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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2015

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

“Faça como Jesus fazia; apenas imponha as mãos”. - E assim, ao que parece, se estabeleceu que o passe espírita deveria ser apenas e tão-somente imposição de mãos.

           

            Durante muito tempo fiquei pensando: “será que eu li a Bíblia errada ou as pessoas não a leram?”. Pois mesmo considerando diferentes versões de O Novo Testamento, sempre encontrei Jesus usando as mais variadas formas de cura. Eis algumas:

            Mateus, XIV, 36: e rogaram-lhe que apenas os deixasse tocar a orla do seu manto; e todos os que a tocaram ficaram curados.

            Lucas, VI, 19: E toda a multidão procurava tocar-lhe; porque saía dele poder que curava a todos.

            Marcos, VII, 33: Jesus, pois, tirou-o de entre a multidão, à parte, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua;

            Marcos, VIII, 23: Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?

            Fácil perceber que Ele não se limitou às imposições de mãos. Além dessas evidências, ainda resta uma questão fundamental: o que, de fato, significava “impor as mãos” ao tempo de Jesus? Seria algo sem movimentos? Seria/ocorreria apenas no alto da cabeça? E ainda resta saber se as traduções/adaptações estavam corretas e, nesse caso, de acordo com quais tradições?

            Acredito que qualquer pessoa que faça uma leitura mais atenta, facilmente perceberá que alguém insistir que Jesus apenas impunha as mãos, no sentido que hoje se quer doar a tal procedimento, é no mínimo estranho e descabido. E se o gesto em si padece de confirmações, querer que se obtenha as mesmas curas que Ele realizava, apenas imitando-lhe os gestos, seria uma pretensão bastante elevada para os nossos padrões.

            Um dia, um amigo rebateu quem lhe propôs que ele apenas usasse de imposições na cabeça, ‘como Jesus fazia’, com um argumento semelhante: “Se você acha que imitar Jesus resolve, por que você não ensina como fazer desobsessão?”. Seu interlocutor ficou sem entender, ao que ele acrescentou: ‘Ora, se para fazer curas basta impor as mãos, por que você não ensina que é suficiente se dizer ‘arreda-te daqui, satanás’ e logo a pessoa ficará desobsidiada?’. E assim ele desmantelou aquele argumento, falso argumento.

            Mas o que significa toda essa argumentação? Significa que devemos ter um pouquinho mais de senso crítico quando ouvirmos alguma explicação que use o nome de Jesus para fazer impor algo que não condiz com Ele. Duvidar e procurar respostas não é atitude equivocada nem antiespírita, até porque nossa Doutrina surgiu como uma filosofia com aspectos científicos e resultados morais, portanto indagações, discordâncias, dúvidas e busca de sentido ao que se ouve, se diz e se faz é da própria essência espírita.

            E o que importa nas imposições de mãos? Importa se tratar de uma preciosa técnica do Magnetismo, através da qual se pode realizar muitas formas de tratamentos e até curas, todavia, longe estão as imposições de serem uma panaceia ou técnica única e exclusiva.

            E, tecnicamente, o que é uma imposição de mão? Trata-se de um concentrado fluídico (de energia), o qual, a depender da distância de sua aplicação, pode ser ativante, calmante ou meio termo disso.

            O uso das imposições é por demais benéfico e eficiente, especialmente quando se pretende tratar tumores, cicatrizações ou infundir energia – ressalvado casos de fadiga fluídica, depressão e correlatos. Mas é bastante confirmado na prática que a eficiência das imposições cresce à medida em que são intercaladas por dispersivos. Dessa forma, sempre que se precisa fazer grandes imposições – ou outros tipos de concentrados fluídicos – os dispersivos, utilizados intercaladamente, são empregados de forma muito feliz e repercussiva.

            Enfim, Jesus não se limitava a fazer imposições partindo, em certos casos, para o uso de outras técnicas. Senão, por que seria que alguns pacientes/atendidos foram retirados para outro ambiente? Por que usou de saliva, toque, ampliou o procedimento (como ocorreu no cego que, além de ser tocado, cuspido e receber imposições, ainda teve que mergulhar na piscina para voltar a ver)?

            Não há jeito: ou estudamos o Magnetismo ou não iremos fazer o que Allan Kardec sugeriu nem repetir o que Jesus nos recomendou dizendo que poderíamos fazer... Desde que o quiséssemos. De fato, resta pouco, portanto; só nos falta o “querer fazer”, mas querer pede vontade e esta nos indica os caminhos da sabedoria. E quanta reflexão, quanto estudo, quantos exercícios e treinamentos precisaremos!

            Vamos querer?

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