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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2015
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“A qualidade humana que eu mais gostaria de ampliar é a empatia. Ela nos une de uma forma amorosa e pacífica”. Stephen Hawking

“Se você quer que os outros sejam felizes, pratique a compaixão. Se você quer ser feliz, pratique a compaixão”. Dalai Lama

Dois espíritos muito provavelmente com trajetórias muito diferentes, com experiências gravadas em suas memórias multimilenares certamente bastante diferentes. Entretanto, quando analisadas suas presentes reencarnações, os seus exemplos nesta existência, somos levados a concluir o que já nos tem sido ensinado há muito tempo: que todos os caminhos levam a Roma. Ou seja, incontavelmente diversos são os caminhos que percorremos, muitas vezes profundamente distintas as escolhas que fizemos; entretanto, confirma-se, em milhares de casos e exemplos, que a nossa destinação, de modo mais simples ou mais complexo, é a perfeição indefinida e indeterminada.

Um desses companheiros, Stephen Hawking, constrangido ao extremo na sua expressão física, por necessidades para nós desconhecidas, não deixou, todavia, de lutar, trabalhar, produzir como cientista e criatura, a seu benefício e a benefício da humanidade. O outro, Dalai Lama, líder espiritualista dos mais renomados, obrigado a viver no exílio pelas circunstâncias políticas de sua região, afastado de seu meio e co-irmãos de ideal, também não abandonou sua tarefa de difusão do amor e da religiosidade, igualmente a benefício próprio e da humanidade.

As declarações acima transcritas nos levam a refletir com vagar e profundamente sobre esses dois sentimentos, a EMPATIA e a COMPAIXÃO. Preciso é bem compreender o que sejam essas expressões: empatia é a capacidade de compreender o outro, o que ele sente e como reage, colocando-se nas mesmas circunstâncias e em seu lugar. E, compaixão: não é pena nem piedade, é compartilhar amorosamente o sentimento do outro, sua dor, seus anseios, com isenção de julgamentos, fazendo-o sentir que não está só.

É então que, possivelmente, conseguiremos compreender o ensinamento do nosso Mestre e guia, Jesus de Nazaré, quando nos recomenda que “ao te pedir alguém para ir com ele uma milha, vai com ele mais duas; ao te pedir ele que lhe dês a capa, dá-lhe também a túnica”... Tenho lembrado e pensado muito sobre esse ensinamento diante dos acontecimentos atuais por que passa a humanidade terrena. O que poderia definir melhor empatia e compaixão do que essas palavras do Cristo?

Em que momento nós, sociedade humana, espíritos encarnados com a missão e o dever de trabalhar para o nosso progresso intelectual, moral e material conjunto e não apenas individual, perdemos o sentido de irmandade que nos unia quando primitivos, ignorantes e até em estado de brutalidade e selvageria? Por exemplo: entre os índios de nossa terra não há órfãos, não há criança abandonada; a criança que perde os pais por qualquer razão que seja é imediatamente acolhida por alguém da tribo. Perdemos esse sentido no momento em que despertou em nós o enganoso sentido de posse, de propriedade? Ou quando deixamos florescer em nós a praga da ganância, da ambição, do egoísmo? Ou ainda quando fizemos brotar em nós a ânsia do poder a qualquer custo, de qualquer tipo, seja intelectual, financeiro, religioso etc.? Ou quem sabe tudo isso junto?

O que hoje vivenciamos colheita e consequência de plantio e decisões infelizes e desastrosas, no passado e no presente, mostra-nos o quanto ainda precisamos investir nesses dois sentimentos, EMPATIA e COMPAIXÃO. Precisamos meditar diária e constantemente sobre eles, compreendê-los e aprofundá-los em nós até que sejam parte integrante do nosso caráter, da nossa maneira de ser e também de estar no meio em que vivemos, no mundo em que vivemos.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XI, item 14, o Espírito Elizabeth de França, em 1862, nos recomenda a caridade para com os criminosos: “... É vosso próximo como o menor dentre os homens. Sua alma, transviada e revoltada, foi criada como a vossa, para se aperfeiçoar. Ajudai-o pois a sair do lamaçal, e orai por ele!” A muitos de nós custa assumir tal postura diante de toda ordem de violência que graça atualmente. Contudo, todos nós temos um passado, extenso, possivelmente conturbado, e que certamente não foi melhor do que o nosso presente.

O lema doutrinário escolhido por Allan Kardec, FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, enfeixa inteiramente esses dois sentimentos: empatia e compaixão. Diz-nos o Espírito Paulo em 1860, no item 10, capítulo XV, d’O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Com essa orientação o homem jamais se transviará. Aplicai-vos, portanto, meus amigos, a compreender-lhe o sentido profundo e as conseqüências de sua aplicação, e a procurar vós mesmos todas as maneiras de aplicá-la”.

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