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Artigo do Jornal: Jornal Março 2015
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Para entendermos a questão da fatalidade e livre arbítrio, analisemos a possibilidade de, pela prática do bem, repararmos nossos equívocos perante a Lei. Vamos então verificar o caso narrado pelo espírito Hilário Silva, em o Livro A Vida Escreve, psicografia de Chico Xavier e Waldo Viera, na mensagem intitulada “O Merecimento”. Narra Hilário o caso de Saturnino Pereira, espírita, homem amoroso, prestativo, sempre disposto a ajudar seu semelhante seja no âmbito doméstico, familiar, na Casa Espírita ou no trabalho profissional. Certa feita, operando a máquina de que era condutor, Saturnino feriu a mão. Fora socorrido em hospital passando por cirurgia restauradora. Saturnino ferira todo o braço, porém fora informado pelo cirurgião que só perderia o dedo polegar e que os ferimentos do braço se reconstituiriam em tempo breve. “Logo se ouviam os comentários: ‘por que um desastre desses com um homem tão bom’; tantas mãos criminosas saem ilesas em até em acidentes mais graves e justamente Saturnino, que nos ajuda a todos, vem a ser vítima”.

Não faltou até quem cobrasse a proteção que Saturnino deveria receber pela atividade religiosa intensa a qual se dedicara com tanto amor. Saturnino recebeu carinho e respeito de todos, agradeceu generosamente, sorria resignado, agradeceu a Deus, porém estava triste. À noite, compareceu em companhia da esposa à sessão íntima no templo espírita que frequentava. Foi então quando Macário, o orientador espiritual das tarefas, dirigiu-se a ele bondoso para que o mesmo não se sentisse desamparado e tampouco triste, pois todas as dores são decretadas pela Justiça Divina.

- Há oitenta anos, era você poderoso sitiante no litoral brasileiro e, certo dia, porque pobre empregado enfermo não lhe pudesse obedecer às determinações, você, com as próprias mãos, obrigou-o a triturar o braço direito no engenho rústico. Por muito tempo, no Plano Espiritual, você andou perturbado, contemplando mentalmente o caldo de cana enrubescido pelo sangue da vítima, cujos gritos lhe ecoavam no coração. Por muito tempo, por muito tempo...”.

E continuou: “- E você implorou existência humilde em que viesse a perder no trabalho o braço mais útil. Mas você, Saturnino, desde a primeira mocidade, ao conhecer a Doutrina Espírita, tem os pés no caminho do bem aos outros. Você tem trabalhado, esmerando-se no dever... Não estamos aqui para elogiar, porque você continua lutando, lutando... e o plantio disso ou daquilo só pode ser avaliado em definitivo por ocasião da colheita. Sei, porém, que hoje, por débito legítimo, alijaria você todo o braço, mas perdeu só um dedo... Regozije-se, meu amigo! Você está pagando, em amor, seu empenho à justiça...”. De cabeça baixa, Saturnino derramava grossas lágrimas. Lágrimas de conforto, de apaziguamento e alegria...

É o amor que cobre uma multidão de pecados como bem asseverou nosso Mestre Jesus em Evangelho de Pedro I, IV, 8. Através das boas ações podemos diminuir o impacto de nossas provas diante da lei.

CONCLUSÃO

Concluímos que todos nós estamos sujeitos à Lei de Causa e Efeito, Ação e Reação conforme nossa necessidade espiritual, possuindo certa liberdade na nossa escolha no que se refere ao caminho do bem ou do mal que vamos seguir. Devendo nos atentar para o fato de que através do amor que dedicamos na nossa existência angariamos recursos vitais que vão amenizar nossas penas. Ressalte-se também que não há uma folha que se desprenda e caia que não esteja sobre o controle de Deus, mas não quer dizer com isso que estivesse previamente programado ou que tenha sido por obra dos espíritos. Por fim, devemos nos lembrar de que a cada um será dado segundo suas obras, e que o espírito terá tantas quantas oportunidades forem necessárias para seu aprimoramento moral.

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