pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2015

Sobre o autor

Melissa Santos

Melissa Santos

Compartilhar -

Reflexões sobre o Natal

O momento pede reflexão. Estamos num período em que muitos acontecimentos abalaram a confiança de alguns tarefeiros da jornada do Cristo. Desastres ambientais, ataques terroristas, multidões de refugiados, corrupção, cenas de desespero e ódio no Brasil e no mundo... E em meio a tudo isso, os festejos do Natal parecem deslocados neste clima de desânimo e desesperança.

 Muitos se perguntam: será que realmente temos o que comemorar no Natal? Para responder a essa pergunta, primeiro tentarei descrever aqui o real significado desta data, se isso é possível em apenas um humilde artigo.  

 O nascimento do Mestre foi um marco na história da Humanidade, uma noite cercada por detalhes que já descreviam quem era Jesus. No livro “A Caminho da Luz”, Emmanuel, por psicografia de Chico Xavier, nos relata no capítulo 12: “a manjedoura assinalava o ponto inicial da lição salvadora do Cristo, como a dizer que a humildade representa a chave de todas as virtudes.” E ele ainda acrescenta no parágrafo seguinte: “começava a era definitiva da maioridade espiritual da humanidade terrestre, uma vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações.”

De acordo com historiadores, Jesus não teria nascido em dezembro, e sim em abril. A data em que comemoramos hoje o nascimento do Mestre foi instituída no século III d.C. Na Roma Antiga, o dia 25 de dezembro marcava o início das celebrações em homenagem ao nascimento do deus Sol, Mitra. As festas eram sempre com muita comida e bebida. Com a oficialização do cristianismo no Império Romano, muitas destas datas de festas pagãs foram readaptadas para se ter um número maior de convertidos. O Papa Julius I foi o primeiro a reconhecer 25 de dezembro como o dia dos festejos do nascimento de Jesus.

Mesmo a data não sendo verdadeira, sabemos que o Cristo se aproxima mais do nosso orbe nesta época, como relatou Chico Xavier. No livro “Antologia do Natal”, o Espírito da poetisa cearense Francisca Clotilde narra uma dessas visitas do Mestre, no momento em que Ele acolheu a alma de uma criancinha chamada Mariazinha, que morreu de fome sozinha na noite festiva (trecho do texto no box abaixo).

Essa aproximação de Jesus não se dá apenas pela data em si, mas também, por toda a comoção, amor, momentos de caridade que a aproximação do Natal provoca. E é isso que o mundo está precisando agora. Como disse o espírito de Cármen Cinira, no livro Instruções Psicofônicas, capítulo 40, também por Chico, em forma de sutil poesia: “Natal! Eis a Divina Redenção! Regozija-te e canta, renovado, mas não negues ao Mestre desprezado a estalagem do próprio coração.”

Meimei, na lição intitulada “Oração do Natal”, também do livro “Antologia do Natal”, psicografado por Chico Xavier, falou sobre o ensinamento que o Messias quis nos passar logo no nascimento: “preferias esmolar segurança e carinho, para que, em te amando, de algum modo, na manjedoura esquecida, aprendêssemos a amar-nos uns aos outros. Tornavas-Te pequenino para que a sombra do orgulho se desfizesse, em torno de nossos passos, e pedias compaixão, porque não nos buscavas por adornos do Teu carro de triunfo, como vassalos de Tua Glória, mas, sim, por amigos espontâneos de Tua causa e por tutelados de Tua bênção.”

Nós, Cristãos Espíritas, temos que reviver em nossos corações esse dia tão importante, essa data especial, dando ao Mestre o maior presente que ele poderia receber: nossa reforma íntima, nossos esforços por sermos pessoas melhores. O espírito João de Carvalho, no mesmo livro, diz: “o Natal não é apenas uma festa no coração e no lar. É também a reafirmação da nossa atitude cristã perante a vida.”

O Governador do Planeta fez questão de vir ao mundo como todos nós, através da Mãe Maria, ao lado do Pai José. Jesus encarnou tendo como testemunhas deste momento sublime desde anjos a animais do estábulo, mostrando que o amor verdadeiro une todos os seres.

O Natal não é uma festa qualquer, não é um momento só para trocas de presentes sem sentido ou de forte apelo de venda. É uma data importante, que enfatiza o renascimento do nosso compromisso com o Cristo. É a comemoração pela vinda do Mestre, que dividiu a História por antes e depois Dele; que até hoje é uma das personalidades mais conhecidas, lidas e biografadas do mundo; que ainda nos ensina e nos guia; que está no leme dessa grande embarcação chamada Terra; e é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Acredito que pergunta feita no início deste artigo já foi respondida depois de tantas considerações. Será que temos o que comemorar neste Natal? Sim! E muito! Mas a comemoração não deve ser restrita à mesa farta, ou a reunião familiar. Ela deve se expandir em ação, na caridade, nos estudos sobre Jesus, no reforço do compromisso de mudança íntima, na busca pela paz, no agradecimento sincero pela oportunidade da vida, na confiança e esperança de dias melhores. Por isso, é uma festa, não de luzes, mas sim de abraços; não de comércio, mas sim de carinho; não de desvarios, mas sim de oração; não de Papai Noel, mas sim de Jesus!

Como disse o espírito Casimiro Cunha, também no livro Antologia do Natal, por Chico Xavier: “Natal é o maior dos dons, nas celestes alegrias, que nos ensina a sermos bons com Jesus todos os dias.” Que possamos na noite do dia 25 de dezembro ter em nossos corações o valor real desta comemoração, principalmente nesta época em que nos sentimos abalados. E na virada da meia-noite, do dia 24 para o dia 25, estabelecermos uma corrente de fé e oração junto ao aniversariante, agradecendo por Sua vinda, ensinamento e amor por todos nós.

Como disse Emmanuel também no mesmo livro, no capítulo 55: “as lembranças do Natal (...) indicam a Terra o caminho da Manjedoura. Sem Ele, os povos do mundo não alcançarão as fontes regeneradoras da fraternidade e da paz. Sem Ele, tudo serão perturbação e sofrimento nas almas, presas no turbilhão das trevas angustiantes, porque essa estrada providencial para os corações humanos é ainda o Caminho esquecido da Humildade.”

Um ótimo Natal com Jesus para todos nós! E muita paz!

 

=====================BOX=======================

 

Trechos do texto CONTO DE NATAL, capítulo 36 – livro Antologia do Natal – espírito Francisca Clotilde – psicografia de Chico Xavier

 


A noite é quase gelada...

Contudo, Mariazinha

É a menina de outras noites

Que treme, tosse e caminha...

 

Guizos longe, guizos perto...

É Natal de paz e amor

Há muitas vozes cantando:

- “Louvado seja o Senhor!”

 

Descalça, vestido roto,

Mariazinha lá vai...

Sozinha, sem mãe que a beije,

Menina triste, sem pai.

 

Abatida, fatigada,

Depois de percurso enorme,

Estira-se na calçada...

Tenta o sono, mas não dorme.

 

Nisso, um moço calmo e belo

Surge e fala, doce e brando:

- Mariazinha, você

Está dormindo ou pensando?

 

 

A pequenina responde,

Erguendo os bracinhos nus:

- Hoje é noite de Natal,

Estou pensando em Jesus.

 

- Se Jesus aparecesse,

Que é que você queria?

- Queria que ele me desse

Um bolo da padaria...

 

Depois... queria uma casa,

Assim como todos têm...

Depois de tudo... eu queria

Uma boneca também...

 

- Pois saiba, Mariazinha,

Eu lhe digo que assim seja!

Você hoje terá tudo

Aquilo que mais deseja.

 

- Mas, o senhor quem é mesmo?

E Ele afirma, olhos em luz:

- Sou seu Amigo de sempre,

Minha filha, eu sou Jesus!...

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado