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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2015

Relação com os fenômenos anímicos

Os manuais classificatórios de doenças existem com a finalidade de orientar os profissionais da saúde quanto ao correto diagnóstico, a fim de que o tratamento seja o mais preciso possível. Com o tempo foram se aperfeiçoando baseados nos novos conhecimentos e pesquisas. No que se refere às doenças mentais, os limites às vezes são difusos, o que cria dificuldades, já que determinados sintomas se repetem em doenças diversas.

Da mesma forma, definir onde termina a saúde e começa a doença traz complicações originadas pela tenuidade da linha que as separa. Certos sintomas presentes nas doenças mentais fazem parte do cotidiano de muita gente, mas não se considera doença visto que aqueles não incomodam, não causam angústias, nem limitações ao indivíduo conturbando a sua vida pessoal, social ou profissional.

Tomando para análise os fenômenos anímicos, as dúvidas se exacerbam. Entendamos estes fenômenos dentro da ótica espírita, nos quais o indivíduo encarnado promove uma separação parcial entre o Espírito e o corpo proporcionando experiências incomuns para os nossos hábitos cotidianos. A relativa independência adquirida pelo Espírito nesse estado promove sensações e percepções diferenciadas que são muitas vezes confundidas com sintomas de doenças psíquicas.

Certos estados convulsivos, por exemplo, podem ocorrer sem qualquer indício patológico que seja detectado pelos exames convencionais. Excluídos aqueles que são determinados por achados neurológicos, muitos são resultados de um estado de emancipação da alma – terminologia de Allan Kardec para os fenômenos onde ocorre o desprendimento do Espírito. A convulsão representa, nesses casos, o esforço do Espírito em se desligar do corpo gerando reações desse tipo.

Verifica-se isso nas experimentações com sonambulismo magnético. Vê-se que, muitas vezes, ao iniciar-se um transe, o sujet manifesta algumas convulsões. À medida que o transe se aprofunda, as resistências materiais são superadas, o Espírito se desprende mais facilmente e a convulsão se interrompe.

Outro exemplo é quanto aos estados de "ausência". Certas pessoas relatam que em determinados momentos se sentem ausentes. Participam de uma sensação de pensar vago, de alheamento da realidade. Algumas sentem-se como se estivessem distantes e outras executam algumas tarefas diárias de forma automática, como se não participassem conscientemente do processo. São sinais de desprendimento do Espírito. Uma nossa conhecida, casada, com mais de trinta anos de idade, passava frequentemente por essa situação desde os dez anos. Foi aconselhada a procurar um psiquiatra, coisa que ela, por conta própria, não o fez.

Realizando certa vez um seminário sobre sonambulismo magnético, um jovem procurou-nos ao término para relatar o seu drama. Há muitos anos tomava medicamentos psiquiátricos, pois ele via coisas que os outros não viam, sentia-se fora do corpo, penetrava realidades outras. Vivia angustiado e enfrentava o estigma de "louco" por ser diferente das outras pessoas. Ele era, porém, portador de uma faculdade chamada dupla vista.

Não estamos querendo desconsiderar as possibilidades patológicas existentes. É necessário a compreensão desses fenômenos tanto quanto das patologias, a fim de separar convenientemente o que seja doença e o que seja fenômeno psíquico natural, mesmo que precisando de controle e ajuste. Uma jovem relatou-nos que se achava portadora de dupla vista. Conseguia ouvir os pensamentos das pessoas, segundo ela. Seus amigos pensavam constantemente coisas ruins a seu respeito e ela captava há vários metros de distância. Buscando entender melhor a situação, fomos lhe fazendo perguntas e esclarecendo os detalhes. Sendo verdadeira a sua suposta capacidade psíquica, a melhor denominação para ela seria telepatia e não dupla vista. Entretanto, ela não tinha nem uma coisa nem a outra. O caso era de alucinação auditiva mesmo.

Os centros espíritas estão repletos de situações semelhantes, de pessoas portadoras das mais diversas capacidades psíquicas: mediúnicas ou anímicas. Outras desenvolveram algum tipo de transtorno mental. Um olhar atento aliado ao estudo nos capacita a fazer as diferenciações. Allan Kardec escreveu extenso capítulo em O Livro dos Espíritos analisando os fenômenos de emancipação da alma (capítulo VIII da segunda parte), os quais diferem da mediunidade. Nestes há a participação de Espíritos desencarnados, enquanto nos primeiros o Espírito do encarnado opera por si só num estado de relativa liberdade fora do corpo.

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