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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2013

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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delpassado    Eu e minha mulher fomos a uma missa de sétimo dia feita para uma confreira espírita. Apesar de seu marido e filhos serem eminentemente espíritas, sua família nuclear, católica, encomendou a oração em benefício de sua alma.
    Lá estávamos com os corações em prece pela amiga, ouvindo a homilia, quando, de repente, o padre fez uma afirmação, com ares de sábio: – a reencarnação não existe! Sabem por quê? Porque eu não me lembro. Se existisse, eu me lembraria. Os espíritas acreditam, mas não provam... E continuou trilhando esse caminho, totalmente ignorado por ele.
   Fazemos essa citação sem o interesse de criticar o bondoso padre, porque ele não está sozinho nessa reflexão. Até nos meios espíritas encontramos tais questionamentos.
    Muitos alegam que o esquecimento do passado atrapalha a evolução da vida e que, se lembrássemos das experiências anteriores, o aproveitamento seria maior. Saberíamos exatamente em quais pontos erramos, facilitando, desse modo, a corrigenda.
   Logicamente, aqueles que assim pensam, imaginam que no passado ficaram somente as glórias, as vitórias, os sucessos em todas as áreas, com a aquisição da simpatia de todos, na vida de relação. Certamente tivemos alegrias e bons momentos; entretanto, "a lembrança traria gravíssimos inconvenientes. Poderia, em certos casos, humilhar-nos o orgulho e, assim, entravar o nosso livre-arbítrio".
    Quando possível, nascemos no meio em que vivemos anteriormente para repararmos o mal que fizemos, estabelecendo relações com o mesmo grupo e com a mesma comunidade de pessoas que participaram conosco das vivências pretéritas.
   O esquecimento é uma bênção porque, na maioria das vezes, estamos em frente do inimigo que construímos ao longo de nossas multifárias existências, na aquisição de sabedoria e de amor, sendo muito ruim identificá-los, despertando em nós, outra vez, a carga de ódio recíproco de nossas atuações.
   Às vezes se torna necessária, por expiação ou por missão, a recordação explícita das vidas anteriores, situação em que o hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro, recebe uma preparação especial, em sua construção.
    Dr. Ian Stevenson, professor de neurocirurgia da Universidade da Virgínia, nos EUA, um dos maiores pesquisadores da reencarnação que, com sua equipe de cientistas, espalhada em várias partes do mundo, pesquisaram milhares de pessoas que se recordavam de suas personalidades anteriores, publicando um livro que foi traduzido para o português com o título: Vinte casos que sugerem a reencarnação, e encontraram indivíduos que se recordavam, espontaneamente, de suas vidas anteriores, como é o caso de Ravi Shankar, que se lembrava dos seus assassinos: um tintureiro e um barbeiro, e também do local onde o corpo fora enterrado como Munna, personalidade da vida anterior. Reconheceu-os, levando-os ao tribunal e à prisão, ao mostrar o local do crime, exumando o próprio cadáver.
    Outro estudioso, o Professor, Dr. Hamendras Nath Banerjee, da Universidade de Jaipur, na Índia, encontrou, em vinte e cinco anos de estudo, casos dramáticos, idênticos ao de Ravi Shankar, documentados por meio do livro A vida pretérita e futura.
    Drª. Hellen Wambach escreveu o livro Recordando vidas passadas, relatando que tratou de mais de mil pessoas, tirando-lhes o trauma, a partir da regressão de memória. Dr. Denis Kelsey, Dr. Brian Weiss e outros tantos pesquisadores que se importaram com a reencarnação e a recordação de vidas passadas, que seria uma tarefa árdua e difícil declinar-lhes os nomes. Entretanto, não podemos deixar de mencionar o trabalho hercúleo realizado pela Drª. Elisabeth Kubler-Ross, psiquiatra e neurologista suíça, radicada nos EUA, que reuniu em auditórios mais de mil pessoas, entre médicos e paramédicos em suas conferências nas quais enfatizava e comprovava, com larga documentação, a imortalidade da alma, asseverando que "a vida não começa no berço nem termina no túmulo", e o abençoado trabalho da Drª. Gina Cerminara, que estudou as "leituras" de Edgar Cayce, o maior médium norte-americano, conhecido como "o profeta adormecido", com a sua mediunidade sonambúlica – deitava-se num sofá e entrava em transe sonambúlico, passando a descrever a "ficha" do paciente, dizendo-lhe o motivo de suas desditas, desnudando-lhe o passado, comprovando o nome, o local do batismo, a cidade em que viveu, dando-lhe condições para que ele pudesse certificar a veracidade de suas vidas anteriores e, tratando todo o tipo de doenças, muitas vezes de pacientes desenganados pelos médicos. Deixou mais de vinte mil diagnósticos, sem jamais ter errado um sequer.
    Um caso importante também no estudo de recordações do passado foi o de Carol Bowman, uma dona de casa dos EUA, uma jovem senhora com dois filhos: um menino e uma menina. Certa feita, Carol preparou um piquenique para comemorar o dia da independência americana, 4 de julho, indo com eles para o parque da sua cidade. Com o espocar dos fogos, seu filho, de cinco anos, começou a gritar de uma forma terrível, numa crise jamais vista, pois era um menino calmo e nada temia.
    Surpreendida, encerrou o passeio e voltou para casa com os filhos, porém preocupada com aquela atitude de Chase. Trinta dias depois, em agosto, estavam na piscina dos vizinhos e como o barulho do trampolim com as crianças pulando era intenso, Chase novamente entrou em crise. Foi aí que ela começou a buscar um tratamento para o menino, sem solução, visto que os médicos não encontravam nada anormal nele que justificasse aquelas crises.
    A providência divina, sempre atenta, fez que um amigo do seu marido, chamado Norman Inge, um hipnoterapeuta, que visitava sua cidade para dar uma palestra na associação local, fosse pernoitar em sua casa. Ela contou-lhe o ocorrido com todos os detalhes. Ele resolveu hipnotizar Chase, de forma branda, sem medicamentos e sem a posição tradicional: deitado. Colocou-o no colo de sua mãe e ali mesmo, sob sugestão hipnótica, adormeceu-o.
    A surpresa de ambos foi muito grande. O menino começou a descrever a cena que se desenrolava na tela de sua mente, na qual estava participando: a guerra civil americana, chamada Guerra de Secessão (1861-1865). Eles observaram que a voz do menino era a mesma, no entanto, seu aspecto era o de um homem adulto.
   Carol Bowman ficou completamente assustada com o que ouvia e via, porque a sua educação religiosa nunca lhe deu chance de conhecer algo além dos fatos corriqueiros da vida, era de sangue judeu, convertida para a religião presbiteriana.
    A partir dessa experiência, curou o filho do medo e do eczema que possuía no pulso – que os grandes dermatologistas não foram capazes de curar –, passou a pesquisar por intermédio de e-mails, na internet, casos com outras crianças e, desse trabalho, saiu o livro que se tornou best seller internacional: Crianças e suas vidas passadas, mostrando ao mundo a realidade da reencarnação.
    Como vemos, é uma bênção não recordarmos nossas experiências passadas. Tudo o que Deus faz é bom. Como escreveu o poeta Gastão de Castro, pela psicografia sublimada de Chico Xavier: Passado – Luz que se foi... Futuro – visão no ar!... Não desanimes... Agora é o tempo de melhorar.
    Muita paz!
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