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Pedro Valiati

Pedro Valiati

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DESENCARNE
Cada religião determina, através de seus dogmas, diferentes conceitos e consequências do fenômeno pós-morte. Católicos, por exemplo, desenvolvem a ideia do céu, inferno ou purgatório. Os adeptos da doutrina protestante creem no “sono” do pós-morte, despertando apenas no juízo final, onde seriam separados o “joio e o trigo”.
Devemos mencionar que a tais religiões colocam na esteira da respectiva fé os atos imediatamente anteriores ao momento da morte biológica, consagrados através do sacramento da unção dos enfermos, para os católicos, ou simplesmente advindo do arrependimento da última hora, no caso dos evangélicos, onde ambos, se sinceros e verdadeiros, promoverão a ida do espírito à “terra dos eleitos”.
O nosso artigo do mês analisará os momentos que sucedem a morte, demonstrando-a como consequência da vida. Perceberemos igualmente, respeitando os dogmas religiosos, que as metáforas e conceitos trazidos de outras religiões não se situam absolutamente fora das realidades espirituais.
Retornemos ao momento inicial de uma reencarnação. Assim que nascemos, trazemos, conforme programação espiritual, corpo calcado para as experiências a serem vividas, contabilizado, naturalmente, nos anos de vida física necessários para tal empresa. Todo ser, para manter-se no vínculo carnal, necessita da energia anímica. De forma bem resumida, esta “substância” mantém conectadas as células físicas às perispirituais, tendo o duplo etérico como intermediário. Quando os “nós”, referentes às tais ligações encontram-se “frouxos”, normalmente na infância e estágio final da vetustez, podemos dizer que o encarnado encontra-se mais “próximo” do mundo espiritual que o normal. Eis por que grande número de crianças e idosos relatam experiências mediúnicas.
Permitam-me ainda esclarecer sobre a diferença de morte e desencarnação. A morte é caracterizada pela falência física, entretanto, a desencarnação constitui-se na remoção do espírito do corpo físico, em removendo as conexões existentes e mencionadas anteriormente, entre o veículo carnal e o perispírito. Sob tal perspectiva, podemos imaginar o sofrimento vivido por muitos irmãos envolvidos em desencarnes precoces, como os suicidas passivos e ativos, quando os laços do perispírito com o corpo físico encontram-se firmes pelo não cumprimento da expectativa de tempo programada. Trata-se de um corpo repleto de energia anímica “não gasta”, apesar da morte biológica decretada. Outros fatores, como o materialismo, a revolta diante da desencarnação, movimentados pelo apelo mental do espírito, dificultam deveras a ação dos irmãos espirituais em promover o desencarne.
Outro fator preponderante é a respectiva à psicosfera individual, sendo o produto de nossos pensamentos, que nos acompanha após a desencarnação. Somos seres milenares, e como tais, desenvolvemos psicosfera resultante das respectivas experiências. Tal ambiente é resultante das ondas mentais emitidas, obviamente, impulsionadas pelos sentimentos existentes em nós. Eis por que a “atmosfera” na qual estamos mergulhados é diretamente ligada à respectiva evolução moral. Se estamos “mergulhados” em ambiente nebuloso, derivado da invigilância e indisciplina, certamente tal material ressoará em nossas almas como veículo da dor e desespero. Por outro lado, se “mergulhados” em ambiente resultante de boas ações, encontraremos, ao despertar, a tranquilidade e paz daqueles que cumpriram o mandato carnal dignamente. “A cada um segundo as suas obras” Mateus 16:27.
Outro fenômeno do pós-morte é a lembrança de antigas e esquecidas ações irresponsáveis vividas na existência carnal recente. Estas retornam à consciência como “fantasmas do passado” a aumentar a carga de desequilíbrio e desespero do espírito recém-desencarnado. Junte-se a ausência do hábito de orar e meditar acerca dos erros, bem como o não arrependimento das faltas cometidas. Todos esses elementos resultam em um espírito sofredor o qual, na maioria das vezes, descamba para a revolta gratuita contra Deus, por considerar-se aviltado e injustiçado, creditando ao Criador o respectivo estado de penúria ao qual se encontra. Assim nasce um espírito obsessor.
Utilizando-nos dos conceitos acima, já nos é possível realizar as conexões entre as visões do pós-morte entre as religiões mencionadas.
No catolicismo é necessário estar purificado e arrependido, condição para adentrar ao paraíso. Assim como a doutrina espírita, o catolicismo também conscientiza acerca da mudança de hábito, característica real do arrependimento, bem como pela pureza de consciência, representada pelos bons pensamentos e geradora da psicosfera individual positiva, a qual leva aos “céus”. As formas de alcança-la derivam dos dogmas de cada religião, os quais devemos, em absoluto, respeitar.
No caso dos irmãos evangélicos encontramos interessantes metáforas. Estes pregam o arrependimento mesmo que de última hora, “entregando-se a Deus”, visando a “pureza” ao sair da vida corpórea. A figura do “juízo final” nada mais é do que o tribunal da própria consciência, mencionado no sétimo parágrafo. É obvio que, apesar do sincero arrependimento, as inconsequências do passado serão contabilizadas, esta regra é válida a todos, em conformidade à lei de justiça divina. Porém, o profundo desejo de mudança já nos conferirá paisagens e experiências mais felizes no pós-morte.
A desencarnação é experiência derivada da vida, onde a verdade do que somos e sentimos é revelada. Urge alterar a sintonia dos sentimentos para adentrarmos em uma nova vida, literalmente, como continuidade evolutiva, ao invés de paragem de estagnação moral e sofrimentos, através dos laços da revolta inútil e indébita. Deus nos promove oportunidades, o Cristo nos mostra o caminho, ao espiritismo cabe a explicação lógica dos fatos, calcado em fé segura. Cabe-nos movimentarmos o respectivo ser rumo à felicidade.
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