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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2015
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Allan Kardec, em seu comentário à questão 798, nos esclarece que: “As ideias não se transformam senão com o tempo, e não subitamente; elas se enfraquecem de geração em geração e acabam por desaparecer pouco a pouco com os que as professavam, e que são substituídos por outros indivíduos, imbuídos de novos princípios, como se verifica com as idéias políticas”.

É impressionante a atualidade de tal colocação! Constatamos facilmente a todo tempo que só com o tempo verifica-se uma real mudança de ideias, conceitos e atitudes. Após muitos anos, séculos e até milênios de experiências e expectativas em todos os campos de atuação do homem, podemos observar, no passado através dos registros históricos, e no presente através do acompanhamento dos fatos que nos chegam com velocidade cada vez maior, que efetivamente nenhuma transformação nem renovação ocorrem do dia para a noite – mesmo na era quântica, na era da eletrônica cada vez mais apurada.

Certamente, em virtude desses milênios de vivências, em que erramos e acertamos, é que hoje já podemos perceber novas situações em que os ideais e atitudes se voltam mais para os valores éticos e morais – por exemplo, nunca se viu a polícia investigativa agir de modo tão imparcial, sem se deter diante de títulos e cargos elevados, sem medo das consequências ao enfrentar figuras de renome nas áreas mais diversas antes consideradas intocáveis, inclusive a religiosa. Foram desmascarados políticos, juízes, médicos, educadores laicos e religiosos, militares, executivos de alto nível e até policiais, assim como traficantes e bandidos de toda espécie. Haja vista a Comissão Nacional da Verdade que, se não restitui as vítimas ao seio familiar e social, restitui a seus familiares o valor da justiça e a esperança de tempos melhores; os decretos e as leis a benefício do cidadão, de respeito ao trabalhador de todas as áreas, à criatura como ser humano com seus direitos e deveres, qualquer seja a sua condição social, sua etnia, sua opção sexual, sua estatura intelectual.

Também nos parece que nunca antes se viram tantas iniciativas, individuais e coletivas, cada vez mais voltadas ao bem da humanidade. Podemos ver ações nos mais variados ramos, sejam no campo médico, social, educacional, econômico, de desenvolvimento cultural e científico, ações essas cada vez mais conscientes e cooperativas; e verificam-se ainda quantas dessas criaturas são jovens de todas as categorias, até mesmo daquelas consideradas de menor condição social... E jovens de todas as idades, contribuindo de forma espantosa, fraterna, solidária e muitas vezes graciosamente, para a melhoria de vida das pessoas.

Não foi à toa que os Espíritos responderam à Kardec, na questão 573 de O Livro dos Espíritos que “a missão dos Espíritos encarnados consiste em instruir os homens, ajudá-los a avançar, melhorar as suas instituições por meios diretos e materiais”.

Tem-se hoje a impressão de um despertar generalizado, de uma conscientização paulatina e irreversível, apesar de ainda existirem situações de extrema violência e bolsões onde ainda impera a ignorância; mas agora isso gera indignação saudável e reais anseios de mudança. Mudança que só ocorrerá de dentro para fora, isto é, a partir de uma transmutação dos nossos conteúdos íntimos menos nobres e consequentemente prejudiciais ao mundo e a cada um de nós mesmos.

Mais uma vez nos lembramos de Kardec, na Revista Espírita de outubro de 1866, no estudo Os Tempos são Chegados: “Não é o Espiritismo que cria a renovação social, é a maturidade da humanidade que faz desta renovação uma necessidade. Por seu poder moralizador, por suas tendências progressivas, pela amplidão de suas vistas, pela generalidade das questões que abarca, o Espiritismo está, mais que qualquer outra doutrina, apto a secundar o movimento regenerador (...)

E em A Gênese, cap.XVIII, quando fala da Nova Geração, ele acrescenta: “A época atual é de transição; os elementos das duas gerações (a velha e a nova) se confundem (...) A nova geração, devendo fundar a era do progresso moral, distingue-se por uma inteligência e uma razão geralmente precoces, unidas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas (...)

Portanto, nesse novo ano, depois de assistirmos a tantos acontecimentos significando a derrocada de todo um conjunto de conceitos e preconceitos geradores de miséria e infelicidade, reafirmemos nossa confiança nos ensinamentos espiritistas que colocam com tanta transparência as leis naturais, justas e amorosas, as quais nos fornecem alicerces sólidos e bem estruturados para a construção de tempos novos, em que novas atitudes e melhores escolhas permitirão ao homem finalmente vivenciar a solidariedade e a reciprocidade necessárias ao estabelecimento de uma nova sociedade mais justa e mais feliz. A todos um feliz 2015, de muita reflexão e boas realizações!

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