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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2016
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“Pois se vós, sendo imperfeitos, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai Celestial o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” Jesus (Lucas, 11:13)

       Esclarecem os benfeitores espirituais a Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, na questão 132, que o objetivo da encarnação é fazer o espírito chegar à perfeição, sendo isto para uns uma missão e a outros expiação. Esclarecem ainda, que expiar significa “suportar todas as vicissitudes da existência corporal”. Na passagem evangélica acima, o Doce Rabi da Galileia nos ensina que tudo o que nos acontece decorre da permissão do Pai. Sendo este Pai soberanamente bom e justo, suprema inteligência (atributos da divindade) não pode Ele cometer equívocos nos atos das nossas vidas, se não, não seria Deus.

 

As vicissitudes da vida

       A partir deste entendimento e alinhando-o às nossas experiências de vida, bem como também aos ensinamentos da Doutrina Espírita, começamos a compreender e aceitar os desígnios de Deus. Ficamos mais resignados nos acontecimentos do dia a dia, bem como em relação aos fatos do porvir. Compreendemos que de alguma maneira recebemos tudo o que é necessário para a nossa ascensão espiritual, consequência da necessidade de provas e expiações a que fizemos jus em outras vidas. Doenças do corpo físico, as doenças emocionais, o problema financeiro, o casamento complicado, o parente difícil, o chefe autoritário, são fatos e personagens atrelados à nossa experiência em outras vidas, que agora a programação reencarnatória reúne mais uma vez no mesmo cenário. Tudo de acordo com os laços de afinidades assumidos, bem como com o compromisso que possuímos uns com os outros. Estudando a problemática, o instrutor Emmanuel em o livro O Pão Nosso, esclarece que “Assim também, nos círculos de lutas planetárias, acontecimentos que nos aprecem desastrosos, à atividade particular, representam escoras ao nosso equilíbrio e ao nosso êxito, enquanto que fenômenos interpretados como calamidades na ordem coletiva constituem enormes benefícios públicos”. Temos que a cada um será dado segundo suas obras, conforme nos afiançou o Mestre Jesus. Cada experiência vencida e ultrapassada, cumprida com louvor, em observância aos bons costumes, elevam o espírito. Nas bem-aventuranças do Sermão da Montanha, o Mestre já nos conclamava a esta reflexão. Pois aquele que hoje sofre será bendito, os humilhados serão exaltados.

 

As dificuldades como instrumento de libertação

       Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IX, item 7, Um Espírito Amigo, trata a dor como uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. Amigo leitor, se somos eleitos de Deus, o nosso sofrimento não advém da experiência em si que ele nos envia, mas sim da nossa rebeldia em relação aos seus designíos. Esta rebeldia é resultado ainda do nosso egoísmo, orgulho e vaidade que não nos permite passar por uma experiência difícil, mais dura. Logo, quando recai sobre nós a dificuldade, a experiência dolorosa, perguntamos: por que eu? Por que comigo? O que fiz para merecer isso? O resultado é o sofrimento pelo esquecimento momentâneo das leis divinas. O espírito é imortal. Sua experiência de vida não está vinculada a esta única existência e, portanto, não podemos achar que somos vítimas de alguma injustiça ou falha da misericórdia divina.

 

Nós mesmos escolhemos nossas provas

       Informam os benfeitores espirituais em a questão 258 em O Livro dos Espíritos, que antes de reencarnar muitas vezes é o próprio espírito quem faz a escolha do gênero de provas por quais irá suportar. A nossa vida e o cenário em que estamos inseridos tais como família, profissão, religião, vizinhança, foi escolhido de antemão por nós mesmos com o auxílio dos nossos benfeitores espirituais. Não podemos esquecer também que muitas das nossas aflições atuais não têm uma causa pré-existente, em vidas passadas. São resultados de ações e atitudes equivocadas nesta própria vida. Resultados da nossa imprevidência atual como bem asseverado em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 4. As escolhas baseadas em interesses puramente materiais e privilegiando o individualismo, baseados no sentimento de egoísmo e em interesse mundano, normalmente resultam em dores e aflições já nesta vida atual. Então deve estar se perguntando o leitor se eu escolho passar por uma dificuldade financeira ou se eu escolhi determinada doença no corpo físico, então nada devo fazer para atenuar esta prova ou expiação? A proposta do Evangelho exemplificado pelo Cristo, e também da Doutrina dos Espíritos, não é a valorização do sofrimento. Muito pelo contrário. A sua função é justamente a de amenizar e consolar através do esclarecimento as dores atuais e prevenir para que nossa conduta não seja causa de dores e sofrimentos futuros. O espírito não repara só pela dor. Ele pode, havendo condições para isso reparar e se educar através do amor, conforme ensinamento do apóstolo Pedro: “o amor cobre uma multidão de pecados”. Ao espírito cabe fazer sua opção de acordo com a sua capacidade e livre arbítrio, escolhendo qual a melhor forma para evoluir e reparar seus equívocos. Ressaltamos que através da prece regular, da evangelização, e da boa prática, encontrará nos benfeitores espirituais guias infalíveis para auxílio na sua jornada de regeneração.

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