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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2014
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Imitação de Cristo é o nome de um pequeno livro escrito por um monge alemão do século XV chamado Thomas Kempis (1379-1471). Este livro, considerado pelo catolicismo como um dos mais importantes textos para a educação religiosa no Ocidente Cristão, divide-se em quatro partes, a saber: 1) Conselhos para a vida espiritual. 2) Conselhos para a vida interior. 3) Da consolação interior. 4) Devota exortação para a Santa Comunhão.

Nós pretendemos escrever um livro com este título, contudo, o nosso   livro não possui a menor relação com a obra de Kempis. Nele, pretendemos apresentar não um Manual de exercícios espirituais para os cristãos viverem o modelo de espiritualidade que escolheram, porém, pretende dar realce a um tipo de vida onde se poderiam – religiosos ou leigos – experimentar as propostas morais oferecidas por Jesus Cristo.

Assim, a nossa imitação de Cristo seria uma tentativa de colocar em nossa vida cotidiana as propostas que Jesus nos trouxe, mas com a plena consciência de que não vamos nos tornar, com estas práticas, novos cristos, mas apenas pessoas melhores e mais sensíveis às dores de nosso próximo.

            Pretendemos ainda, mostrar a possibilidade de imitar as ações de Jesus em um mundo tão cruel, injusto e violento, porque muitos pesquisadores de religião consideram o cristianismo uma simples utopia, isto é, uma fantasia ou mera ilusão impossível de ser concretizado em qualquer época histórica ou em qualquer lugar geograficamente determinado.

Essas pessoas não negam que Jesus tenha existido e que realizou coisas notáveis, contudo, só realizou tais coisas porque era Deus encarnado e, sendo assim, para ele nada seria impossível, todavia, para nós, simples mortais, fazer o que Jesus fez seria inteiramente impossível.

            A leitura atenta dos quatro evangelhos canônicos, porém, nos revelam três artes ou seções: os fatos maravilhosos chamados, tradicionalmente de milagres; breves referências biográficas de Jesus que servem para dar certa ordem aos fatos maravilhosos e aos relatos tidos como históricos e um conjunto de discursos de ordem moral que se observados e postos em prática, levariam o cristão ao Reino de Deus ou Reino dos céus.

Estes discursos estão disseminados ao longo dos evangelhos, mas se encontram, por assim dizer, concentrados em um capitulo chamado Sermão do Monte que se encontra apenas em dois dos evangelhos sinóticos: Mateus (VI e VII) e Lucas (VI: 17- 46).

            A parte dos milagres e dos relatos que se poderiam chamar de biográficos, possui menor importância que as duas outras.  A terceira parte é aquela em que o cristão sincero deveria se concentrar, fixar e pôr em prática. Essa parte se constitui na Boa Nova ou no Evangelho propriamente dito e nela se encontra o programa moral que, se bem desenvolvido por nós, nos tornará verdadeiros cristãos.

             O que, porém, Jesus pediu que fizéssemos? Vejamos.

Jesus jamais nos pediu que ressuscitássemos os mortos; que andássemos sobre as águas; que devolvêssemos a visão a cegos; que limpássemos os leprosos; que fizéssemos surdos ouvirem ou mudos falarem; que acalmássemos tempestades ou nos transfigurássemos. Nada disto.  Ele nos pediu coisas aparentemente bem mais simples como: aumentar a nossa fé em Deus ao máximo   que nos for possível; ser menos egoístas e mais altruístas; ser mais sensíveis às dores de nosso próximo; perdoar os que nos ofendem como gostaríamos de ser perdoados; lutar contra o nosso orgulho, vaidade e prepotência; dizer não à mentira e buscar acima de tudo a verdade.

   Aparentemente essas solicitações de Jesus são coisas bem mais simples do que ressuscitar mortos, andar sobre as águas ou acalmar tempestades. Mas isso é apenas aparência pois há mais de dois mil anos estamos tentando realizar esse projeto sem maiores resultados. As guerras contemporâneas, as ações terroristas; o comércio e consumo ilegais de drogas; a pedofilia, inclusive entre religiosos, comprova que estamos  muito, muito longe de seguirmos o ideal cristão.

           Este livro tem por proposta retomar esses temas e discutir a possibilidade de colocar em prática a moral cristã, provando que o cristianismo não é uma utopia, mas algo factível que podemos realizar. Isso só depende de nós, de nosso esforço sincero para nos tornar pessoas melhores. A partir daqui vamos analisar esta proposta um pouco mais detidamente.

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