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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2013

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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     Emmanuel descreve no início do livro A Caminho da Luz o encontro entre espíritos cujas rédeas diretoras do Universo, sob as bênçãos de Deus, descansavam-lhes às mãos.

     As expectativas sobre este orbe já eram inúmeras, receberia o cuidado minucioso da criação, o detalhe primando pela beleza e eficiência.

     A Terra seria a casa de irmãos das mais variadas escalas morais, da ignorância a angelical, amparando e criando uma verdadeira simbiose entre o ecossistema e o mundo etéreo, repousando sobre o solo deste Planeta. Finalmente o plano dos anjos foi posto em prática.

     Diante da soberba e ignorância social, um Rei nascia na manjedoura, promovendo o renascimento de tantos em Sua mensagem duradoura, formando grupo fiel, apesar das mazelas e fraquezas. Este Rei, como todos sabem, sofreu o martírio maior diante do descalabro humano, optando pelo perdão, em lição dada e gravada, ecoando para a Eternidade. Os anjos sorriram.

     Contudo, logo nos primeiros séculos tais lições foram deturpadas, fomentando a permanência no poder. Os anjos choraram.

     Entretanto, surgem os santos, os mártires e os exemplos morais lembrando-nos das palavras do amado Rabi as quais ampararam a muitos, revivendo a emoção celestial e escrevendo novas formas e lições de resistência aos sofrimentos. Os anjos, então, sorriram.

     Ato contínuo, guerreiros e religiosos uniam-se na hediondez e crueldade, nas guerras e Cruzadas, exercendo interesses mundanos, sob o estandarte da cruz a investir-lhes de poder, de forma a justificar a violência. Os anjos choraram.

     Chega a idade da luz, novos valores, descobertas e ideias pululam na Terra. O jovem professor de Lion, em esforço extremo, lidera no âmbito terreno, a vinda da nova mensagem consoladora, da ciência mediúnica, da emoção e esperança trazida na palavra reencarnação, da vida do espírito, da formação dos mundos.

     Mesmo diante do assédio das trevas, manifestada muitas vezes através dos próprios companheiros, Kardec cumpre-lhe o papel, no limiar das forças físicas. Os anjos sorriram.

     Contudo, no início do século seguinte seguem-se as dores mundiais. A força, a brutalidade e a total inconsciência da vida reinaram em larga escala nas barbáries das grandes guerras. Povos dizimados, humilhados e marcados a ferro e fogo, corpo e alma, diante dos tempos. O holocausto físico e moral. Lágrimas de sangue atravessaram faces na Terra e nos Céus.

     Como aprendizado de que a resposta de Deus é sempre maior, anjos nos são enviados nas mais humildes roupagens. Esta é a forma na qual o criador faz-nos compreender que a vontade divina está sempre acima da vontade dos homens.

     A Doutrina Espírita espalha-se pelas geografias. No Brasil, em especial, erguem-se pequenas casas em singelas causas, células de amor, templo do Espírito. O intercâmbio com os espíritos protetores é intenso. Estudos, palestras e assistência contrabalançando as obsessões coletivas da sociedade. Manancial de luz e esperança a conscientizar e amar milhões de corações aflitos. Quantos lares são atingidos pela palavra espírita, sem mencionar as transformações morais e resgates. Os anjos sorriram.

     Porém, irmãos plenamente conscientes das respectivas missões, melindram-se entre as paredes que os acolhem, provocando a cisão de suas atribuições e compromissos, convocando o partidarismo dos companheiros através da visão míope de juízo de valor, do “certo ou errado”, deixando aos pés de outros os esforços que eles deveriam cumprir. Nada que traga o desarmonia e a separação orbita nos limites do equilíbrio. Os anjos choram.

     Perigosa é a junção das emoções quando nos sentimos escudo do mundo e donos da verdade em nossas tarefas. Defenderemo-la assim sem saber distinguir os limites da sobriedade. Ainda não conseguimos discernir as emoções sob as forças do fascínio.

     Irmãos de jornada, a causa espírita trafega pelo coração de todos, bem ao lado de nossas mazelas morais. É fácil confundir a energia pela causa espírita com orgulho e reapresentação de velhas mágoas. Se algum irmão lhe entrega por fazer o trabalho que deveria cumprir, coloca-o em teus ombros sem reclamar ou alardear. Cedo ou tarde o companheiro egresso lhe tomará o fardo e agradecer-te-á a lealdade.

     Quando chorarmos diante das dificuldades e dúvidas do caminho, tenhamos Deus no coração, para que os anjos sorriam para nós.

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