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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2013
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     É preciso na vida identificar os nossos campos de luta! Essa é uma certeza que me persegue a cada dia... Dentre as diversas frentes que demandam nossos esforços, é necessário enxergar as prioridades, onde somos mais necessários, mas também onde necessitamos trabalhar, isso tudo em uma ótica, digamos assim, espiritual.

     Desde a juventude somos convidados a amadurecer esse discernimento. Nossas forças vitais, nosso tempo, nossa inteligência, a feição dos talentos da parábola evangélica, necessitam ser aplicados e bem aplicados, para se reproduzir em bênçãos sem fim. Em um dizer empresarial, precisamos identificar nosso “business”, para sobre ele atuar.

     Como um investidor atento, a vida nos pede bom senso, para sabermos o melhor local para alocarmos os nossos tesouros. No dizer de Kardec, no Evangelho Segundo o Espiritismo, temos que “A inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada.”, destacando a necessidade pétrea de dar uso ao nosso potencial. Mas isso demanda opções...

     Melhorar o mundo ou aumentar o nosso consumo? Casar ou estudar? Música ou engenharia? Nossas escolhas dizem muito sobre nós! Temos que fugir do “tanto faz” diante dessas possibilidades, construídas pela nossa caminhada evolutiva, para identificar as múltiplas micromissões que nos cabem no latifúndio da encarnação, e sobre elas se debruçar.

     Por vezes passamos os dias enfurnados na casa espírita, fazendo desta nosso primeiro lar, fugidios das questões da família, do trabalho, da comunidade. Como sacerdotes modernos, na nossa clausura enxergamos a religiosidade como único campo de luta possível, esquecidos que a religiosidade deve sim se espraiar sobre as outras dimensões de nossa vida, na necessidade de sermos bons pais, bons cidadãos e bons profissionais, atuando no mundo sem ser do mundo, mas em uma visão holística da existência.

     Faz-se necessário lermos os sinais, sentindo onde nossos braços se fazem necessários, ainda que esse não seja por vezes o caminho mais fácil ou, ainda, mais popular. Às vezes, essa senda não é clara, mas Deus nos guia se soubermos ouvir as suas palavras entre os gritos da luta. Entender isso nos faz ver um pouco de ideal nas pequenas coisas e a grandeza de muitas coisas que realizamos.

     Ao final da jornada, finda mais uma existência, nós teremos que, mais cedo ou mais tarde, fazer um balanço da nossa existência pregressa. O que dispúnhamos, o que fizemos e o quanto avançamos. Pouco será perguntado pelas posses que amealhamos e muito nos cobraremos do nosso crescimento, construído no convívio com os nossos irmãos.

     A estrada da vida é feita de escolhas, que não são imutáveis e que dizem muito de nosso passado e nosso futuro. Como espíritos eternos, devemos olhar a aplicação de nossas energias, e mais ainda, se nessas tarefas agimos de maneira vibrante ou se caímos no reino do “morno”, no dizer de Paulo de Tarso.

     Fazendo uso da obra de ficção científica Uma Princesa de Marte, de Edgar Rice Burroughs, publicada em 1917, na qual um capitão da guerra da secessão estadunidense sem um rumo na vida encontra um sentido para a sua existência no longínquo planeta vermelho, podemos aproveitá-la na conclusão desse breve artigo.

     A versão filmada desse livro, lançada pelos estúdios Disney em 2012, John Carter - Entre dois mundos, traz na sua cena final o Capitão Carter, que antes de seu regresso para a morte, dizia ao seu sobrinho: “Adeus, Ned! Ned? Você deveria adotar uma causa, apaixonar-se, escrever um livro talvez .” Salutar conselho de quem encontrou um norte para a sua vida.

     É preciso encontrar uma causa, uma frente de batalha, do “bom combate” por um mundo melhor. A religião nos fornece esse sentido para a vida, essa “razão nobre”, mas ela só tem razão de ser em uma vida sentida, em sua diversidade de dimensões. Isolamentos do mundo nos afastam de nossos campos de luta, tão caros ao nosso progresso e dos que nos cercam. Cabe-nos pensar sempre o porquê de termos nascido e o que motivou a bagagem que levamos às costas.

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