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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2014

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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     Há poucos dias uma amiga se queixava que nada estava dando certo para ela. Referia-se especialmente ao imóvel que ela e a família há anos desejavam comprar, e sempre esbarravam em complicações de alguma ordem: financeira, judicial ou familiar. Ela é espírita, mas relata que isso por si só não a faz compreender a dinâmica da vida, que em sua avaliação não lhe tem sido favorável, proporcionando o bem-estar tão desejado.

     Esses e outros dramas são comuns no dia a dia das pessoas, que se deparam com frustrações e impedimentos nos seus projetos e anseios. E quando não possuem resistências emocionais chegam até mesmo ao desespero, ao verificar que outros conseguem com facilidade o que para eles não se realiza ou é feito a custo de muito esforço.

     A dinâmica da vida é complexa, e possui fatores que vão além da nossa simples observação. Fora isso, na maioria das vezes o limitado olhar do ego não nos permite distinguir entre o necessário e o dispensável, o que faz com que pequenas coisas tornem-se relevantes, enquanto o essencial permanece esquecido.

     A vida tem um propósito: propiciar-nos o desenvolvimento e a conquista da plenitude. Para isso, nos dota do essencial para prosseguirmos. Em cada existência, ela nos coloca sob determinadas circunstâncias, para que a consciência desperte gradualmente. Nos aspectos que falhamos em existências anteriores, trazemos compromissos que muitas vezes se traduzem em dificuldades naquele campo específico: emocional, financeiro, físico etc. Naquilo que já vencemos e avançamos, trazemos a predisposição que se torna a “facilidade” para prosseguir.

     A sabedoria consiste em perceber os sinais que a vida nos traz, e ver as dificuldades não como punições da vida, mas como impulsos para superar a nós mesmos nos pontos em que possuímos limitações ou ainda não avançamos. No entanto, convém atentar que nem sempre as dificuldades são questões em aberto de outras existências, mas testes que a vida nos apresenta para despertar determinados aspectos importantes para a jornada, e que estão sendo negligenciados.

     Ademais, temos que avaliar se o que tanto almejamos é necessidade ou desejo. Se é necessidade, que lutemos para conquistar, com as forças e ferramentas que temos ao alcance. Sendo desejo, resta-nos aprender a administrá-los e canalizá-los de forma saudável, pois como bem esclarece Joanna de Ângelis : Experimentar desejos e saber direcioná-los é de suma importância no balizamento da identidade...”.

    

     Outro importante aprendizado é saber lidar com as adversidades e frustrações, pois como bem coloca o analista junguiano Carlos Byington, “ego maduro é aquele capaz de lidar com as frustrações.” Atitude que nos prepara para isso é não brigar contra os resultados daquilo que nos esforçamos mas não alcançamos. Podemos, e até devemos, de certa forma, colocar energia e vontade naquilo que realizamos, sendo natural que daí surjam expectativas quanto aos resultados. No entanto, é conveniente estar ciente que o resultado final nos escapa ao controle, estando sob a ação de forças que estão acima da nossa capacidade de compreensão imediata. Isso sem descartar a hipótese de que o nosso esforço tenha tido falhas e limitações, e por isso mesmo o resultado não foi o esperado.

     E em qualquer ocasião, devemos sempre aprender com as lições que a vida nos apresenta, mesmo que sejam incômodas, pois somente assim o espírito se torna consciente para a existência, e libertando-se da queixa faz sempre a parte que lhe cabe, sabendo que o resultado final e o futuro, como diz o ditado popular, a Deus pertencem.



     Amor, imbatível Amor . Joanna de Ângelis/ Divaldo Franco. Leal Editora

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