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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2016

            Allan Kardec escreveu interessante capítulo n'O Livro dos Espíritos a respeito dos fenômenos de emancipação da alma, os quais representam momentos de independência do Espírito ainda encarnado. O estado de emancipação da alma mais comum é o do sono. Já os sonhos são uma consequência do ato de dormir e que ocorre dentro de certas condições. Quando se dorme o Espírito desprende-se parcialmente do corpo e aproveita para buscar aquilo que constitui a sua fonte de prazer, seja no bem, na frivolidade ou na maldade. Reduzidas as atividades corporais, as ligações entre o Espírito e o corpo relaxam-se e o primeiro pode gozar de uma relativa liberdade, tanto maior quanto mais condições o corpo ofereça para esse desprendimento e a depender de certas disposições do Espírito.

            Estando adormecido o corpo, o gasto de energia se torna bastante reduzido, só o suficiente para a manutenção das funções basais. Desse modo, as energias absorvidas durante o sono tendem a reabastecer o organismo físico para a continuação da vida na matéria e o exercício das suas atividades. Há também no sono uma finalidade espiritual, é o momento em que o Espírito pode reaver forças junto aos amigos e orientadores espirituais, fora da prisão corporal, assim como um preso terreno tem a possibilidade de sair da cela e encontrar-se com os entes queridos, vez ou outra, suavizando assim a sua pena. "É a volta temporária do exilado à sua verdadeira pátria. É o prisioneiro restituído por momentos à liberdade", como escreveu Kardec*.

            Durante o sono, a alma pode entrar em contato com outros Espíritos encarnados ou desencarnados. Pode retemperar-se das lutas diárias através do contato com o Mundo Espiritual e adquirir novas forças para a continuidade da sua tarefa aqui na Terra. Pode também receber orientações para uma melhor condução da sua existência física. Muitas vezes procura ou é procurado por parentes e amigos que já desencarnaram, o que o faz sentir-se mais consolado e alivia a saudade.   Planos reencarnatórios podem ser elaborados, além de programas de tarefas ou missões presentes ou futuras com a colaboração de outros Espíritos.

Encontros com obsessores também são passíveis de ocorrer, alimentando a perseguição fora do corpo, bem como reuniões macabras com o intuito de formular e acompanhar planos de maldades individuais ou coletivas.

            De acordo com os pendores, cada um procura o ambiente com o qual se afiniza. Alguns procuram por antigos amores ou ódios de encarnações passadas, elementos com os quais conviveram e criaram laços que se estendem no tempo. Outros frequentam festas e reuniões mundanas misturando-se aos encarnados em estado de vigília e aos desencarnados que se satisfazem nesses ambientes. Assim, cada um se alimenta, nos instantes de emancipação através do sono, das energias com as quais se sintoniza. A elevação ou a decadência é algo que vive dentro de cada um, devendo esforçarmos-nos para nos liberar daquilo que represente atraso e desenvolvendo o Espírito no sentido do bem em nós.

            Os sonhos representam as mais das vezes fragmentos daquilo que foi vivenciado durante o desprendimento. O pouco desenvolvimento das faculdades da alma torna-os geralmente incompletos e confusos. Às vezes se mostram simbólicos e podem misturar-se com imagens relacionadas às preocupações do dia a dia. Raramente lembramos completamente do que sonhamos. Quanto mais profundo o sono, mais difícil será recordar-se, ao acordar, do que ocorreu, já que as vivências fora do corpo mais impressionam o sistema nervoso quanto menos desenvolvido for o estado de emancipação.

            A oração antes de dormir representa um maravilhoso recurso, quando através dela podemos evocar os Espíritos mais esclarecidos que nós, a fim de que estejamos com eles durante os instantes em que o corpo repousa para aprendermos com eles nos tornando mais aptos a viver com equilíbrio a cada dia.

            Eleve, pois, aquele que se ache compenetrado desta verdade, o seu pensamento a Deus, quando sinta aproximar-se o sono, e peça o conselho dos bons Espíritos e de todos cuja memória lhe seja cara, a fim de que venham juntar-se-lhe, nos curtos instantes de liberdade que lhe são concedidos, e, ao despertar, sentir-se-á mais forte contra o mal, mais corajoso diante da adversidade**.

 

Fonte bibliográfica:

* O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, Coletânea de Preces Espíritas.

** Idem.

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