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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2013
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A arca de Noé existiu no dilúvio bíblico?

ALLAN KARDEC E AS CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS CONCERNENTES À CRIAÇÃO – OS PERÍODOS GEOLÓGICOS E O GÊNESE DE MOISÉS – O DILÚVIO GEOLÓGICO E O DILÚVIO BÍBLICO – NOTICIAS DA ARCA DE NOÉ

     Allan Kardec, na questão 59 de O Livro dos Espíritos , tece considerações sobre as concordâncias Bíblicas concernentes à criação, dizendo que “os povos hão formado ideias muito divergentes acerca da criação, segundo o grau de seus conhecimentos. A razão apoiada na Ciência reconheceu a inverossimilhança de algumas teorias. A que os Espíritos nos oferecem confirma a opinião há muito admitida pelos homens mais esclarecidos.

     A objeção que se pode fazer a essa teoria é a de estar em contradição com os textos dos livros sagrados. Mas um exame sério nos leva a reconhecer que essa contradição é mais aparente que real, resultante da interpolação dada a passagens que, em geral, só possuíam sentido alegórico.

     A questão do primeiro homem, na pessoa de Adão, como único tronco da Humanidade, não é a única sobre a qual as crenças religiosas têm de modificar-se. O movimento da Terra parecia, em determinada época, tão contrário aos textos sagrados que não há formas da perseguição a que essa teoria não tenha dado pretexto. Não obstante, a Terra gira, malgrado os anátemas, e ninguém hoje em dia poderia contestá-lo sem ofender a sua própria razão.”

     O MUNDO NÃO FOI CRIADO EM SEIS DIAS

     Prossegue Kardec sobre o assunto na referida questão 59, dizendo que “a Bíblia diz igualmente que o mundo foi criado em seis dias, e fixa a época da criação em cerca de quatro mil anos antes da era cristã. Antes disso, a Terra não existia; ela foi tirada do nada. O texto é formal. E eis que a Ciência positiva a Ciência inexorável vem provar o contrário. A formação do globo está gravada em caracteres indeléveis no mundo fóssil, e está provado que os seis dias da criação representam outros tantos períodos, cada um deles, talvez, de muitas centenas de milhares de anos. E não se trata de um sistema, uma doutrina uma opinião isolada, mas de um fato tão constante como o do movimento da Terra, e que a Teologia não pode deixar de admitir prova evidente do erro em que se pode cair, quando se tomam ao pé da letra as expressões de uma linguagem frequentemente figurada.

     Diante disso, devemos concluir, então, que a Bíblia é um erro? É claro que não, mas o que tem acontecido ao longo do tempo é que os homens se enganam na sua interpretação”.

     SURGIMENTO DOS SERES VIVOS NO GÊNESE

     Quanto ao surgimento dos seres vivos mencionados no Gênese do Velho Testamento , Allan Kardec, na nota da questão 59, esclarece que “a Ciência, escavando os arquivos da Terra, descobriu a ordem em que os diferentes seres vivos apareceram na superfície, e essa ordem concorda com a indicada no Gênese, com a diferença de que essa obra, em vez de ter saído miraculosamente das mãos de Deus, em apenas algumas horas, realizou-se sempre pela sua vontade, mas segundo a lei das forças naturais, em alguns milhões de anos”.

     A Ciência, de acordo neste ponto com Moisés, coloca o homem por último na ordem da criação dos seres vivos. Moisés, porém, coloca o dilúvio universal no ano 4654 da formação do mundo, enquanto a Geologia nos mostra o grande cataclismo como anterior à aparição do homem, tendo em vista que, até agora, não se encontra nas camadas primitivas nenhum traço da sua presença, nem da presença dos animais que, sob o ponto de vista físico, são da sua mesma categoria. Mas nada prova que isso seja impossível; várias descobertas já lançaram dúvidas a respeito, podendo acontecer, portanto, que de um momento para outro se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana. E então se reconhecerá que, nesse ponto, como em outros, o texto bíblico é figurado.”

     DILÚVIO GEOLÓGICO NÃO É O MESMO DE NOÉ

     Dando continuidade à análise das concordâncias Bíblicas e a Criação, o Codificador do Espiritismo questiona se o cataclismo geológico é o mesmo de Noé. Ora, a duração necessária à formação das camadas fósseis não dá lugar a confusões, e no momento em que se encontrarem os traços da existência do homem anteriores à grande catástrofe, ficará provado que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis e será necessário aceitar o fato como se aceitou o do movimento da Terra e o dos seis períodos da Criação.

     A existência do homem antes do dilúvio geológico é, não há dúvida, ainda hipotética, mas eis como nos parece menos. Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra há quatro mil anos antes do Cristo, se 1650 anos mais tarde toda a raça humana foi destruída, com exceção apenas de uma família, conclui-se que o povoamento da Terra data de Noé, ou seja, de 2350 anos antes da nossa era. Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século, encontraram esse país bastante povoado e já bem avançado em civilização.

     A História prova que, nessa época, a Índia e outros países eram igualmente florescentes, mesmo sem levarmos em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época ainda mais recuada. Teria sido então necessário que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, quer dizer, num espaço de seiscentos anos, não somente a posteridade de um único homem tivesse podido povoar todas as imensas regiões então conhecidas, supondo-se que as outras não estivessem povoadas, mas também que, nesse curto intervalo, a espécie humana tivesse podido elevar-se da ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.

     OS DIFERENTES PERÍODOS GEOLÓGICOS

     No quadro comparativo a seguir, apresentado por Allan Kardec, no capítulo XII, da sua obra A Gênese, se acham resumidos os fenômenos que caracterizam cada um dos seis períodos. Permite que se considere o conjunto e se notem as relações e as diferenças que existem entre os Períodos Geológicos e a Gênese bíblica.

CIÊNCIA

GÊNESE

I. PERÍODO ASTRONÔMICO - Aglomeração da matéria cósmica universal, num ponto do espaço, em nebulosa que deu origem, pela condensação da matéria em diversos pontos, às estrelas, ao Sol, à Terra, à Lua e a todos os planetas. Estado primitivo, fluídico e incandescente da Terra. - Atmosfera imensa carregada de toda a água em vapor e de todas as matérias volatilizáveis.

1º DIA - O Céu e a Terra. - A luz

II. PERÍODO PRIMÁRIO - Endurecimento da superfície da Terra, pelo resfriamento; formação das camadas graníticas. -Atmosfera espessa e ardente, impenetrável aos raios solares. - Precipitação gradual da água e das matérias sólidas volatilizadas no ar. - Ausência completa de vida orgânica.

2º DIA - O Firmamento -Separação das águas que estão acima do Firmamento das que lhe estão debaixo.

III. - PERÍODO DE TRANSIÇÃO - As águas cobrem toda a superfície do globo. - Primeiros depósitos de sedimentos formados pelas águas. - Calor úmido. - O Sol começa a atravessar a atmosfera brumosa. - Primeiros seres organizados da mais rudimentar constituição. - Liquens, musgos, fetos, licopódios, plantas herbáceas. Vegetação colossal. - Primeiros animais marinhos: zoófitos, polipeiros, crustáceos. - Depósitos de hulha.

3º DIA - As águas que estão debaixo do Firmamento se reúnem; aparece o elemento árido. - A terra e os mares. - As plantas.

IV. PERÍODO SECUNDÁRIO - Superfície da Terra pouco acidentada; águas pouco profundas e paludosas. Temperatura menos ardente; atmosfera mais depurada. Consideráveis depósitos de calcário pelas águas. - Vegetação menos colossal; novas espécies; plantas lenhosas; primeiras árvores. - Peixes; cetáceos; animais aquáticos e anfíbios.

4º DIA - O Sol, a Lua e as estrelas.

V. PERÍODO TERCIÁRIO - Grandes intumescimentos da crosta sólida; formação dos continentes. Retirada das águas para os lugares baixos; formação dos mares. - Atmosfera depurada; temperatura atual produzida pelo calor solar. - Gigantescos animais terrestres. Vegetais e animais da atualidade. Pássaros.

5º DIA - Os peixes e os pássaros.

DILÚVIO UNIVERSAL - VI. PERÍODO QUATERNÁRIO OU PÓS-DILUVIANO - Terrenos de aluvião. - Vegetais e animais da atualidade. - O homem

6º DIA - Os animais terrestres. - O homem.

Desse quadro comparativo, o primeiro fato que ressalta é que a obra de cada um dos seis dias não corresponde de maneira rigorosa, como o supõem muitos, a cada um dos seis períodos geológicos. A concordância mais notável se verifica na sucessão dos seres orgânicos, que é quase a mesma, com pequena diferença, e no aparecimento do homem, por último. É esse um fato importante.

     DILÚVIO BÍBLICO FOI LOCAL E NÃO NA TERRA INTEIRA

     Sobre o Dilúvio Bíblico, argumenta Kardec que: “O dilúvio bíblico, também conhecido pela denominação de «grande dilúvio asiático», é fato cuja realidade não se pode contestar. Deve tê-lo ocasionado o levantamento de uma parte das montanhas daquela região, como o do México. Corrobora esta opinião a existência de um mar interior, que ia outrora do mar Negro ao oceano Boreal, comprovado pelas observações geológicas. O mar de Azov, o mar Cáspio, cujas águas são salgadas, embora nenhuma comunicação tenham com nenhum outro mar; o lago Aral e os inúmeros lagos espalhados pelas imensas planícies da Tartália e as estepes da Rússia parecem restos daquele antigo mar.

     Por ocasião do levantamento das montanhas do Cáucaso, posterior ao dilúvio universal (ocorrido no 5º Período Geológico – Diluviano), parte daquelas águas foi recalcada para o norte, na direção do oceano Boreal; outra parte, para o sul, em direção ao oceano Índico. Estas inundaram e devastaram precisamente a Mesopotâmia e toda a região em que habitaram os antepassados do povo hebreu. Embora esse dilúvio se tenha estendido por uma superfície muito grande, é atualmente ponto averiguado que ele foi apenas local; que não pode ter sido causado pela chuva, pois, por muito copiosa que esta fosse e ainda que se prolongasse por quarenta dias, o cálculo prova que a quantidade d’água caída das nuvens não podia bastar para cobrir toda a Terra, até acima das mais altas montanhas.

     Para os homens de então, que não conheciam mais do que uma extensão muito limitada da superfície do globo e que nenhuma ideia tinham da sua configuração, desde que a inundação invadiu os países conhecidos, invadida fora, para eles, a Terra inteira. Se a essa crença aditarmos a forma imaginosa e hiperbólica da descrição, forma peculiar ao estilo oriental, já não nos surpreenderá o exagero da narração bíblica.

     O dilúvio asiático foi evidentemente posterior ao aparecimento do homem na Terra, visto que a lembrança dele se conservou pela tradição em todos os povos daquela parte do mundo, os quais o consagraram em suas teogonias.

     A ARCA DE NOÉ EXISTIU?

     Já ficou claro que o Dilúvio Bíblico se deu apenas na região onde residia Noé, e não na Terra inteira.

     Quanto à Arca, a Bíblia a descreve como uma enorme caixa flutuante, sem proa nem popa, pois se destinava apenas a flutuar sobre as águas. Media 300 côvados de comprimento, 50 de largura, e 30 de altura, o que corresponde, em metros, a aproximadamente 135m x 22,50m x 13,50m. Tão grande que só recentemente se construíram navios maiores! A arca tinha três pisos - um inferior, um segundo e um terceiro. Mesmo destinando 2.830 metros cúbicos de espaço para armazenagem de víveres e alojamento de Noé e sua família, sobraram ainda 36.800 metros cúbicos de espaço útil, o que equivale à capacidade de lotação de 480 vagões de gado, desses ainda hoje usados em nossas estradas de ferro!

     Informam os cientistas que, das aproximadamente três mil espécies de animais classificadas pelos zoólogos, apenas cerca de trezentas incluem algumas que são maiores que o cavalo. Umas duas mil e duzentas espécies não são maiores que o coelho.

     Assim, Noé teve que cuidar de poucos animais grandes, uma vez que os animais marinhos ficaram fora da Arca. Por outro lado, as espécies bíblicas introduzidas por Noé na Arca não são as mesmas de hoje classificadas pelos cientistas, pois todos os tipos cruzáveis da família canina, por exemplo, podiam descender de um único par. Dentro desse critério, torna-se claro que a capacidade da Arca era mais que suficiente para abrigar todos os números representativos de cada "gênero" de animal terrestre. Pois bem, cada gênero das espécies então existentes na região onde residia Noé, mas não todas as espécies de animais existentes no planeta, tarefa essa da qual ele não teria condições de realizar em tão pouco tempo.

     CONCLUSÃO

     No meu entender a arca existiu para abrigar a família de Noé e de algumas espécies de animais para a sua sobrevivência e de sua família, durante a permanência na Arca, até as águas baixarem. Porém, se vestígios da Arca de Noé forem um dia encontrados, apenas ficará provado que a narrativa bíblica não é uma ficção, tendo havido apenas uma interpretação equivocada do episódio.

     E quanto ao dilúvio na época, o raciocínio Espírita é claro e lógico, isto é, ele foi parcial, localizado numa região, e isso igualmente prova a ciência. Por esse motivo, os Espíritas consideram importante, também, os estudos Bíblicos, mas aliados à ciência e à realidade espiritual destacando, por mais importante, as questões de ordem moral.

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