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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2016
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Cada época tem seu ethos, suas questões. Já foi a doença, o tédio, a guerra, e hoje nos debatemos perplexos sobre os avanços tecnológicos e sobre as revoluções de costumes que ainda se sucedem. No aspecto individual, esse cenário se reflete também em nossas questões íntimas. O presente artigo pretende, de forma singela, categorizar algumas questões atuais que perturbam a mente encarnada, trazendo o debate e a reflexão sobre esses pesos que carregamos na mochila da reencarnação, bem como se detém sobre suas causas e remédios. 

O primeiro bloco de questões se prende a aspectos relacionados à depressão, esse estado patológico que nos faz ver tudo de dentro de uma caixa escura, úmida e fria. A depressão tem companheiros inseparáveis. O pessimismo, que nasce do nosso olhar parcial sobre os acontecimentos, esquecendo de enxergar o mais além que o Espiritismo nos brinda com a visão da reencarnação. Tem como salutar bálsamo o convívio com pessoas, que nos permite criar novos olhares sobre questões de sempre.

Nessa mesma cepa temos a tristeza, que se aproxima lentamente e nos invade, oriunda da nossa sucumbência diante dos problemas e que tem no convívio fraterno com a dor no próximo a sua derrocada, por entendermos a pequenez de nossas mazelas. A tristeza resseca em nosso coração, gruda como um colesterol ruim e vira mágoa, na qual jogamos em alguém a culpa de nossa tristeza. Para a mágoa, apenas o remédio do perdão libertador traz a cura.

Por fim, com tanta informação, com tanta transparência, nossos ídolos de pés de barro se destronam e após grande expectativa, colhemos grande decepção. A decepção nos paralisa, nos afasta e necessita para sarar da compreensão e da indulgência. Quando nos decepcionamos conosco mesmo, a questão é mais complexa, pois exigimos de nós o que sabemos não poder fazer, esquecendo a lição da caminhada passo a passo.

O segundo bloco de problemas contemporâneos transita nos campos do ódio. O ódio, que é um amor doente, que com muita força nos impulsiona a loucuras. O ódio é um filho da carência, na dependência que temos das pessoas e coisas, apegados, transformando esse sentimento de aproximação em repulsão, necessitando de universalização na nossa forma de amar.

O medo também reside na raiz do ódio e, pela nossa necessidade irracional de defesa, fomenta reações irracionais que se curam com fé e entendimento do mundo. Outra fraqueza que alimenta o ódio é o ciúme, derivado da posse de pessoas, o que nos demanda exercícios de desapego, uma ciência de difícil execução.

Por fim, nos tempos atuais, o ódio anda ombreado com o preconceito, fruto do orgulho e de generalizações, de falta de entendimento do pluralismo do mundo, e da consciência de nosso papel como espíritos encarnados. O preconceito também tem suas ligações com o poder, na forma de criar castas e grupos que hierarquizem as pessoas.

O bloco final que arrastamos nas encarnações atuais é vinculado ao poder. A capacidade do homem determinar o destino do próprio homem, que seduz, corrompe e motiva sacrifícios inomináveis. Na carteira do poder, temos a inveja como sentimento daqueles que não aprenderam a lidar com suas frustrações, e necessitam de entendimento sobre as bênçãos da vida.

O poder se alimenta também da ambição, um sentimento irmanado ao egoísmo, da vontade de se sobrepor a tudo, uma carência de comedimento. Nas mesmas linhas navega a competitividade, como vontade de ver em tudo uma disputa, esquecido das lições da cooperação que nos dá a natureza.

Como espíritos encarnados, eivados de imperfeição, não é estranho que carreguemos essa mochila pesada, com maior ou menor grau, acentuados pelas interações da vida coletiva. O Espiritismo, com a ideia positiva da vida eterna pela reencarnação, nos brinda com a ideia das oportunidades de melhoria, a cada dia, nas quais nos cabe perceber e trabalhar as nossas falhas, buscando as causas e os remédios, como caminho de liberdade e emancipação.

 

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