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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2014
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O ano de 2012 marcou o aniversário de 50 anos de criação, no Brasil, do Centro de Valorização da Vida.

Inspirado na experiência do grupo The Samaritans, fundado na década de 1950, em Londres, com a finalidade de prestar assistência a candidatos ao suicídio, o CVV, como se tornou conhecido entre nós, iniciou suas atividades em São Paulo no dia 1 de março de 1962, inaugurando uma bela trajetória de benefícios inestimáveis prestados a serviço da vida.

Contando com trabalho voluntário de milhares de pessoas, o principal papel desempenhado pelo CVV é o Programa de Apoio Emocional àqueles que desejam se matar. Utilizando-se do telefone, chat, e-mail, VoIP, correspondência ou pessoalmente nos postos do CVV em todo o País, qualquer pessoa tem acesso livre e gratuito ao serviço, que tem conseguido ótimos resultados na dissuasão da ideia suicida.

Segundo o site do grupo, “o Centro de Valorização mantém também o Francisca Julia Saúde Mental e Dependência Química e trouxe ao Brasil em 2004 o Programa Amigos do Zippy. Trata-se de um programa de desenvolvimento emocional para crianças de seis e sete anos em escolas públicas e particulares. Após o amadurecimento do Programa, foi fundada a Associação pela Saúde Emocional de Crianças – ASEC, para sua gestão. São mais de 18.500 crianças beneficiadas por ano em 323 instituições de 39 cidades” 1.

Uma das políticas do grupo é o anonimato. Não apenas se desconhece a identidade dos seus colaboradores, como também de seus fundadores, que adotaram tal postura para garantir o caráter impessoal do trabalho e, consequentemente, o seu melhor desempenho.

Apesar do nosso dever de compreensão e respeito a essa opção, que revela nobreza e desprendimento dos idealizadores de tão proveitosa iniciativa, não nos podemos furtar, porém, a assinalar um aspecto importante dessa história: a influência positiva e decisiva que certo livro espírita e certa médium exerceram para concretização do CVV.

Falamos do livro Memórias de um suicida e da médium Yvonne do Amaral Pereira.

Em entrevista datada do dia 17 de julho de 1979, Elizabeth Operti, sua sobrinha, que entrevistava a saudosa médium juntamente com seu marido, Mauro Operti, e o já desencarnado médium Altivo Pamphiro, pergunta sobre os benefícios que o livro Memórias de um suicida produzira até então. Yvonne Pereira, diante do questionamento, faz a seguinte revelação:

“Esse movimento (de valorização da vida) é mundial, mas no Brasil, ainda não havia. Jacques Conchon, nosso confrade de São Paulo, criou essa instituição influenciado pelo Memórias de um suicida, por causa do apelo que o livro faz para os homens, para que criem alguma coisa para evitar o suicídio... Não fazer nada e depois ficar confortando o suicida também não é um trabalho completo. Então, ele criou esse movimento. Hoje, há até hospitais. E, aqui no Rio, está em funcionamento uma filial dessa obra de São Paulo. Tem plantão noite e dia... São verdadeiros abnegados esses espíritas que passam a noite lá. É uma coisa muito disciplinada. Eles se propõem a receber o apelo da pessoa que está sofrendo”

2. Com efeito, Jacques Conchon foi fortemente influenciado pela leitura dos relatos de Camilo Castelo Branco. Visitava frequentemente a médium, na casa de sua irmã Amália, e esses encontros geraram o estímulo necessário para que, fundamente sensibilizado pela necessidade de se fazer algo em favor dos potenciais suicidas, se associasse a outros dois amigos, Flávio Focássio e Valentim Lorenzetti, para dar início a essa grande obra de amor à vida, que projeta suas luzes em todos os cantos do País.

Se a nossa admiração pelo trabalho da parceria Yvonne A. Pereira/ Camilo Castelo Branco já era grande, face à excelência literária do livro e à riqueza doutrinária de suas páginas, muito mais felizes ficamos ao saber que esse fruto opimo do Consolador tem produzido muitas sementes que, lançadas em solos fecundos, tem produzido outros tantos frutos de amor e iluminação.

Que possam receber, Camilo e Yvonne, onde quer que se encontrem, as preces que nossos gratos corações lhes endereçam, com sentimento e verdade. E que possam receber, os anjos anônimos do Centro de Valorização da Vida, a renovação de forças necessárias para prosseguirem, firmes e gentis, nesse belo desiderato de reaquecer corações que se deixam fraquejar por entre as rudes provações da existência!

 


1 Informação disponível em: < http://www.cvv.org.br/site/conheca.html>.

2 PEREIRA, Yvonne A. (autora); CAMILO, Pedro. (organizador). Pelos caminhos da mediunidade serena. 3ª ed., Bragança Paulista: Lachâtre, 2013, p. 114.

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