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Artigo do Jornal: Jornal Março 2014
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Vamos considerar literatura mediúnica o conjunto de textos atribuído a espíritos desencarnados que se comunicaram através de um médium psicógrafo consciente ou inconsciente. A literatura que chamamos espírita é aquela, mediúnica ou não, que possui um compromisso claro com a divulgação dos fenômenos espíritas ou da Doutrina Codificada por Allan Kardec em seu tríplice  aspecto: filosófico,  científico e religioso

Há uma vasta produção literária obtida através da escrita automática. Este material pode ser dividido em suas partes: os textos de autores espirituais anônimos e os que foram assinados por um escritor conhecido mas desencarnado.

No primeiro caso, o escritor-médium escreve em estado de transe todo um romance e, ao final não reconhece o texto como seu. Este foi o caso da escritora americana Harriet Beecher   Stowe ( 1811- 1896) que  sustentava não  se reconhecer como autora do belo romance A Cabana do Pai Tomás que teria sido escrito por um espírito que se serviu dela mas não lhe revelou o nome, preferindo manter-se incógnito. Seria interessante lembrar aqui a importância deste romance para por fim à  escravidão negra nos Estados Unidos

 

Um segundo caso não menos interessante é o do escritor  escocês Sir Walter Scott (1771-1832 ) que escreveu o seu belo romance Ivanhoé em estado de semiconsciência. Também ele não estava certo de ter sido o verdadeiro autor deste livro pois, depois de tê-lo escrito completamente, não se lembrava da maioria das passagens do romance que lhe pareceram estranhas .

Ivanhoé é um belo romance sobre a Idade Media que se tornou filme  em 1952, tendo por atores principais Robert Taylor, Elizabeth Taylor e  Joan Fontaine. A direção foi de Richard Thorpe .

O terceiro caso é o do poeta inglês William Blake ( 1757-1827) que ao prefaciar o seu poema épico intitulado Jerusalém escreveu revelando grande honestidade intelectual: “ Não posso me envaidecer de ser o autor desta obra na qual fui apenas secretário, os seus autores verdadeiros estão na Eternidade” e ajuntou: “Escrevi este poema sob pressão.  Às vezes, escrevia vinte ou trinta versos sem premeditação e contra a minha vontade.”

É na expressão contra a minha vontade que está a informação de que se tratava de fato de uma obra mediúnica, uma vez que havia uma outra vontade que era superior à de quem escrevia.

Um outro livro que possui o status de obra mediúnica, ditada  ou inspirada  é As Dores de Werther, escrito pelo poeta alemão  Johann Wolfgang Goethe ( 1749- 1832). Este livro teria sido criado em estado de transe ligeiro. Goethe teria confessado que havia escrito este livro quase que de modo inconsciente, como se estivesse em estado de sonambulismo e de ter se maravilhado com a sua leitura depois da obra pronta. Era como se estivesse lendo o livro pela primeira vez.

David Herbert Laurence ( 18650-1930), prolífico escritor inglês, nos conta que escreveu toda a sua obra em estado de inconsciência e o escritor  John Gals Worrthy (1867-1906) em uma de suas conferências, revelou como escrevia seus livros :” De repente, a minha pena se movia, por um impulso e, em outro segundo acontece um impulso maior; e, depois disto, a escrita fica fluente e eu escrevo por uma hora ou duas.”

  Robert Louis Stevenson ( 1850-1894) autor do famoso romance o Médico e o Monstro s onhava regularmente no intervalo de suas escritas com a matéria que deveria escrever.

Houve também casos de obras literárias, filosóficas, cientificas e históricas, conseguidas mediunicamente por autores muito modestos intelectualmente. Algumas dessas obras não possuem grande valor e outras notáveis pelo estilo e pelo conteúdo. A mais antiga delas, senão a primeira intitula-se  A Vida Terrestre de Nosso Senhor Jesus Cristo e de sua Bendita Mãe , escrita  pela freira alemã Anna Catherine Emmerich, publicada em 1883.

Nos Estados Unidos, em 1852, surgiu uma obra chamada Peregrinação, escrita por Thomas Payne. Em 1854, veio à luz um outro livro que se intitulava   Arcanos da Natureza , obra cientifica escrita por um simples agricultor com 17 anos chamado  Hudson  Tuttle. Este trabalho foi apreciado e valorizado por homens de ciência  como Darwin e Büchner.

O interessante  e inexplicável é o fato de  que nos Arcanos, existem citações de obras cientificas estrangeiras, muitas delas raras que o autor não poderia conhecer em virtude se sua escassa bagagem cultural. Semelhante a esta obra é o livro de Andrews Jackson Davis, Princípio da Natureza , cujo médium era  um jovem, à época, tão ignorante quanto Hudson Tuttle.

Mais tarde, Davis que possuía faculdade mediúnica de cura, formou-se em medicina para poder exercer a sua faculdade dentro da lei.  Nos anos do século XX, a Senhora  John  H. Curran escreveu, sob o domínio de uma personalidade desencarnada que se identificou como Patient Worth, poemas, em inglês medieval de grande pureza, entre os quais se destaca o poema Telka .

Na França, por volta de 1850,  uma adolescente de 14 anos por nome  Hermance Dufeaux, escreveu dois livros chamados respectivamente: Joana D’Arc e As Confissões de Luiz XI, ditadas pelos próprios protagonistas. É interessante ressaltar que as particularidades históricas como datas e fatos principais estão exatas. Ainda em França, entre 1928 e 1931, foi publicada uma outra obra mediúnica intitulada As Cartas de Pedro com um profundo conteúdo moral.

Na Inglaterra, entre 1870 e 1880, o Reverendo  William Stainton Moses  publicou uma série de cartas mediúnicas que suscitaram grande interesse.

Em 1876, um homem inculto por nome David Duguid escreveu um romance que se chamou Hafed , O Príncipe Persa que foi recebido mediunicamente. Dois anos mais tarde, este mesmo médium lançou um outro livro cujo título era Hermes, O Discípulo de Jesus que estava recheado de informações históricas que, por certo, Duguid não conhecia.

Entre 1893 e 1897, o jornalista William T Stead, leva ao público em sua revista chamada Bordland , uma obra por nome As Cartas de Júlia , que teria sido ditada por sua colega Julia Ames que há pouco havia desencarnado. Estas cartas foram publicadas em um volume com o título de After Death ou Depois da Morte.

Entre 1918 e 1927, com grande ressonância, o arqueólogo Frederich Blegh Bond, publicou Contos de Glastonbury, que conta a história dessa famosa Abadia que serve de matéria para os contos a Lenda do Rei Arthur e a Demanda do Santo Graal.  O livro teria sido ditado por monges do século XI e XIV entre os quaís  se encontra o monge Johannes  Briyant que viveu em Glastonbury entre 1497  a 1534.

Em 1830, surgiram três livros de origem mediúnica escritas pelo médium Geraldine Cummings que possuíam os seguintes títulos: Os Escritos de Cleofas, Paulo de Atenas e os Grandes Dias de Éfeso .  Estes livros teriam por finalidade contar a vida das primeiras comunidades cristãs.

Entre os livros escritos e assinados por autores desencarnados encontra-se o romance The Romance of Edwin Drood, publicado em 1874. O autor seria o célebre romancista inglês Charles Dickens e o médium um mecânico americano chamado R. P. James.

O texto foi examinado por diversos críticos literários que o consideram autêntico em razão de sua semelhança com o estilo de Dickens. Neste caso, aconteceu um fato digno de nota:  um estudioso da obra de Dickens  descobriu, entre as cartas do romancista, um capítulo inteiro destinado a ser  incluído no romance mediúnico ao qual a narrativa de James não fazia a menor referência. Achou-se, então, estranho que o autor espiritual houvesse se esquecido deste capitulo, ao escrever a sua novela. De nosso ponto de vista, este fato não inviabiliza a origem mediúnica desta novela, ao contrário, a confirma.

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