pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Março 2015

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

Compartilhar -

Jesus, o divino modelo, como definiu Allan Kardec, (1) traçou-nos uma diretriz, que constitui um apelo para o nosso comportamento com o próximo, nos caminhos da ascensão, na mais pura caridade: “Ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita”. (2)

Em nossa trajetória, temos dificuldades e obstáculos; entretanto, isso não nos impede socorrer, sem alarde, os que se encontram envoltos em necessidades materiais, morais, psicológicas e emocionais. Alguns exclamam do alto de suas convicções: eu também tenho muitos problemas para resolver e não posso me deter no caminho!

Respeitemos as pessoas, sabendo que ninguém é igual. Dos mais de sete bilhões de habitantes catalogados na Terra, não há um sequer que se assemelhe totalmente, nem os gêmeos univitelinos são iguais, com aspectos biológicos e destinos completamente diferentes, como comprovaram, no ano de 1953, os cientistas Francis Crick, James Watson, Maurice Wilkins e Rosalind Franklin, na descoberta do DNA.

A caridade deve ser feita independentemente de situações e pessoas, evitando a ostentação, escondendo, sutilmente, a colaboração, sem nenhuma espécie de cobrança.

Em nossos comentários e ações, devemos ter o cuidado de não ferir nem condenar ninguém. A ajuda pela ajuda, à disponibilidade de fazer o bem, no momento da necessidade de quem quer que seja.

Allan Kardec, quando reunia os textos de que nasceria O Livro dos Espíritos, teve certa noite um desdobramento pelo sono e foi conduzido por um emissário dos Planos Superiores a uma região nevoenta onde gemiam milhares de entidades em enorme desespero.

Kardec perguntou-lhe, espantado:

— São os crucificadores de Jesus que aqui se encontram?

E o guia lhe respondeu, solícito: — Nenhum deles. — Apesar de responsáveis, não sabiam o mal que praticavam. O próprio Mestre auxiliou-os a se resgatarem perante a Lei, em abençoadas reencarnações.

Kardec indagou, novamente:

— Decerto são os imperadores romanos que sofrem nestes sítios o que fizeram sofrer a humanidade?

— Não. Homens da categoria de Tibério e de Calígula não possuíam a mínima noção de espiritualidade. Depois de estágios regenerativos muitos se elevaram a esferas superiores.

— Serão os algozes dos cristãos primitivos? — volta a inquirir o educador, sequioso de colher a verdade.

— De modo nenhum — replicou o lúcido cicerone —, os carrascos dos seguidores de Jesus eram homens e mulheres quase selvagens, apesar das tintas de civilização que ostentavam. Todos estão reencarnados para se instruírem a caminho da evolução.

— Então, responda-me — rogou Kardec, emocionado —, que sofredores são estes cujos gemidos me cortam a alma?

E o orientador esclareceu, imperturbável:

Os que aqui se encontram foram educados ao Bem e à Verdade e fugiram deliberadamente, especialmente os cristãos infiéis de todas as épocas, conhecedores das lições do Cristo, que deixando de fazer o bem se entregaram ao mal, por livre vontade. Para eles, a oportunidade de reencarnar é sempre mais difícil.

Após o choque da observação, Kardec retornou ao corpo e, de imediato, levantou-se e escreveu a pergunta que apresentaria, na noite próxima, ao exame dos mentores da obra em andamento e que figura como a questão 642, de O Livro dos Espíritos:

“Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?” Pergunta que os Espíritos Superiores responderam: “Não; cumpre-lhe fazer o bem, no limite de suas forças, porquanto responderá por todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem.” (3)

A vida é essência divina e todos nós, sem exceção, nos encaminhamos à suprema felicidade, em direção a Deus, nossa meta final.

Sigamos o exemplo da natureza, que sempre incansável, nos fornece tudo o de que precisamos, nada nos exigindo em troca. Façamos como o rio, que vence todos os obstáculos para atingir o mar, exaltado no soneto de minha autoria: (4)

No esplendor das estrelas

O rio nasce da fonte que descansa

E, intrépido, põe-se a caminhar.

Não há nada que o faça parar,

Em progresso lento e constante, avança...

Com suas águas claras e com pujança,

Rompendo barreiras, vai para o mar.

Desenhando o solo, parece cantar

Um cântico sublime de bonança.

Faze como o rio. Vive com amor!

Não te ires. Segue com destemor!

Aceita as dores e canta a bendizê-las!

Trabalha pro bem com fé no Senhor

E estarás, um dia, em todo o esplendor,

Bordando o céu ao lado das estrelas!

Muita paz!

Notas bibliográficas:

1 – O Livro dos Espíritos – Comentários de Allan Kardec à questão nº 625.

2 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Mateus, 6.3.

3 – Cartas e Crônicas – Irmão X – Francisco Cândido Xavier

4 – Os Morfeus do Sonho – Itair Rodrigues Ferreira – pág.202 – 2ª edição

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado