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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2015

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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Jesus, no Sermão da Montanha, exaltou-nos a visão, ensinando-nos como devemos enxergar o mundo: São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso (1). E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei: Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem (2). E, na explicação da parábola do joio, assim se expressa: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça (3).

Olhos de ver e ouvidos de ouvir parecem redundância; entretanto, Jesus, conhecedor da alma humana, convida-nos a prestar atenção nas possibilidades ao nosso dispor.

Para utilizarmos os cinco sentidos fundamentais, as ferramentas da comunicação: visão, audição, olfato, paladar e tato, Deus dotou-nos de dois ouvidos, dois olhos, duas narinas, dois braços, duas pernas e apenas uma boca, significando em nossa anatomia, a Sabedoria do Criador: que devemos ver, ouvir, perceber, sentir e fazer mais do que falar.

A fala é muito importante quando utilizada no momento certo, após compreendermos a sua necessidade.

Sigmund Freud, o pai da psicanálise afirmou: Somos donos do que calamos e escravos do que falamos, e o provérbio chinês assevera: Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.

Quantas vezes utilizamos a palavra envenenada em julgamento leviano, totalmente despida de compaixão contra o nosso próximo. Se ele errou, quem de nós pode se julgar isento de culpa no âmago da consciência. Muitos fazem hoje o que fizemos no passado. E se não cometemos o erro, talvez por falta de oportunidade, que ele nos sirva de exemplo, na escola da vida em que estamos matriculados com o objetivo de evoluir. A boca fala do que está cheio o coração (4).

Queremos falar por causa da ansiedade, do orgulho e do egoísmo. Somos vaidosos, valorizamo-nos muito e nos julgamos muito bem; por isso, achamos que falando, compartilhando nossas experiências, todos aprenderão pela nossa cartilha.

Ouvir é o ato de compreender e analisar o som que se escutou. Ver é enxergar as coisas com discernimento, sem ódios e preconceitos, a fim de que o bem cresça em nós, e falar é o dom de traduzir em palavras o que vimos, sentimos e ouvimos.

Saber ouvir, saber ver, saber falar são artes que devemos aprimorar na educação dos nossos sentimentos.

Em 1989, há 26 anos, o mundo ficou estarrecido com o que via pela TV: a queda do muro de Berlim, unindo o povo alemão, reunindo as famílias separadas. No mesmo ano, Tim Berners-Lee criou a internet: www – world, wide, web – a rede ampla mundial, ligando o mundo, tornando-o uma aldeia global com a alta tecnologia de comunicação, em que tudo se sabe, nada fica escondido.

Hellen Keller, uma grande oradora americana, teve antes de completar dois anos, a escarlatina, ficando cega e surda e, porque não via nem ouvia, ficou também muda. A sua força de vontade e da professora Anne Sullivan, que também ficou famosa pelo seu método de ensiná-la a falar, fizeram dela uma grande oradora internacional e, quando esteve no Brasil perguntaram-lhe:

— Qual a maior tristeza da humanidade?

Ao que ela, prontamente respondeu:

— Ter olhos e não saber ver.

Assim somos nós; temos ouvidos, não sabemos ouvir, temos olhos, não sabemos ver, e o que é pior, não sabemos calar na hora certa, para que possamos na acústica da alma, ouvir as lições internas e externas, necessárias à nossa evolução. Educar os nossos sentimentos e treinar a compaixão para com o nosso próximo é o de que precisamos, porque a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos (5).

Muita paz!

Notas bibliográficas

1 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Mateus, 6, 22.

2 – Idem, ibidem – Mateus, 15, 10 e 11.

3 – Idem, ibidem – Mateus, 13, 43.

4 – Idem, ibidem – Mateus, 12, 34.

5 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Comentários sobre a questão 685 e 685 a.

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