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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2014
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Uma das mais belas virtudes que exornam a alma humana é a resignação, a expressar-se na aceitação dos males da existência, por fruto da vontade sábia e justa de Deus.

O Senhor deu, o Senhor tirou! Bendito seja o seu santo nome! – dizia serenamente Jó, após receber a notícia de que seus filhos estavam mortos e perdidos os seus bens.

Surgem, entretanto, sentimentos que, aparentando resig­nação, conduzem a caminhos tortuosos, distanciados dos desígnios divinos.

Há viajores que pedem pouso em albergues, revelando-se conformados com a indigência em que se encontram. Proclamam sua confiança no Todo-Poderoso, mas, quando o Senhor lhes fa­culta recursos de recuperação, no trabalho digno que surge, pre­ferem as incertezas do caminho, demandando nova cidade. Esta resignação chama-se vadiagem.

Há chefes de família que procuram instituições de benefi­cência, a implorar auxílio. Não obstante a precária situação em que se encontram, repetem com convicção: Se Deus quiser, tudo há de melhorar! – mas continuam a pedir, alheios a qualquer esforço, ensaiando a profissão de mendigar. Esta resignação chama-se indolência.

Há crentes fervorosos que enfrentam aflitivos transes, de coração voltado para o Onipotente, sem palavras de desespero ou revolta, mas recusam buscar a normalidade, cultivando durante largos anos impressões que pertencem ao passado. Esta resigna­ção chama-se volúpia de sofrer.

Há ardorosos fiéis que, colhidos por dificuldades e atri­bulações, erguem comoventes preces ao Alto, exaltando sub­missão à Vontade Celeste, mas passam as horas em queixas amargas e azedas imprecações, como se carregassem sobre os ombros as dores do mundo. Esta resignação chama-se comple­xo de vítima.

Admitir na adversidade a manifestação de desígnios divi­nos nenhum bem nos trará se não considerarmos que o Senhor espera, sobretudo, que sigamos adiante, com a disposição de quem pretende melhorar a paisagem do mundo pela renovação de si mesmo.

Se um terremoto destrói nossa casa, é sublime manter a serenidade, considerando que é a Vontade Maior que se cumpre. Todavia, cruzar os braços e esperar que do solo brote nova residência é escolher o pior processo de reconstrução.

Mesmo os transcendentes princípios da Doutrina Espíri­ta que iluminam o caminho humano, proporcionando-nos uma visão panorâmica da Vida, pouco representarão se não alcançar­mos seu significado mais amplo, a indicar que é preciso confiar em Deus, mas é preciso, também, ação decidida no campo de no­bres experiências, para que o Senhor possa confiar em nós, na edificação de um futuro de bênçãos.

Não basta que o conhecimento favoreça a resignação, por­que conhecimento implica responsabilidade de viver. Viver, no sentido exato, é evolver, e ninguém evoluirá sem esforço.

Há muitos anos conhecemos simpática senhora, cujo filho fora vitimado, juntamente com outras crianças, em trágico desas­tre que enlutara dezenas de lares.

Dias mais tarde, enquanto as outras mães ainda choravam, em desespero, ela adotava um órfão, entregando-lhe as roupas, o quarto, os brinquedos e demais pertences do querido morto.

O filho que partiu nunca sairá de seu coração, mas o cari­nho que dedica ao filho que ela acolheu é bênção celeste em sua vida.

Eis a verdadeira resignação:

– Senhor, seja feita a tua vontade! – diz uma mãe que per­deu o filho.

E, cumprindo a vontade do Senhor, aconchega ao seio um filho que perdeu a mãe!

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