pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2014

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

Compartilhar -

     Desencarnou em 05 de dezembro de 2013, aos 95 anos, Nelson Rolihlahla Mandela, missionário da igualdade racial, herói do apartheid – que dedicou toda a sua vida à união das pessoas, numa demonstração persistente de energia amorosa na construção de um mundo melhor.

     O Mundo Espiritual está em festa por receber esse paladino da justiça, da liberdade e da igualdade racial.

     Jesus, o Divino Mestre, nas bem-aventuranças do Sermão da Montanha, dando-nos as oito regras básicas para a felicidade, exortou: bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos e bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

     Mandela foi perseguido, maltratado, humilhado, sofrendo todo o tipo de carência, mas nunca abriu mão dos ideais nobres na busca da igualdade humana, exemplificando a não violência, influenciando com essa atitude as mentes solidárias ocupadas com a melhoria de vida dos habitantes do nosso abençoado planeta.

     Foi por sua influência que o músico e ativista Peter Gabriel, no ano de 2007, uniu-se ao milionário britânico Richard Branson com a proposta de criar um grupo de elite para debater soluções para os problemas mundiais, tais como clima, conflitos, pandemias etc., surgindo, dessa forma, o The Elders – em português Os Velhos ou Os Anciãos – uma organização internacional composta por ex-governantes que, com sua experiência e sabedoria, intercederiam nas dificuldades do planeta. Fundada em 18 de julho de 2007, data do aniversário de 89 anos de Mandela, em Johannesburgo, tendo ele como presidente do grupo e composto por Jimmy Carter (ex-presidente dos EUA), Desmond Tutu (arcebispo emérito da Cidade do Cabo), Kofi Annan (ex-secretário-geral da ONU), Muhammad Yunus (fundador do Green Bank), Mary Robinson (ex-presidente da Irlanda), e Gro Harlem Brundland, Ela Bhatt e nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

     Mandela em sua luta para unir as raças ensina-nos a mudança de atitude por intermédio da educação, dizendo:

     “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, pela sua origem, ou pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.”

     Homens como Nelson Rolihlahla Mandela, Steve Bantu Biko, Martin Luther King Jr., Desmond Mpilo Tutu, assim como todos os grandes líderes dos movimentos em prol da liberdade, da justiça e da igualdade da raça à qual todos pertencemos, a mesma e única – a raça humana – dão-nos a certeza de que não estamos sozinhos neste mundo maravilhoso, mas cheio de contrastes, cheio de irregularidades que devem ser aplainadas, a fim de que nele possamos viver em harmonia, com a justa distribuição dos meios para o aprimoramento e o progresso de todos, sem distinção da religião, das condições sociais, da região em que se nasce, da cor da pele, da condição física e genética, das dificuldades hereditárias ou adquiridas e do destino, porque todos somos iguais como Espírito humano, apesar da diversidade com que nascemos, como comprovaram os Drs. Francis Crick e James Watson, na descoberta do DNA: ninguém é igual, nem os gêmeos univitelinos, com aspectos biológicos e destinos completamente diferentes.

     Homens como esses têm promovido o progresso humano e corrigido as leis injustas que visam ao interesse para grupos específicos, por meio de esforços ingentes, chegando mesmo a sacrificar suas próprias vidas.

     Nelson Mandela ficou preso durante 27 anos em sua luta pela emancipação dos negros da África do Sul, que constituem 80% da população do país.

     Num depoimento sobre sua vida “clandestina”, ele assim se expressou: “Tive de me separar de minha querida esposa e filhos, de minha mãe e irmãs, para viver como um fora da lei em minha própria terra. Tive de fechar meu escritório, abandonar minha profissão e viver na pobreza e na miséria, como muitos de meu povo. Lutarei contra o governo lado a lado com vocês, metro por metro, quilômetro por quilômetro, até alcançarmos a vitória. Não vou abandonar a África do Sul nem vou me entregar. A luta é a minha vida. Vou continuar buscando a liberdade até meus últimos dias”.

     Nelson Mandela nasceu em 18 de julho de 1918. No ano de 1952, com 34 anos, tornou-se o presidente da liderança do CNA na poderosa província de Transvaal, cujo quartel-general era a cidade de Johannesburgo. Como advogado também progredia, tendo sempre que lutar muito para conseguir ganhar suas causas em defesa dos oprimidos, começando sua defesa pelo próprio escritório, pois, sob o regime do apartheid, os negros não podiam ocupar salas comerciais na cidade. Eles deveriam ocupar áreas negras, o que para os advogados significava ficar a quilômetros de distância dos tribunais. Ele e seu sócio Oliver Tambo apelaram da decisão da corte em transferi-los para a área negra e conseguiram permissão para ficar. Mas eram poucos os advogados negros, mesmo nas áreas permitidas, e suas vidas não eram fáceis, pois até mesmo os juízes não os tratavam com o devido respeito profissional.

     Apesar dos incontáveis processos de que tinha que cuidar como advogado, seu tempo era dividido com o CNA.

     Inspirado sempre em Gandhi, fazia protestos utilizando a filosofia da não violência. Como líder, organizou a Campanha da Desobediência para a eliminação das “leis injustas”. Todos os sul-africanos foram convocados a infringir as leis raciais e acabaram superlotando as prisões, pois mais de oito milhões de pessoas atenderam às reivindicações do CNA. O próprio Mandela foi preso, mas pagou fiança e continuou a organizar a campanha, viajando de norte a sul do país, falando em centenas de reuniões, sempre explicando a todos que o protesto era de não violência.

     Nelson Mandela ficou preso de 1963 a 1990, quando F.W. de Klerk libertou-o e retirou da proscrição o CNA, o Congresso Pan-Africano e todas as demais organizações tornadas ilegais. De Klerk acabou também com a doutrina do apartheid, a monstruosa segregação racial.

     Em 1993 ganhou o Nobel da Paz por sua defesa do diálogo permanente a despeito da cor da pele, e também outros prêmios internacionais, tornando-se o símbolo da liberdade para todas as pessoas injustiçadas do mundo. Foi eleito presidente e governou a África do Sul de 1994 a 1999.

     Mandela despertou a atenção por ter ficado encarcerado durante 27 anos, e ainda assim ter se movimentado incansavelmente e com absoluta ausência de mágoa do passado.

     Ao ser perguntado por um repórter se tinha raiva dos carcereiros com quem ele teve contato durante todo o tempo de prisão, respondeu:

     — “Não, de forma alguma. Eu queria ultrapassar aqueles muros e ficar livre. Se a raiva permanecesse em mim, eu não estaria livre, mas sim escravizado por um sentimento mau”.

     Nelson Mandela dedicou toda a sua vida em prol da liberdade e da igualdade, sem se deixar, por um minuto que fosse, abdicar desse ideal, mesmo sendo humilhado, espancado, torturado, preso, tendo perdido o direito de ter sua família, seu trabalho e seus bens adquiridos como advogado dinâmico e brilhante, recusando-se mesmo, por diversas vezes, a ser solto da prisão em que fora condenado à pena perpétua, por sua determinação de viver num país livre, com direitos iguais para todos. Bastaria aceitar a proposta que as autoridades do poder dominante lhe faziam: afastar-se da causa da liberdade, e ele estaria livre para seguir em direção à sua aldeia natal.

     Nelson Mandela, querido Espírito, meu ídolo e de milhões de pessoas do planeta, receba nosso carinho e nossa homenagem.

     Dear Madiba, God bless you! (Querido Madiba, Deus te abençoe!)

     Rest in Peace! (Descanse em paz!)

     Muita paz!

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado