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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2014
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Atualmente, espíritas e espiritualistas em geral, bem como um bom número dos chamados “materialistas”, agnósticos, e ainda intelectuais e cientistas de várias áreas, já percebemos, já compreendemos, já sabemos, que somos criaturas portadoras de um potencial incomensurável – e me aventuro a dizer, inesgotável – capaz de realizações e feitos os mais extraordinários face ao conhecimento generalizado compatível com o nível evolutivo comum à humanidade como um todo.

A notável capacidade intrínseca no ser já nos foi comprovada desde há muito, por muitos homens e mulheres, em todas as latitudes e longitudes, a norte e a sul, a leste e a oeste. Jesus de Nazaré, a nós espíritas indicado como modelo e guia, demonstrou no decorrer de sua passagem aqui entre nós o poder do conhecimento aliado ao amor. Assegurou-nos que faríamos o que ele fez e muito mais.

Mas, o que nos deteve, o que nos prendeu na planície da ignorância, da incerteza, da insegurança, do medo, quando poderíamos já ter alçado voo rumo a altas paragens, a regiões cada vez mais elevadas?

Recentemente li uma explicação para o fato de o elefante de circo permanecer parado e quieto, amarrado a uma corrente presa numa estaca de madeira de cerca de um metro e meio apenas, fincada alguns centímetros no chão – um animal com força suficiente para arrancar árvores e suas raízes ali permanece por anos a fio... Um auxiliar perguntou ao domador “por que ele não se solta, bem poderia...” E este respondeu: “nós o prendemos aí desde pequenino; nessa fase, ele tenta soltar-se, tenta, tenta, tenta e não consegue; até que se cansa e desiste; depois, se acomoda; passa o tempo, ele cresce, mas já não tenta porque não acredita que pode e porque se habituou a sua situação”.

De certa forma, em certos casos, em certas circunstâncias e em certas condições, teremos sido, ou ainda somos eventualmente, como o elefantezinho? Desde cedo presos a conceitos castradores, inibidores da nossa capacidade de pensar, questionar, discernir, decidir, domesticados e amestrados, seremos aqueles acomodados, sem expectativa, alma enfraquecida, derrotados antecipadamente pelo medo do fracasso, da dificuldade, inconscientes da imensa força, do incomensurável potencial que trazemos em nós, aquele que justamente despertará em nós os deuses poderosos mencionados pelo Mestre?

Contudo, um cientista – não um religioso nem um místico – mas um cientista, repito, declarou: “no centro da dificuldade repousa a oportunidade” – foi Albert Einstein quem o disse, e o disse com muita propriedade, porque é exatamente isso: no enfrentamento da dificuldade, seja ela qual for, conquistamos a oportunidade da vitória, a oportunidade do crescimento mediante a lição bem aproveitada; e é com essa lição, ainda que duramente aprendida, que acabamos por superar, cedo ou tarde, qualquer dificuldade...

Mas, o que acontece ainda em nosso estágio, é que a dificuldade nos assusta, nos acovarda, nos retém, nos paralisa... Deolindo Amorim, querido e ilustre espírita, afirmou certa feita: “raramente a vida nos oferece a oportunidade para sermos heróis; mas, todos os dias, para não sermos covardes”. E, se refletirmos com carinho sobre essa afirmativa, concordaremos plenamente com seu significado.

Uma das grandes dificuldades da nossa trajetória é hesitarmos em assumir responsabilidade; esta, no entanto, é atitude indispensável para o nosso crescimento, é a chave para abrirmos a “caixa preta” onde encerramos nossa capacidade de raciocinar, de discernir e de tomar o controle das nossas decisões, de utilizar a nossa mente de modo independente, vencendo assim a força do hábito da dependência, de imaginar ser possível alguém outrem, quem quer que seja, realizar nosso progresso espiritual, nossa felicidade.

Hoje, na verdade, já não podemos mais ou, pelo menos, já não mais devemos, nos furtar a usar nosso pensamento para avaliar em profundidade e, de posse dos conhecimentos de que já dispomos, ainda que iniciantes e precários, procurar fazer escolhas mais lúcidas e, consequentemente, provavelmente mais acertadas. Sabemos que hábitos, sobretudo os atávicos, milenares talvez, não são fáceis de serem abolidos, transformados em posturas que possam promover nossa renovação e libertação.

José Saramago escreveu: “vivemos para dizer quem somos”. Assim, títulos, poder autocrático, autoritarismos, arbitrariedades, convenções e convencionalismos já não nos devem assustar porque aquilo que já conquistamos como seres pensantes da criação (LE q.76) – e é isso que somos – nos permite escolher, nos faculta não nos omitirmos, não nos “abafarmos”, não violentarmos os princípios morais e fraternos básicos impressos em nós pelo Criador nos possibilitando caminhar livremente e de forma mais tranqüila e segura, senhores do nosso livre-arbítrio – mas logicamente sujeitos às consequências dessa opção, que certamente serão cada vez mais benéficas.

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