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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2015
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- LANÇAMENTO POR INICIATIVA DO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA E DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA – NÚMEROS ASSUSTADORES – 17% DAS PESSOAS NO BRASIL PENSARAM EM ALGUM MOMENTO EM TIRAR A PRÓPRIA VIDA – OBJETIVO DA CARTILHA – VISÃO ESPÍRITA DO SUICÍDIO – LITERATURA ESPÍRITA PREVENTIVA – O VALOR DA CARTILHA DO CFM -

Em uma ação inédita, Conselho Federal de Medicina – CFM e Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, firmam parceria para combater os altos índices de suicídio no Brasil. Segundo dados, 17% das pessoas no Brasil já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. Por isso, as duas entidades se empenharam em criar uma cartilha para orientar os médicos e profissionais da área de saúde em casos de tentativa de suicídio ou para identificarem possíveis casos em seus pacientes. A cartilha fala sobre como abordar um paciente, explica de que forma as doenças mentais podem estar relacionadas ao suicídio, os fatores psicossociais e dados atualizados sobre o tema. Se você quiser imprimir a Cartilha, digite: http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14.

 

NÚMEROS ASSUSTADORES

 

Na apresentação da cartilha, o Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital T. Corrêa Lima, e o 3º Vice-presidente do CFM, coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria, Emmanuel Fortes S. Cavalcanti, dizem:

“Todos os anos são registrados cerca de dez mil suicídios no Brasil e mais de um milhão em todo o mundo. Por sugestão da Comissão de Ações Sociais (CAS) do Conselho Federal de Medicina (CFM), essa silenciosa epidemia tornou-se uma das prioridades da Câmara Técnica de Psiquiatria da entidade que, com o apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), lança esta cartilha, intitulada Suicídio: informando para prevenir.

As entidades médicas acreditam em uma sociedade engajada na defesa pela vida e em gestores comprometidos com políticas públicas que realmente transformem esse cenário. É possível prevenir o suicídio, desde que os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecer os seus fatores de risco.

Por isso há, neste trabalho, informações que podem ajudar a sociedade a desmitificar a cultura e o tabu em torno do tema e auxiliar os médicos a identificar, tratar e instruir seus pacientes. Espera-se que esta contribuição ajude no enfrentamento deste grave problema de saúde pública”.

 

OBJETIVO DA CARTILHA

 

O suicídio é uma grande questão de saúde pública em todos os países. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2014), é possível prevenir o suicídio, desde que, entre outras medidas, os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, estejam aptos a reconhecerem os fa­tores de risco presentes, a fim de determinarem medidas para reduzir tal risco e evitar o suicídio.

O risco de suicídio é uma urgência médica devido ao que pode acarretar ao indivíduo, como desde lesões graves e incapacitantes, até a sua morte. A avaliação sistemática do risco de suicídio deve fazer parte da prática clínica roti­neira de qualquer médico. Uma tentativa de suicídio é um evento que pode levar os indivíduos a um primeiro contato com um profissional que os ajude. Na maioria das vezes, este primeiro contato não se dará com um psiquiatra, mas com um profissional dos serviços de pronto-atendimento, um médico da atenção básica. Revendo as diversas estra­tégias preventivas de suicídio, conclui-se que melhorar os serviços de saúde e desenvolver intervenções efetivas para o grupo de pacientes com risco de suicídio é fundamental, considerando-se que, como será visto adiante, uma tenta­tiva de suicídio é o principal fator de risco para outra ten­tativa e para o próprio suicídio. Abordar adequadamente esse indivíduo pode garantir que sua vida esteja salva no futuro.

Fornecer informações aos médicos sobre o tema, de forma a ajudá-los a identificar pessoas em risco e prevenir o ato suicida, é o objetivo principal da cartilha.

 

MITOS E VERDADES SOBRE O SUICÍDIO

 

MITOS

VERDADES

 

O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exerci­tar o seu livre arbítrio.

Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percep­ção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da pre­venção do suicídio. Após o tratamento da doença mental, o desejo de se matar desaparece.

 

 

Quando uma pessoa pen­sa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida

O risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.

As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção.

A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de se matar.

Se uma pessoa que se sentia deprimida e pensa­va em suicidar-se, em um

momento seguinte passa a se sentir melhor, normal­mente significa que o pro­blema já passou.

Se alguém que pensava em sui­cidar-se e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar-se pode sentir-se "melhor" ou sentir-se aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se matar.

 

 

Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive à uma tenta­tiva de suicídio, está fora de perigo.

Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada. Como um preditor do comporta­mento futuro é o comportamento passa­do, a pessoa suicida muitas vezes continua em alto risco.

Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco.

Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamen­tos trazem.

É proibido que a mídia aborde o tema suicídio.

A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saú­de pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fun­damental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda etc.

 

VISÃO ESPÍRITA SOBRE O SUICÍDIO

 

Na entrevista que concedi à Revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, de novembro do ano passado, disse que “partindo da premissa de que a vida pertence a Deus, o único que dela pode dispor, e de que a encarnação nos é dada para progredirmos espiritualmente, o suicídio é um crime, pois atenta contra o direito que cada ser possui de viver. A Doutrina Espírita demonstra que pela prática do suicídio a alma não desaparece com o corpo físico, pois ela é imortal, e que passa a sofrer as consequências da destruição do seu invólucro carnal.

E mais, diante da realidade da vida espiritual, o suicídio jamais será a melhor saída ou solução para as questões que temos de resolver, pois a vida continua depois da morte e o Espírito carregará consigo todas as preocupações desta existência, com o agravante de responder, perante a Lei Divina, pelo ato cometido contra a própria vida.

Em resposta à questão endereçada ao Benfeitor Espiritual Emmanuel, (1) registrada no livro O Consolador, psicografado por Chico Xavier, opinou que: “de todos os desvios da vida humana, o suicídio é, talvez, o maior deles, pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da Lei de Amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens, sem a luz da Misericórdia.”

 

LITERATURA PREVENTIVA DO SUICÍDIO

 

Nesse sentido, indicamos inicialmente duas obras da codificação do Espiritismo que tratam do tema, e que lhe dão fundamentação teórica: O Livro dos Espíritos, nas questões 943 a 957, e O Céu e o Inferno (5), no capítulo V, segunda parte, no qual Allan Kardec apresenta nove comunicações de espíritos suicidas, que nos dá uma visão prática do assunto.

De caráter mediúnico, indicamos o livro Memórias de Um Suicida, ditado pelo Espírito Camilo Castelo Branco, à médium Yvonne A. Pereira. Neste livro, o autor descreve a sua dolorosa experiência no plano espiritual após a desencarnação resultante de suicídio, transmitindo valiosos ensinamentos, especialmente aos que se deixam avassalar pela ideia de por termo à existência física.

E, ainda, de autores encarnados, o livro publicado pela FEB, no ano de 1940, de Almerindo Martins de Castro, O Martírio dos Suicidas, e de Richard Simonetti, Suicídio – Tudo o que você precisa saber. Publiquei também dois livros sobre essa temática. O primeiro, que já vai para a quarta edição: Suicídio e suas Consequências, pela Editora Mauad, em fevereiro de 2000, no qual segundo inspiração da nossa querida Yvonne Pereira eu não deveria passar de 30 capítulos e deveria colocar ao final de cada um deles, uma máxima de Jesus para atenuar o peso do tema abordado. Essa obra foi traduzida para o Esperanto com o título Memortigo Kaj Giaj Konsekvencoj e publicada pela Editora Lorenz.

No outro livro, editado pela “Novo Ser”, A Vida Pede Passagem, apresento, na primeira parte, temas voltados para a prevenção do suicídio e na segunda, para a prevenção do aborto. Na terceira, apresento mensagens de autoajuda e preces para levantar a autoestima das pessoas carentes de apoio espiritual.

 

O VALOR DA CARTILHA DO CFM

 

Em muito boa hora surge a Cartilha Suicídio: Informando para prevenir, voltada para a orientação dos profissionais de saúde e as unidades de pronto atendimento que atendem inicialmente as pessoas com propensão ao suicídio ou que fizeram a tentativa de por termo à própria vida. Se esses profissionais da saúde – Técnicos de enfermagem, Enfermeiros, Médicos e outros, aqui incluindo os atendentes (recepcionistas) – não estiverem devidamente qualificados e humanizados, a questão do suicídio, hoje considerado não apenas um problema de saúde, mas social, tenderá a se agravar.

Mesmo não levando em consideração a imortalidade da alma e a continuidade da vida após a morte, o documento agora publicado é de grande valor, pois se faz um suporte à vida, o direito mais sagrado do ser humano na Terra: o Direito de viver, sempre, diante de todas as circunstâncias, pois na vida tudo passa, mais dia menos dia, menos o amor e a misericórdia de Deus para cada um de nós.

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