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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2015

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Nascido no Nordeste, desde cedo ouço a expressão que dá título a este artigo. Quando se queria um favor, de tal forma urgente e inevitável, postava-se mãos em forma de oração, cingia-se o cenho, marcava-se o tom de voz com sonoridade de vera súplica e se acrescia o “por tudo quanto há de mais sagrado”, por favor: atenda-me!

Como bom nordestino, aqui destino minha súplica ao Alto.

Não espero que cegos vejam, mas que os sãos da vista não mintam nem omitam as paisagens que o Espiritismo oferece.

Não peço que ninguém se encharque ou se queime nos vieses que a oscilação da temperatura provoca, mas que saibamos aproveitar o clima espiritual para que, ajustados aos ventos do verdadeiro sentido de servir com qualidade, não roubemos à Doutrina Espírita suas marés de ciência e filosofia.

Não invoco – nem evoco – santos, anjos ou espíritos puros para nos isolar ou nos afastar do trabalho e da necessidade de superação, porém adoraria saber que os espíritas estão na luta espírita, onde Jesus e Kardec são nossos modelos e padrões, em vez de sofismas ou achismos que tanto maculam o Espiritismo.

Sei que de pouco adiantaria pedir que todas as enfermidades do mundo desaparecessem como por encanto, todavia peço que os enfermos – do corpo e da alma – que cheguem à Casa Espírita recebam o melhor, tanto da mensagem espírita em si como da ação da fé, tal como está definida no capítulo 19 d’O Evangelho Segundo o Espiritismo, especialmente nos itens 5 e 12.

Mas por que estou eu a rogar essas e outras coisas que parecem tão óbvias? Claro que por algum motivo ligado ao magnetismo.

É que me dói saber que uma alta personalidade do movimento espírita está dizendo ter sido necessário criar um neologismo em nossas atividades, certamente para suprir o que o codificador não deve ter falado... Mas fico de fato estupefato quando o neologismo ao qual foi referido é “passe espírita”. Quer dizer então que o senhor Allan Kardec não falou sobre isso? Terá ele falhado tanto assim? Ou será que estamos querendo ser “cegos conduzindo cegos”, conforme preconizou Jesus?

E o que dizer quando a mesma personalidade apresenta o argumento de que “para ser magnetizador não precisa ser espírita”, com isso querendo dizer que passista espírita não deveria se preocupar em ser magnetizador? Mas, a bem da verdade, quase tudo que se queira ser não depende de se ser ou não ser espírita; pode-se ser médium, escritor, palestrante, motorista, engenheiro, psicólogo, médico, gente boa, gente complicada, enfim, nada disso pede que sejamos espíritas para vir a sê-lo. Ou será que com a afirmativa dele está-se apenas querendo dizer que magnetizador não deve ser espírita ou que na Casa Espírita não deve ter magnetizador; será isso?

Uma questão, todavia, está acima dessas todas: será que o Espiritismo perdeu de vez o vínculo com seu lado ciência? Será crível que quem queira se desenvolver por esse lado, no meio espírita, esteja condenado?

Segundo o Dicionário Houaiss, idiossincrasia tem duas pontuações; uma diz respeito à Medicina enquanto a outra é atribuída ao comportamento [1. Rubrica: medicina. predisposição particular do organismo que faz que um indivíduo reaja de maneira pessoal à influência de agentes exteriores (alimentos, medicamentos etc.) 2. característica comportamental peculiar a um grupo ou a uma pessoa]. Esse verbete é muito usado por escritores e palestrantes mais eruditos e nem sempre é bem entendido. Na maioria das vezes, quando dizemos que algumas pessoas colocam suas idiossincrasias no primeiro plano de suas abordagens, não estamos afirmando que elas apresentem suas opiniões pessoais – sentido brando correspondente ao termo – e sim que elas interpõem suas atitudes e percepções comportamentais, sem o menor respeito ao que seja real ou verdadeiro. E infelizmente é isso que personalidades, como a que citei acima, fazem, deixando limpidamente claro que não se envergonham de contradizerem a lógica, o bom senso e a inteligência das outras pessoas.

A obra de Allan Kardec – toda ela, e não apenas o Pentateuco – precisa ser lida sim, estudada também, mas sobretudo RESPEITADA por quem se diz lhe seguir a base.

Por tudo isso é que enfatizo: “‘Por tudo quanto há de mais sagrado’, mesmo que nem sequer você seja espírita, respeite sua base. Porém, se você é dirigente espírita, compenetre-se de que sua responsabilidade é ainda maior”.

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