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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2013
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   amor verdadeReunião em família, lamentava-se a brevidade da vida dos cães, que bem poderiam viver mais tempo. O membro mais novo, um menino de seis anos, que tudo ouvia, afirmou:

   - Eu sei por que os cachorros vivem pouco...

   Para surpresa de todos, explicou:

   - Mamãe diz que pessoas nascem para aprender a ser boas, a amar todo mundo. Os cães já nascem sabendo como fazer isso, portanto não precisam viver tanto tempo...

   Sábio garoto! A capacidade de amar incondicionalmente estabelece a diferença entre o cão e o homem. Se você fechar por horas um cachorro, no porta-malas de um carro, ao libertá-lo ele lhe fará festas, amigavelmente. Se fizer o mesmo com um homem, terá um inimigo feroz.

   Sem dúvida, o objetivo primordial da existência humana, como ensina o menino, é aprendermos a exercitar aquela que é a lei maior do Universo - o Amor, como ensinou Jesus ao proclamar que o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos é o resumo da todas as leis divinas.

   O Espiritismo nos convida a refletir sobre o assunto a partir do conceito de que amar de verdade é pensar no outro, no seu bem-estar. Não é um favor. Trata-se de algo indispensável para que possamos sustentar nossa integridade como filhos de Deus, habilitando-nos ao equilíbrio e à paz onde estivermos.

   Nos serviços de atendimento fraterno deparamo-nos, frequentemente, com problemas de relacionamento no lar, principalmente entre marido e mulher.

   Na opinião dos entrevistados, a culpa é sempre do cônjuge, sem se levar em consideração que quando um não quer dois não brigam e que se um dos dois se dispuser a cumprir o Evangelho, exercitando Amor, as arestas poderão ser superadas, favorecendo um relacionamento melhor.

  Oportuno, nesse particular, considerar como as pessoas gostariam de ser amadas. A propósito, lembro um maravilhoso poema de Elizabeth Barrett Browning (1806-1861), famosa poetisa inglesa, dedicado ao seu marido, Robert Browning (1812-1889), tradução de Manuel Bandeira (1886-1968):

   Ama-me por Amor do Amor somente.

   Não digas: "Amo-a pelo seu olhar,

   O seu sorriso, o modo de falar

   Honesto e brando. Amo-a porque se sente

   Minh'alma em comunhão constantemente

   Com a sua"; Porque pode mudar

  Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar

  Do tempo, ou para ti unicamente.

  Nem me ames pelo pranto que a bondade

  De tuas mãos enxuga, pois se em mim
  Secar, por teu conforto, esta vontade

  De chorar, teu Amor pode ter fim!

  Ama-me por Amor do Amor, e assim

  Me hás de querer por toda a eternidade.

  Consciente ou inconscientemente, as pessoas não querem ser amadas apenas por suas virtudes. Precisam ser amadas, apesar de seus defeitos.

  Não querem receber o Amor como um favor. Precisam do Amor como uma entrega.

   Enfim, querem ser amadas por Amor do Amor somente, como enfatiza Elizabeth.

   É uma ideia que merece reflexão.

  Cônjuges dizem que deixaram de amar porque o príncipe ou princesa transformou-se num sapo. Talvez isso tenha ocorrido porque o trataram como tal, sempre apontando mazelas e imperfeições, implicando, contestando, exigindo, brigando...

   Não amaram por amor do Amor.

   Amaram como quem aprecia um doce.
   Deixaram de amar porque estavam saciados ou porque, em sua opinião, o doce azedou.
  Melhor fazem os que convertem sapos em príncipes e princesas, porque amam por amor do amor somente.

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