daqueles que os procuravam. Nem sempre o sonâmbulo manifestava o pensamento de algum desencarnado. Às vezes demonstrava conhecimentos que estavam além da sua inteligência atual, sem que fossem captados de algum Espírito. O Espiritismo trouxe a explicação para esse fenômeno, mostrando que os sonâmbulos podem buscá-los numa outra vida em que tiveram a oportunidade de desenvolvê-los.

Podemos deduzir que a mediunidade pode existir sem a presença do sonambulismo, assim como há o fenômeno sonambúlico sem a participação dos Espíritos. Há, ainda, a mesclagem dos dois fenômenos no que se chama de mediunidade sonambúlica.

Muitos magnetizadores no passado, antes do surgimento do Espiritismo, já vislumbravam a possibilidade de comunicação entre os dois mundos. Os diálogos com os seus sonâmbulos forneciam inúmeras dicas de que ali existia algo mais que um ser encarnado falando. Ao citar o seu anjo doutor, o sonâmbulo revelou a existência de seres fora da matéria e que podiam interagir com os homens através daquela faculdade especial, o sonambulismo, que lhe proporcionava a independência e a liberdade espiritual e que lhe possibilitava o contato consigo mesmo, com o Ser em essência, o Espírito.

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