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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2014

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Observemos a fauna, paciente e crescente sempre, a extrair da terra o adubo natural, desenvolvendo-se em sua diversidade com beleza e propósito, a despeito das intempéries e tormentas.

Analisemos o fenômeno do nascimento em todas as espécies, onde um único núcleo celular dá origem a corpos, humanos ou não, de extrema complexidade, mapeados pelos genes, sempre dinâmicos, ao sabor da evolução vagarosa, porém, contundente.

Comparemos a crosta terrestre dos tempos de pangeia até o momento atual. Imaginemos o caos e destruição causados pela movimentação das placas tectônicas, equilibrando-se sob a batuta dos impulsos intraterrenos, permitindo a configuração geofísica atual.

Nos exemplos acima, como em muitos outros, o tempo foi o maestro da transformação, seja permitindo ou fomentando a mudança, o fenômeno é natural, mas o ritmo ocorre através dos dias, anos ou séculos a fio.

A reflexão é profunda.

Rogamos as transformações de base e profundas, sem dar o devido espaço temporal para as ocorrências.

- Desejamos as mudanças sociais, sem compreender que a sociedade é a somatória da moralidade de um grupo. A moralidade não se molda com palavras ou conhecimento puro e simples, mas com a maturação da fé e vivência do aprendizado e do amor, o qual sempre roga pelos anos, por vezes muitos e muitos anos.

- Pedimos arduamente a resolução imediata das nossas dificuldades, sejam financeiras ou familiares, sem considerar que as mesmas não se construíram num curto espaço. O familiar difícil é reflexo da inconsequência de longa data, o qual já sofreu certo burilamento, e encontra-sepronto para receber de nós as doses do amor, sob a convicção da paciência.

Resultados expressivos requerem os trabalhos na mesma proporção, contudo, jamais colheremos os resultados se não soubermos aguardar o levedo do tempo nas almas.

Sedesejamos o fruto, não devemos despetalar a flor.

Por não saber esperar, Judas, o escariotes, promoveu a captura e martírio do Cordeiro de Deus, nas 30 moedas de prata mais caras da humanidade. Lamentável, porém didático.

Deus sempre age nas maiores crises e erros, concedendo a rediviva a todos, promovendo, após longas e dolorosas reencarnações, a paz ao espírito.

Percebamos que o tempo é um dos ingredientes imprescindíveis da divindade, assim como o trabalho, a fé, a caridade, entre outros.

Jamais desprezemos a ação do tempo, pois através do mesmo se apresenta o amor.

A visão imediatista destrói planos e bloqueia a fé, por vezes, observamos o cenário caótico e afirmamos “não tem mais jeito”, não refletimos em como o cenário se deu, nem na complexidade da solução, queremos apenas que se resolva na velocidade de nossa ansiedade. Não é possível. O tempo da transformação é de Deus, dentro de uma expectativa de resolução onde as minudências são necessárias para que se crie a maturidade necessária, em um resultado definitivo.

Por vezes, a questão tem o caráter da paciência, por vezes de fé.

Desejar mudanças à revelia do tempo, é como desejar que a Terra complete seu ciclo em torno do astro rei em menos de 365 dias.

O tempo, unido às oportunidades e trabalho, causam naturalmente as transformações silenciosas. Observamos o caos, sem refletir nos resultados positivos, pois desviamos novamente a atenção para outro problema. Talvez o nosso espírito ainda se afine na desordem, consideremos focar mais na ação do amor, para ampliação da própria fé.

Busquemos razões para acreditar e não para falir.

O tempo transformou Herodes, o grande, através de doloroso processo, em São Vicente de Paula. Os séculos transformam os líderes do mal em trabalhadores do amor.

O imediatista soçobra na fé.

Não desanimemos diante do irmão que abandona a tarefa. Se alguém te atira o fardo aos pés, coloca-o nos ombros, segundo as nossas possibilidades. O Cristo nos ensinou a andar mais dois mil passos àquele que nos constrange a andar mil e a entregar a túnica, onde nos é pedido somente a capa.

Não tenhamos medo do caos, do trabalho e da espera. Não permitamos que a insegurança abale as estruturas da nossa fé. As transformações são necessárias e, por vezes, vêm representadas descrição, por vezes pela destruição, para que nova instituição se reerga.

Já mencionamos o sol hoje. Pois bem, ele é testemunhade quinta grandeza, das transformações do universo, a se dilatar, refazer, criar e destruir, ao sabor da necessidade de Deus.

A alma também possui o seu relógio, cadenciando a evolução, assimilando o conhecimento, maturando as experiências, coordenando as reflexões. A consciência é o relógio de Deus em nós.

Resguardemos esta faculdade com bastante carinho, ela norteará a bússola do crescimento moral.

Em harmonia, ouvimos Deus.

Assim como no Universo, temos as provas divinas em nossas almas. Compreendamos que, onde o amor trabalha, Deus opera.

Paz a todos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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