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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2014
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A fim de atrair fiéis para sua igreja, o padre colocou um cartaz na porta: Se você está cansado de pecar, entre.

Alguém anotou, embaixo, letra feminina, um número de telefone, observando: Se ainda não estiver, ligue-me.

A expressão pecado costuma ser situada como uma ofensa a Deus, envolvendo desvios de comportamento, em relação aos princípios religiosos.

Na verdade, jamais ofenderemos a Deus, por mais nos comprometamos no erro, no vício, na maldade. O relativo jamais poderá atingir o absoluto. Não obstante, podemos usá-la para definir um comportamento que compromete nossa dignidade como filhos de Deus, contrariando a filiação divina.

A tradição religiosa fala em sete pecados capitais, passíveis de remeter a Alma para as caldeiras de Belzebu: avareza, gula, inveja, ira, luxúria, orgulho, preguiça.

As religiões situam-se por apelos divinos, convocando-nos a superar o comportamento pecaminoso.

Não obstante, sempre há recadinhos de nossa inferioridade:

– Passe ao largo, desfrute os prazeres, aproveite a vida.

– Não perca tempo com beatices.

– Ligue para mim (dê atenção às minhas sugestões)…

A propósito do assunto, o apóstolo Paulo tem ilustrativa observação (Romanos, 7:19): Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.

É o retrato fiel da condição humana, em que prevalecem instintos primitivos de animalidade, uma espécie de ir ao sabor da correnteza, acompanhando a multidão.

Mais desejável deter do que oferecer.

Mais animador o excesso do que a frugalidade.

Mais fácil revidar do que relevar.

Mais envolvente a sensualidade do que a castidade.

Mais convidativa a inércia do que a ação.

Mais atraente o vício do que a virtude.

Mais motivadora a paixão do que a razão.

Todavia, há consequências indesejáveis:

Quando nos deixamos levar, fica sempre um gosto amargo de fim de festa, uma inquietação indefinível, como se estivéssemos fora dos ritmos da Vida, distraídos dos objetivos da existência, transviados em relação às metas que nos compete alcançar.

Nesses descaminhos, há um encontro tão infalível quanto indesejável: A Dor, mestra severa e intransigente, a serviço de Deus, a cumprir a missão que lhe foi confiada: corrigir nossos rumos, ajudando-nos a trilhar os caminhos retos, superando as tendências inferiores que nos inspiram.

Então, lamentamos o tempo perdido, os comprometimentos, a semeadura de frustrações e angústias.

Imperiosa, portanto, elementar providência, se desejamos aproveitar integralmente as oportunidades de edificação da jornada humana, evitando os penosos encontros com a Dor:

Ignoremos os recados mal intencionados dos instintos.

Atendamos aos convites da religiosidade, em favor de nossa própria renovação.

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