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Artigo do Jornal: Jornal Março 2014

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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O mundo moderno, cheio de conquistas tecnológicas e avanços científicos, ainda não foi capaz de dizimar a violência humana. Analisando a vida coletiva, ficamos até mesmo abismados pelas ocorrências que nos fazem recordar a barbárie, demonstrando que vivemos um estado de civilização ainda carente de valores morais que o sustentem, apesar da nossa mente fértil em inventos de última geração.

              E nesse estado de coisas que vivemos, é comum ouvirmos que a solução para tudo isso seria a pena de morte ! Hoje mesmo ouvi isso no ambiente de trabalho, de cidadãos comumente pacatos, mas que defendem com veemência a exterminação dos violentos. Mas será que isso efetivamente funcionaria e seria a solução definitiva para os nossos males modernos?

 

              Se pensarmos bem, a  pena de morte  já existe, e grupos organizados promovem a matança aos milhares. Os próprios bandidos costumam ter vida muito curta, mortos pela polícia ou por seus rivais, quando não por vinganças. Mas nem o fato de verem a morte bem de perto, de verem isso acontecer com os seus pares e familiares diariamente contém seus atos de violência.  É que a questão é mais profunda, e o medo da morte não resolveu a situação da violência.

              Em países que adotaram a pena capital, também não houve eliminação dos crimes e da violência. Além disso, surge outro problema: os erros judiciais. Nesses países há relatos de inúmeros injustiçados nas condenações. E fico a pensar como seriam esses erros no sistema judiciário brasileiro, cheio de falhas e morosidade.  E qual seria a instância política, jurídica  ou legislativa com força moral suficiente para julgar e condenar alguém à morte? Isso sem falar nas consequências espirituais de uma instância de morte institucionalizada, o que deixaremos para a consciência religiosa de cada um avaliar.

              Claro que os crimes chocam e a violência nos assusta. E falo com propriedade de quem já teve uma arma apontada na cabeça, uma pessoa da família assassinada brutalmente e outra violentada. E sei que com outros isso e coisas piores ocorreram.  É que a violência está aí, e não poupa ninguém em nosso círculo íntimo. 

              Talvez já seja o momento de trabalharmos em prol de uma pena de vida. Isso se inicia educando a nossa própria violência, pois se a violência coletiva existe, ela habita também em nosso mundo interno, e muitas vezes não nos damos conta disso. Quantas vezes somos violentos no trato, se não de forma física, emocional?  Quantas vezes queremos impor nossos pontos de vista?  E quantas vezes violentamos os próprios valores que dizemos acreditar? E tudo isso, em última instância, é violência que alimenta a violência coletiva.

              A partir do cuidado com a nossa violência, cuidar da educação dos nossos, esmerando-se para torná-los cidadãos conscientes e com respeito ao próximo e ao coletivo. A carência educacional tem alimentado a violência de várias formas, e só pode ser sanada quando abraçarmos de forma conveniente a tarefa de educar, não a transferindo às escolas e profissionais pagos, que são apenas auxiliares nessa tarefa.

              E vendo a miséria e desigualdade social que campeia à nossa volta, não podemos ficar inertes, pois isso também nos diz respeito. Se não podemos mudar o mundo, podemos de alguma forma, mínima que seja, auxiliar as comunidades próximas a nós que, negligenciadas, muitas vezes recorrem a métodos violentos para retirar dos outros o que acreditam merecer.

              Ele, o maior Mestre da humanidade, foi vítima da pena de morte, e nos ensinou o amor como caminho para transformação e construção da sociedade, harmônica e ideal, que não será construída do dia para a noite, mas que nunca existirá se não fizermos a nossa parte. 

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