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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2014
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Ouvistes o que foi recomendado aos antigos: “Não matarás” e “quem matar, estará sujeito a jul­gamento”. Eu, porém, vos digo que quem quer que se encha de cólera contra seu irmão, estará sujeito a julgamento; que aquele que disser a seu irmão: ‘Raca’, estará condenado pelo tribunal; e que aquele que lhe disser: ‘És louco’, merecerá conde­nação ao fogo do inferno . (Mateus, 5:21 e 22.)

Sentenciando: Ouvistes o que foi recomendado aos anti­gos, Jesus refere-se às escrituras sagradas do Judaísmo, para citar determinado trecho que irá abordar. Em seguida, usando outra expressão: Eu, porém, vos digo, enunciava ensinos que alterariam substancialmente conceitos temporais superados pela sua moral ou dar-lhes-ia um alcance maior, oferecendo ao homem uma vi­são mais clara de si mesmo e uma responsabilidade mais bem definida em relação ao semelhante.

Aqui Jesus ensina que cometemos falta, não apenas quando matamos alguém, mas também quando nos encoleriza­mos contra o próximo, quando colocamos em dúvida sua sanidade mental ou quando o desprezamos, o que os judeus faziam pro­nunciando a palavra raca – que significava homem sem ne­nhum valor –, e enunciavam-na cuspindo de lado para deixar bem claro que a pessoa não merecia nenhuma consideração.

Embora fora do alcance da justiça humana, esse tipo de comportamento é de uma violência arrasadora, capaz de matar, na vítima, o bom humor, a coragem, a alegria, a estabilidade íntima. Há indivíduos tão agressivos que conseguem aniquilar nas pessoas a própria vontade de viver.

Por isso, sempre que a nossa palavra se transformar em estilete agudo, contundente, a ferir o semelhante, estaremos en­quadrados como matadores do sossego alheio, a nos impor estágios depuradores de inquietação e angústia em penitenciárias interiores, situadas em nossa própria consciência.

Há quem diga: – Quando me exaspero com alguém é porque já me aborreceu ou prejudicou tanto, que feriu mortalmente mi­nha paciência.

Semelhante raciocínio revela total desconhecimento dos princípios evangélicos. Segundo Jesus, a base fundamental de nossa estabilidade íntima não é o que os outros nos fazem, mas o que fazemos aos outros. O mal atirado em nossa direção somente nos atingirá na proporção em que lhe oferecermos guarida e nos propusermos a usá-lo em revide.

Se alguém nos remete uma bomba pelo correio e souber­mos qual o conteúdo do pacote, seremos tolos se nos dispuser­mos a abri-lo. O mesmo acontece com as injúrias que nos fazem. São bombas perigosas, capazes de colocar em risco nossa própria saúde. Por que recebê-las, reagindo negativamente? A atitude mais acertada é a compreensão.

Se procurarmos ver no remeten­te alguém certamente perturbado por problemas e desajustes que lhe inspiram tal agressividade, teremos condições para desativar a bomba, preservando o próprio equilíbrio.

Num conges­tionamento de tráfego, provocado por desarranjo em veículo à frente, será inútil ficarmos buzinando impacientes. Melhor será ajudar o motorista a resolver seu problema para que possamos prosseguir a viagem.

O mesmo acontece no relacionamento hu­mano. Não raro as pessoas atravessam nosso caminho, estaciona­das na perturbação, trazendo-nos constrangimento e mágoa. Não adianta fazer soar buzinas de irritação. É fundamental usemos de compreensão e nos disponhamos a deixar o carro do melindre e do ressentimento, tratando de ajudar o companheiro, a fim de que nos libertemos.

Toda moral evangélica se funda num ponto essencial: nos­sa felicidade está subordinada não ao que recebemos, mas ao que damos. Aqueles que justificam sua agressividade, sua impaciên­cia, seus desajustes, atribuindo-os ao comportamento alheio, ain­da não aprenderam nem apreenderam nada do Evangelho.

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